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Como se manter saudável antes e depois do isolamento social?

Coluna 467

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Nestes novos dias estamos, a grande maioria, trabalhando em home office e com isolamento social (atitude esta considerada bastante complexa, pois nós, seres humanos, somos sociais e precisamos estar em contato com outras pessoas), tendo que lidar com a distância das pessoas que mais gostamos, dos nossos colaboradores e dos companheiros de trabalho. E nisso vem as questões:  Como passar por isso e manter a saúde mental? Como será que está sendo este momento para todos nós? Como vamos lidar com tudo isso quando voltarmos ao “novo normal”?

O que realmente acontece com a nossa saúde emocional nesse momento? O que acontece numa crise, onde não só somos afetados pelo isolamento físico, mas também pelo aspecto financeiro, estrutural, e principalmente no aspecto  emocional?  É o momento no qual precisamos repensar nossos relacionamentos. É quando precisamos mais do que nunca ter equilíbrio emocional e desenvolvermos a capacidade de diálogo para a melhoria das relações.  Essa crise está sendo um enorme desafio para todos nós, pois temos que tomar consciência da importância do impacto das emoções nos nossos comportamentos e em todos os contextos de nossos relacionamentos

Um outro aspecto bastante relevante nesse período é o financeiro, que necessita de uma reestruturação completa, pois a recessão está no mundo e a pergunta geral de todos  é: como vamos ficar?

Sendo assim, esse é um momento muito delicado. Talvez devessemos aliviar a pressão interna, buscando não ser tão críticos. É necessário tomar mais cuidado com os pensamentos, emoções e palavras, para que sejamos mais leves também para com as outras pessoas. Para passarmos esse período sem ficarmos doentes emocionalmente temos que observar e mantermos uma vida mais saudável e mais simples.

O que significa, então, ter uma vida mais saudável e simples? É não levar a sério algumas coisas, não querer saber só de situações desagradáveis, manter a calma e o raciocínio claro em momentos difíceis, não ser pesado para as pessoas e diminuir nossas necessidades, eliminando o superficial.

Várias emoções podem surgir nesse momento como alegria, medo, tristeza, amor e raiva, que são as cinco emoções consideradas primárias, segundo as teorias psicológicas.

Dependendo da força com que surjam, quem não está preparado pode dar vazão a um descontrole, por vezes compensando com a comida ou bebida em excesso e, em outras, com agressividade demasiada ou com euforias sem sentido. 

Como lidar com essas situações?

A primeira coisa a se fazer é tomar consciência dessas emoções e nomear o que estamos sentindo, porque, na medida que as tornamos concretas, a forma de lidar com o comportamento advindo dessa emoção pode ser mais saudável. É dar contorno à emoção. É colocá-la no seu devido lugar e não deixar que invada todo nosso ser. Por exemplo: sinto medo de ficar sozinha. Dar contorno a essa emoção é se perguntar: em que momentos eu fico sozinha? Como é esse medo? Medo do quê? É real? Quantas vezes já aconteceu a situação que gera o medo de ficar sozinha? Ou ainda: tenho medo de me sair mal em uma apresentação à diretoria. Por que sinto esse medo? Quantas vezes já me saí mal? O que posso fazer para diminuir esse receio?

Com esses exemplos, podemos observar que existem algumas saídas para o problema e com isso ajudar a diminuir o impacto de uma emoção não contido. 

Ou seja, quando sentimos medo, mecanismo que também nos mantém vivos, as emoções que disparam são ansiedade, insegurança, preocupação, desconfiança e incerteza. Sem elas, colocaríamo-nos em situações de risco. Portanto, por vezes o medo ajuda-nos a manter a tal da distância social e o auto cuidado. O perigo é perder o controle do medo e deixar que vire pânico. Nomeá-lo, dar contorno a ele e lidando de uma forma positiva, pode inclusive ser benéfico.

Mas vamos às outras emoções! Podem ser muito presentes e precisamos saber distingui-las para poder nomeá-las.

O amor, outro sentimento tão importante, é fundamental para nossa saúde e bem-estar mental. Pensamos logo em reputação, missão, visão, valores e perpetuação. É quando enxergamos mais além, perguntamos qual é nossa missão. Enfim, esse time de emoções que compõe o amor nos dá mais centramento. O amor traz expansão, quando equilibrado e integrado. E esse amor é o que nos une a todos, à natureza e ao universo.

Quanto sentimos mágoa, rancor, stress e ressentimento, estamos falando do time da raiva, que também faz parte da nossa vida e não podemos descartá-lo. A raiva se apresenta em um nível elevado de ativação emocional e pode nos faz perder o controle. O rancor, a mágoa e o ressentimento faz com que fiquemos remoendo uma situação antiga na qual saímos machucados ou doídos. Esses sentimentos são reflexos de uma situação mal resolvida e que nos traz um mal-estar infinito. 

A tristeza, que implica geralmente em negatividade e reduz o nível de atividade, é um ponto bastante sério, pois vem acompanhada de emoções como decepção, abatimento, baixa energia, baixa autoestima e descrédito. É quando vamos para dentro de nós mesmos e ficamos com dor na alma. Mas, às vezes é a tristeza que nos faz pensar um pouco em nós mesmos, provomento acolhimento e um tempo para as decisões. É nesse período que podemos ser extremamente criativos, pois somos seres de possibilidades múltiplas. 

A última emoção básica é a alegria, que facilita o desejo de envolvimento social, fortalece as relações e tem também uma função positiva que torna a vida mais agradável. Vem sempre seguida da mobilização, euforia, boa energia, autoestima e prazer.

Aprender a lidar com nossas emoções é básico: “as emoções não são boas e nem más, a forma como lidamos com elas é que as tornam boas ou más”. 

Uma pessoa que não sabe lidar com sua alegria é tão destrutiva como uma pessoa que não sabe lidar com sua tristeza. Sendo assim, a maturidade está em aprender a lidar com todas as emoções que se apresentam.

Assim, já foi falado que o primeiro ponto é nomear as emoções. O segundo é priorizar o que realmente importa, dar valor ao que realmente tem valor. Viver o presente, não ficar nem no passado e nem no futuro, atuando diante do que é possível e aceitando o que é inevitável. 

O terceiro ponto é mudar o pensamento para mudar o sentimento. É a ressignificação. O pensamento e o sentimento estão absolutamente interligados. Se você pensar em algo triste com certeza vai surgir o sentimento de tristeza. Mas, se mudar o pensamento para algo alegre, o sentimento também será mudado. Assim, é importante vigiar o que se pensa e, de fato sermos donos dos nosso pensamentos, alterando-os para o que realmente é importante e tem valor. 

O quarto ponto é trabalhar com as quatro dimensões do ser humano: o físico, o mental, emocional e o espiritual, pois são todas inter-relacionadas e, a partir do momento que você altera uma parte, as outras também são impactadas, seja de forma positiva ou negativa. Daí a importância da sua escolha.  Nos aspectos fisiológicos encontram-se o sono, a alimentação e o movimento. Quando falamos do aspecto mental, cabe o cuidado de filtrar as informações e acrescentar competências válidas. O aspecto emocional já foi bastante apresentado, Por último, o espiritual, pode trazer grande alívio e saúde. É onde fica nossa fé, nossa preocupação com o próximo, é lembrar que estamos conectados com tudo e todos, portanto, nunca estamos sozinhos. Sendo assim, esse último ponto mostra-nos que, como somos um sistema, melhorando aspectos fisiológicos, o nosso mental, emocional e espiritual também melhoram e assim acontece com as outras partes desse sistema.

Então, observamos que, por mais que estejamos frente a uma situação nova, temos muitos recursos para lidarmos com ela de forma saudável. Finalizando, algo novo sempre incomoda, tira da zona de conforto, assusta, mas algo novo também  ensina, faz repensar, obriga a reestruturar, impele a mudar. O novo ajuda no retorno ao que é essencial,  move-nos para os reais valores, portanto rejuvenesce, mas, para tudo isso acontecer, nosso olhar precisa estar direcionado para todos esses aspectos positivos e, isso, ah…. isso é uma questão de escolha. 

Por Profa. Dra. Fátima Motta, Sócia-Diretora da FM Consultores. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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