A Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), em conjunto com a Umanni, empresa de tecnologia formada por profissionais de RH, apresenta os resultados da terceira edição da pesquisa “O Cenário do RH no Brasil – 2023“, revelando insights, principais desafios e questionamentos sensíveis dos RHs e empresas no Brasil no momento pós-pandêmico.

Com uma amostra englobando cerca de 900 profissionais qualificados da área, o estudo identificou mudanças significativas nas práticas do dia a dia, mostrando as tendências em um novo contexto. Entre os participantes, 46,25% ocupam cargos de liderança, como gerente, supervisor, diretor, vice-presidente e presidente. Já 44,4% dos entrevistados são assistentes ou analistas.

Ainda sobre os entrevistados, 23,9% são Generalistas, 19% integram a equipe de Administração Pessoal, 18,9% Desenvolvimento Humano Organizacional, 9,5% Recrutamento e Seleção, e 7,6% são de Estratégia. “Essa diversidade de funções e responsabilidades reforça a tendência do profissional multitarefa”, comenta Eliane Aere, CEO da Umanni e diretora de Pesquisa da ABRH Brasil.

Na amostra, é possível destacar também como os RHs estão posicionados em relação à idade – 39,2% dos respondentes possuem entre 31 e 40 anos; 26,9%, entre 41 e 50 anos; 9,4%, entre 51 e 60 anos; 23,3% até 30 anos; 1,2%, têm mais de 60 anos.

“O resultado mostra que há uma grande concentração de profissionais com menos de 50 anos, o que aponta que a idade ainda é um fator de atenção, levando em conta a recolocação de profissionais mais velhos. Além disso, reafirma a predominância da geração Y na área”, diz Paulo Sardinha, presidente da ABRH Brasil.

Destaques do estudo:

  • Maiores desafios do setor;
  • Orçamento da área x orçamento das empresas;
  • Benefícios;
  • Para quem reporta;
  • Ferramentas de performance;
  • Participação na estratégia da empresa;
  • Políticas relacionadas aos princípios, valores e cultura organizacional.

Maiores desafios do setor

No ponto de vista dos entrevistados, os maiores desafios para o ano são: Cultura Organizacional (51%), desenvolvimento de liderança (49,6%), automação dos processos de RH (49,4%) e desenvolvimento de pessoas (28%).

Entretanto, vale destacar o baixo percentual de Performance do Negócio (6,34%), “que deveria ser umas das preocupações centrais, pois seu impacto é significativo”, pontua Paulo Sardinha.

Orçamento da área x orçamento das empresas

De modo geral, o orçamento das empresas apresentou um aumento de 52,3%. Entretanto, 19% das organizações tiveram suas despesas reduzidas ou estagnadas. Isso evidencia o desafio enfrentado por elas: aumentar a produtividade e equilibrar as finanças. Na área de RH, 45,7% dos departamentos tiveram aumento de orçamento, enquanto 35,7% mantiveram e 18,6% reduziram. 

“O desafio do RH se mostrou ainda maior comparado com o da empresa de forma geral. Uma alternativa a ser explorada é a automação e o aprimoramento dos processos”, avalia Eliane Aere.

Colab:
– RH: dos Recursos Humanos à Relação Humana
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Benefícios

Benefícios previstos pela legislação e em acordos sindicais ainda predominam em praticamente todas as corporações entrevistadas. Dentre eles, alimentação (66,59%), refeição (65,81%), plano de saúde (65,48%) e seguro de vida (63,7%). A adoção de benefícios decorrentes da pandemia continuam sendo destaque, como atendimento psicológico (34,3%) e auxílio home office (22,6%).

“Os benefícios flexíveis não possuem previsão legal, mas é uma prática adotada há muitos anos pelos profissionais de Recursos Humanos como forma de oferecer ao trabalhador um benefício que seja mais ajustável a ele e às suas necessidades individuais. Assim, por exemplo, uma cesta básica é mais valiosa para um pai de família do que para um jovem solteiro, entre outros exemplos”, ressalta Wolnei Ferreira, diretor Jurídico da ABRH Brasil.

Inteligencia artificial

Para quem reporta

Em 75,1% das organizações, o principal executivo de RH reporta para a Presidência/Diretoria Geral, enquanto 10,3% o faz para o Administrativo/Financeiro.

Com isso, é perceptível que o RH segue enfrentando o desafio de fortalecer sua presença na organização, e é importante a necessidade da área se posicionar de forma mais próxima, estabelecendo uma conexão direta com a Presidência/Diretoria Geral.  

Ferramentas de performance

A avaliação de performance dos funcionários está presente em 61% das companhias pesquisadas. Do total, 23,9% das empresas nunca utilizaram esta métrica e 15% já recorreram a ela, mas não aplicam a avaliação nesse momento.

Dentre as ferramentas de gestão de desempenho empregadas, destacam-se Avaliações (52%), Pesquisa de Clima (32,74%), Feedback Contínuo (30,6%), Avaliação de Competência (30,2%) e Metas (26,5%).

“O ponto que chama atenção é que apenas 26,5% das organizações entrevistadas trabalham com a ferramenta de metas. Vale ressaltar que essa tecnologia é fundamental para uma boa avaliação de performance”, diz Eliane Aere.

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Participação na estratégia da empresa

Neste tópico há uma visão equilibrada, em que 51,2% dos respondentes concordam parcialmente ou totalmente que o RH desempenha um papel ativo na definição e implementação da estratégia organizacional. Por outro lado, 48,8% não compartilham desse sentimento, expressando neutralidade ou discordância em relação à afirmação mencionada.

“Esse é um importante ponto de atenção para o RH. Mais do que se dizer estratégico, o RH precisa participar efetivamente da definição e implementação das estratégias nas organizações”, reforça Paulo Sardinha.

Políticas relacionadas aos princípios, valores e cultura organizacional 

Segundo 79,7% dos participantes da pesquisa, a empresa já possui políticas referentes aos valores, princípios e cultura das organizações. No entanto, 62,2% consideram que os funcionários têm Média Aderência a essas políticas. Nesse sentido, a ABRH entende que existe um desafio de comunicação interna no engajamento, entendimento e, por consequência, no cumprimento das políticas.

É preciso explorar o que provoca essa discrepância. Adotar políticas que não promovem adesão é, no mínimo, um desperdício. Esta análise pode partir da suposição que estejam ocorrendo falhas na comunicação interna”, avalia o presidente da ABRH Brasil.

A expertise da ABRH Brasil, responsável pela comunicação com o público do setor, e da Umanni, especializada em tecnologia e inteligência para mapear o cenário de RH no país, foram fundamentais nessa busca por informações precisas. “A pesquisa permite confirmar os caminhos que já vemos o mercado seguir no cenário pós-pandêmico e foi promovida visando um grande objetivo – respaldar as transformações nas empresas”, finaliza Sardinha.

O material pode ser consultado na íntegra em: https://www.abrhbrasil.org.br/ebooks/.