Com a chegada de um sistema de trabalho distinto do modelo anterior, a área de recursos humanos passa a vivenciar mais do que um novo modelo de trabalho. Trata-se de algo que vai além de uma abrupta alteração estrutural, ambiental e de governança corporativa.

Na realidade, bastou grande parte dos recursos humanos definirem a troca da exclusividade do pensamento baseado apenas na retenção de talentos pela proposição de um novo argumento de trabalho, conhecido por alinhamento de valores, para que surgisse um novo olhar para o “recurso humano”.

Um passo atrás em nossa história, ainda sem a obrigatoriedade do uso de máscaras e álcool em gel, há quase uma década (em 2012), já se sabia que “salários e benefícios já não eram itens primordiais na atração e retenção de talentos”. Isto porque, naquela época, funcionários buscavam uma cultura organizacional compatível com suas crenças e valores para que os objetivos profissionais atendessem também aos anseios pessoais, e vice-versa.

Já em 2020, antes da pandemia, muitas empresas planejavam ou já implantavam a chamada Jornada do Colaborador, lançando mão de plataformas próprias ou da contratação de startups, cujo objetivo era o de proporcionar experiências únicas: desde o processo de contratação e onboarding, até o final da jornada do funcionário em questão, registrando – em paralelo – todo este processo vivenciado por ele.

Ainda em 2020, agora em meio ao caos chamado Covid-19, um artigo da eLearning Industry chamava a atenção: era sobre o subproduto do trabalho remoto, a presença social. Neste caso, um dos benefícios listados seria o preenchimento da lacuna do distanciamento físico dos times. Eles diziam que “a presença social serve para diminuir a distância que sentimos de nossos colegas”.

Voltando para 2021, em um cenário ainda marcado pelo uso de máscaras e pelo distanciamento social, o chamado formato híbrido de trabalho chega para desmascarar empresas e colaboradores, diminuindo distâncias físicas por meio da presença social no trabalho. O que era uma alternativa passa agora a ser visto como uma solução economicamente viável, de produtividade comprovada e sustentável, em vários setores da economia.

Como o ano de 2021 já está quase acabando, e tudo que ainda se discute gira em torno de tecnologia para a subsistência de sistemas que alimentarão processos e registros dos RHs, entendo que minha contribuição deve ir “de” e não “ao”, encontro do diálogo disponível pela deep web – área da internet que fica ‘escondida’ e com pouca regulamentação.

Se dermos um passo atrás, em nossa reflexão, veremos que assim como a educação (na relação professor x aluno), os recursos humanos precisaram fazer parte de uma grande transformação, ao longo do tempo, para voltar a enxergar propósito através dos olhos de seu principal agente: o colaborador.

Paulo Freire afirmava que “não deveríamos tentar dominar as tecnologias, mas compreendê-las em sua totalidade, para projetar a construção do pensar e agir coletivo, contribuindo para os sentidos da existência e da produção das relações humanas.”

Em tempos de produtividade no contexto da era híbrida, não há melhor explicação que traduza o RH do que: a consciência corporativa que dá sentido para a existência e produção das relações humanas.

A redefinição do RH na produtividade da era híbrida

 

Por Gustavo Luis Marcolino, coordenador de vendas do atendimento corporativo do Senac São Paulo.