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Fátima Motta

PhD em C.Sociais e mestre em Adm. Especialista em comportamento e liderança. Professora. Psicanalista. Coaching. Sócia-Diretora da F&M Consultores.

Por que as pessoas não gostam de fazer perguntas e não perguntam?

Esse questionamento é o ponto de partida para a segunda parte desta reflexão.

Nas empresas, por exemplo, quando você faz muitas perguntas em uma reunião, quase sempre levanta interrogações e dúvidas, que nem sempre são bem recebidas. Você começa a achar que é melhor ficar quieto. Assim como esse, há inúmeros inputs que recebemos, a todo momento, que podem nos direcionar a não perguntar tanto.

Ao mesmo tempo, quando não perguntamos, ficamos em uma zona de conforto, transformando-nos em “alguém agradável, que todo mundo gosta e que não incomoda”.

Mas, ao agir desse modo, não nos perguntamos o porquê de fazer o que fazemos. Ficamos submissos a determinados modelos de pensamento e formas de trabalho, que nos impedem de crescer pessoal e profissionalmente.

As pessoas submissas não levantam a voz, mantem-se sempre em segundo lugar, acatam tudo aquilo que as pessoas autoritárias exigem e, quase sempre, tal atitude pode levá-las a ficar seriamente prejudicadas e machucadas.

Para que isso não aconteça, existe um primeiro movimento que é o de perguntar a si mesmo o motivo dessa indecisão e dessa postura passiva, caminhando por questões ligadas ao autoconhecimento.

Por outro lado, há também pessoas extremamente críticas, que fazem perguntas irônicas ou agressivas, estabelecendo um mal-estar no ambiente. Por vezes essa postura liga-se a uma defesa até inconsciente de ataque para não ser atacada. Ou seja, para não ser atacada e para até mostrar superioridade e competência, pode-se escolher por um comportamento inquisidor e crítico.

Assim, meu foco ao escrever esse artigo é justamente o questionamento interno.  É fácil questionarmos os outros, mas, é necessário primeiramente desenvolver o olhar para dentro de nós e nos questionarmos. Porém, criar esse hábito de autorreflexões requer disciplina, fazendo com que muitas pessoas pulem essa etapa na vida.

Mas isso pode mudar!

Vamos pensar em algumas perguntas: Qual minha real intenção ao participar de uma reunião? Qual a contribuição que posso ter? Quais as dificuldades de exposição que tenho? Por que estou fazendo determinado curso?  Por que estou participando de determinado estudo? Por que estou me posicionando desta forma sobre determinado assunto?

Parecem coisas simples, no entanto, são esses tipos de questionamentos que nos tiram daquele “espaço agradável”.

Assim, ficamos presos dentro de uma cabeça, de um coração e de emoção pequenos, porque, de algum modo, não aprendemos a olhar para dentro de nós mesmos.

Outro ponto importante: precisamos prestar muita atenção em nossas perguntas, para não colocarmos o outro em uma posição pouco agradável.

Quando me sinto incomodado por uma pergunta, talvez seja necessário fazê-la a mim mesmo: “Por que estou incomodado?”  O meu incômodo pode estar relacionado ao fato de eu não querer demonstrar vulnerabilidade e nem parecer incompetente. Ponto muito importante para quem quer, de fato, se conhecer.

Afinal, a grande beleza das perguntas é que elas ajudam a entrar em um outro patamar de autoconhecimento, principalmente, se forem construtivas, como por exemplo: O que posso fazer para te ajudar?

Estamos acostumados a levar uma vida tão pré-formatada que aceitamos tudo como verdadeiro. Somos bombardeados com uma infinidade de informações e não paramos para pensar naquilo que realmente queremos, ou mesmo sobre como lidar com nossas emoções. É aqui que encontramos a essência de todo o processo, o início do movimento de nossa construção interna.

Na terceira parte deste artigo, falarei sobre a impossibilidade de liderar sem que haja abertura para que os colaboradores possam perguntar. Acompanhe!

Profa. Dra. Fátima Motta, Sócia-Diretora da FM Consultores. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.


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