Seja feliz (no trabalho) agora

Desde criança somos ensinados que a felicidade está no fim. É o famoso “final feliz” dos contos de fadas. Depois de passar pelas dificuldades do presente, o futuro nos espera com a felicidade plena. Conforme crescemos, essa ideia não nos deixa, apenas muda o foco: seremos felizes quando adultos, quando pudermos conduzir, quando tivermos uma casa só nossa…e esse pensamento nos persegue até a vida laboral.

Poucos estão satisfeitos com seu momento de trabalho. Essa ideia (assustadora) eu apresento logo no começo de “O Subordinado”: 56% da força de trabalho formal do Brasil está insatisfeita em sua posição atual, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva publicada em 2017.

Minha experiência trabalhando em uma grande empresa confirma que o pensamento geral nas camadas mais baixas da pirâmide organizacional do trabalho é “quero que o atual momento da minha carreira passe logo. Quero ser gestor, líder. Quero poder tomar decisões e finalmente fazer as coisas do meu jeito” – como se o cargo de liderança representasse uma passagem para a felicidade e a liberdade na carreira.

Muitas vezes me peguei pensando dessa forma, além de ter ouvido a mesma coisa dos meus colegas. É algo enraizado na estrutura laboral, como o concreto nas paredes do escritório. O problema é que essa ideia é falsa.

A maior parte dos gestores de hoje não está plenamente satisfeita. Muitos estão cada dia mais pressionados a atender às expectativas das organizações, com dificuldades para gerenciar a si mesmos e seus stakeholders dentro e fora do trabalho. Como consequência, 72% dos profissionais brasileiros sofrem com estresse.

Desses, 30% sofrem de Burnout, segundo pesquisa da ISMA-BR. Ou seja: mesmo quem “chega lá” não encontra essa satisfação com o trabalho. Concluí que o problema não se resolve na escalada de cargos: ele está na forma como todos nós lidamos com o trabalho dentro das organizações.

Nessa trajetória de redescoberta do trabalho, desenvolvi a ideia de “O Subordinado” como proposta de sair desse ciclo de achar que a felicidade está no amanhã, lá fora, nos bens materiais ou nos cargos de liderança, e expandir o conceito de carreira para além do emprego. Para isso, os colaboradores podem utilizar ferramentas de gestão de marca pessoal, independentemente de seu nível hierárquico.

Sempre defendendo a ideia de que temos que ser completos e realizados agora. Acredito que é importante nessa jornada que cada trabalhador se conheça, saiba suas motivações, seus pontos fortes e fracos, suas ambições e que trabalhe, a partir desse autoconhecimento, sua comunicação para se sentir mais satisfeito com sua carreira.

Quero que todos os “subordinados”, tão importantes para o mercado de trabalho, sejam felizes no presente e não acreditem na ideia de que só quando forem líderes se sentirão satisfeitos com sua carreira. O propósito é que todos nós, colaboradores, nos tornemos o que chamo de Chief Growth Officer (CGO ou Diretor de Crescimento, em português) da própria carreira.

Vamos tomar uma posição ativa no desenvolvimento do futuro do trabalho, desconstruir e ressignificar seu conceito, porque apenas através do reconhecimento do nosso valor e de uma comunicação mais autoconfiante, conseguiremos equilibrar melhor a balança do sistema a partir dos nossos interesses – e assim, quem sabe, seremos por fim mais felizes no presente.

Seja feliz (no trabalho) agora

 

Por Beatriz Machado, executiva de marketing e autora do livro “O Subordinado”.