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Desvendando a comunicação corporal

Coluna 1021

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As minúcias da comunicação silenciosa são surpreendentes, tais como a magia do olhar, seus inúmeros significados, tanto que os olhos foram chamados de “os espelhos da alma”. Outro exemplo, são as minúsculas movimentações de músculos faciais evidenciando emoções e interpretações das microexpressões, por serem espontâneas fazem parte da capacidade que o ser humano tem, de se comunicar com o corpo. É verdadeira aquela frase, que se tornou título de um livro de Pierre Weil – “O corpo fala”.

O estudo da comunicação não verbal, também chamado de linguagem corporal ou linguagem não verbal, proporciona a percepção de indícios explícitos, mas principalmente implícitos na relação de influência entre as pessoas.

Diante desse fascinante cenário, apresento um estudo sobre três grandes áreas: cinestesia, relacionada à posição do corpo, ao movimento e à expressão facial; proxêmica, que tem a ver com a cultura do uso do espaço; e imagem, relativa à aparência e à forma como nos comportamos:

Cinestesia: Refere-se à interpretação dos significados dos movimentos musculares, o que na comunicação incluem:

  • Gestos: movimentos de mãos e braços, usados normalmente para expressar ou descrever alguma coisa. Algumas pessoas gesticulam mais e outras menos, os gestos podem ser de vários tipos com diferentes significados:

- Ilustrativos: São os que reforçam ou ampliam a mensagem verbal;

- Emblemático: São gestos simbólicos que substituem palavras. Por exemplo, colocar o dedo verticalmente nos lábios para pedir silêncio;

 - Adaptadores: São aqueles feitos inconscientemente para indicar necessidade física, como esfregar as mãos quando sentimos frio.

  • Contato visual: É a forma como olhamos e o tempo de duração do olhar para uma pessoa durante a comunicação. Por meio dele expressamos emoções e ao mesmo tempo observamos as reações dos outros. Um líder congruente usa o contato visual direto com o colaborador, para estabelecer empatia e demonstrar franqueza. Mas atenção! O contato visual direto e prolongado com uma pessoa pode fazê-la sentir-se desconfortável.
  • Toque: “Tacésia” é o nome técnico do estudo do contato físico dentro da comunicação não verbal. Normalmente, usamos mãos e braços para nos aproximarmos do outro. Por meio desse contato físico comunicamos diferentes emoções e mensagens. Porém cuidado! É importante observar a aceitação ou não do toque de acordo com a pessoa, o ambiente, o contexto e o país em que estamos.
  • Expressão facial: É reagir ou demonstrar emoções (tristeza, medo, alegria), por meio dos músculos da face.
  • Postura: A posição e o movimento corporal que revelam, por exemplo, nosso grau de atenção, o respeito que tem pelo outro ou, ainda, se nós somos pessoas dominantes ou submissas. A forma de andar, de posicionar os ombros e a cabeça pode enviar mensagem sobre nosso estado de espírito.
  • Orientação corporal: É a posição do corpo de uma pessoa em relação ao da outra. Ficar frente a frente é uma orientação corporal direta, colocar-se ligeiramente ao lado ou na diagonal da outra é indireta. A orientação direta pode indicar atenção e respeito e a indireta pouca atenção e falta de respeito.

Proxêmica: É a interpretação do movimento espontâneo do corpo no espaço físico, ou seja, a forma como usamos e ocupamos à nossa volta e os objetos que elegemos para colocar nesse espaço. Ela também estuda a distância que mantemos das pessoas.

Algumas regras básicas estabelecem distâncias tidas como ideais para determinadas situações, mas variam de acordo com o contexto e a cultura.

  • Social: É a distância mais usada em ambiente de trabalho, em reunião de negócio ou entrevista: de 1,20m a 3,60m.
  • Pessoal: É a distância mantida em contatos informais e conversas pessoais: de 45cm a 1,20m;
  • Íntima: Usa-se com amigos próximos, pais, crianças pequenas e relações íntimas: menos de 45cm.
  • Pública: Adotada em conferências e circunstâncias oficiais e também quando falamos com autoridades: em média 4m.

A forma de ocupar um espaço físico também revela muito sobre o comportamento humano. Algumas pessoas, as chamadas “espaçosas”, precisam de grande distância dos outros para marcar visivelmente “o seu território”.

Por outro lado, também é possível verificar as relações de poder na maneira como se posicionam os integrantes de uma equipe. Décadas atrás no período da Guerra Fria, a inteligência ocidental examinava atentamente fotos de grandes eventos soviéticos, para saber quem estava em alta no jogo do poder, tudo isso a partir da posição que ocupava em relação a liderança.

Os objetos pessoais e de decoração que colocamos no espaço físico sob nosso controle também devem ser considerados na proxêmica dentro de uma empresa e certamente provocam sensações nas pessoas de fora. Porque esses objetos também “falam” e muitas vezes criam barreiras para a comunicação, tornando o ambiente frio e pouco receptivo. Ou, ao contrário, dão sensação de proximidade e familiaridade.

Imagem: Não é novidade para ninguém que a imagem que projetamos revela muito sobre nós. Isso envolve desde a aparência, hábitos de asseio e de organização até a forma como usamos o tempo.

Quando somos apresentados a alguém a primeira coisa que observamos é a atitude e o comportamento do outro, que por sua vez também nos observa. Avaliamos e somos avaliados ao mesmo tempo.

  • Primeira impressão: Costuma se dizer que “ a primeira impressão é a que fica”, e esta não é apenas uma frase de efeito. Foi comprovado que temos apenas cinco segundos para causar uma primeira boa impressão e que depois é difícil apaga-la totalmente. No mundo dos negócios a primeira impressão é crucial.

Geralmente os outros fazem rápidas análises sobre nós, principalmente a partir do que veem, e geralmente os profissionais que combinam sua aparência com o tipo de função exercida, costumam ser bem-sucedidos com colegas, superiores e clientes.

Nem é demais lembrar que a aparência é importante no universo da liderança, pois os gestores são certamente modelos para suas equipes. É importante ter estilo próprio, mas é preciso evitar exageros.

  • Atitudes: O conhecimento e uso de etiqueta social não faz mal a ninguém. Lembre-se que existem as variações culturais.
  • O uso do tempo: A forma como nós administramos o nosso tempo também conta a favor, ou contra, a imagem que esperamos transmitir. Cuidado com os atrasos e evite olhar o relógio durante a reunião.

Linguagem universal

Gestos e sinais compreensíveis em todos os idiomas e nas mais diversas partes do mundo, tornam a linguagem não verbal uma área fascinante da comunicação. Um mímico pode se apresentar em qualquer pais e será compreendido por toda as plateias. Não existe quem não entenda um sorriso.

Costumamos recomendar aos líderes observar o colaborador que deseja conhecer melhor quando ele está relaxado e à vontade, sozinho ou com seus colegas. Como são seus gestos? Como é sua postura? Como olha para os outros? Assim será mais fácil detectar pequenos sinais indicativos de mudança de comportamento. Mas não se esqueça: antes de mais nada, desenvolver sua própria linguagem não verbal, será positivo para sua identidade além de aumentar seu poder de influência e conquista em equipe.

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO da Passadori Comunicação, Liderança e Negociação. É um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.