Inclusão no mercado de trabalho: avanços, desafios e perspectivas futuras para pessoas Trans. Em 29 de janeiro é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans, no entanto, há pouco a se comemorar quando falamos sobre a inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho.

Ainda é um grande desafio alcançar ambientes profissionais verdadeiramente diversos e inclusivos. A falta de apoio familiar, o afastamento da educação desde os primeiros anos e o estigma social convergem e criam barreiras significativas para a comunidade trans no acesso ao emprego formal.

Mesmo quando o emprego formal se torna uma possibilidade, as opções, muitas vezes, restringem-se a vagas com baixa remuneração e qualificação. Além disso, o preconceito manifesta-se de diversas formas, desde agressões físicas até microagressões veladas, como a recusa em utilizar o nome social do profissional trans por parte de colegas e, por vezes, da própria empresa.

Refugiados

Embora programas de inclusão tenham progredido na oferta de oportunidades de trabalho e crescimento para pessoas trans, é inegável que um longo caminho ainda precisa ser percorrido até que essa inserção seja verdadeiramente efetiva. Os desafios vão além da criação de vagas específicas, demandando uma abordagem que abrace a construção de uma cultura inclusiva e de um ambiente de trabalho seguro e respeitoso.

Desde 2019, a homofobia é criminalizada no país, esse avanço significativo foi alcançado com a aprovação da lei (7716/89) – a determinação está atrelada à Lei de Racismo, um marco que fortalece a luta contra a discriminação e cria um ambiente jurídico mais propício para a inclusão de pessoas trans. No entanto, a implementação efetiva dessas mudanças depende do comprometimento de organizações em transformar a cultura interna.

A principais ONGs que trabalham com essa temática no Brasil estimam a expectativa de vida média de uma pessoa trans no Brasil em 35 anos, destacando um cenário alarmante. Grande parte dessa população é expulsa de casa aos 13 anos, o que contribui para a evasão escolar precoce. Com metade sem concluir o ensino fundamental, 72% sem terminar o ensino médio e apenas 0,02% alcançando a universidade, a exclusão educacional perpetua-se, muitas vezes conduzindo à prostituição como alternativa de sobrevivência.

Além de proporcionar oportunidades de emprego, as empresas devem priorizar a criação de ambientes tolerantes e acolhedores, garantindo o reconhecimento da existência e dos direitos das pessoas trans. Isso envolve permitir o uso do nome social, correto tratamento de pronomes, e-mails, crachás, cartões de saúde e transporte personalizados, bem como a disponibilização de banheiros de acordo com a identidade de gênero.

Para efetivar uma cultura inclusiva, organizações devem não apenas sensibilizar seus colaboradores, mas também adotar uma postura de tolerância zero diante de manifestações de LGBTfobia, sexismo, racismo, capacitismo e etarismo. A flexibilização dos critérios de contratação tradicionais e a oferta sistemática de oportunidades de qualificação são passos fundamentais para promover uma transformação real e duradoura.

Contratar profissionais trans, assim como outros grupos minorizados, sem preparar o ambiente para acolhê-los, é contraproducente. Em cenários hostis, esses profissionais investirão mais energia em autodefesa do que na produção, comprometendo os benefícios da diversidade. Portanto, a verdadeira inclusão exige não apenas a mudança de políticas, mas a transformação de mentalidades e a criação de ambientes verdadeiramente inclusivos.

Visibilidade Trans: Inclusão e desafios na carreiraPor Letícia Rodrigues, colaboradora regular da Comunidade RHPraVocê, consultora especializada em diversidade e inclusão e sócia-fundadora da Tree Diversidade.

 

Ouça o episódio 143 do RH Pra Você Cast, “Inclusão 50+, bom para o presente e para o futuro (de todos nós)“. Como você se enxerga daqui a cinco ou dez anos? O questionamento, que já deve ter sido feito a muitos de vocês durante algum processo seletivo ao longo da carreira, nem sempre traz consigo uma resposta fácil. Especialmente para um público que, diante de tantos estereótipos e preconceitos, sequer sabe como será o dia de amanhã em sua vida profissional. A cada nova geração que entra no mercado, uma anterior se vê diante do dilema de ficar para trás e ver cada vez menos portas se abrirem.

O panorama, todavia, não só precisa como deve ser mudado. Pesquisas revelam que o tão falado “choque geracional” é extremamente benéfico não só a profissionais de todas as idades, mas também às empresas. E, afinal, se não olharmos para o público 50+ com atenção, como será quando chegar a nossa vez de lutar por espaço com os mais jovens? Para falar sobre as vantagens de mesclar gerações e como desenvolver mecanismos de inclusão, o RH Pra Você Cast traz Mórris Litvak, Fundador e CEO da Maturi. Confira o papo clicando no app abaixo:

Não se esqueça de seguir nosso podcast e interagir em nossas redes sociais:

Facebook
Instagram
LinkedIn
YouTube