Quando se trata da busca e seleção de profissionais, os olhares de recrutadores e gestores, geralmente, se voltam para as entrevistas técnicas, a aplicação dos testes psicológicos (assessment), as análises de currículos e tudo que diz respeito às experiências do candidato.

Cada vez mais, são investidas novas metodologias, ferramentas e tecnologias para avaliar as competências e habilidades (soft skills) da pessoa. Entretanto, outro ponto também de vital importância é a linguagem. Seja no primeiro contato por e-mail, seja em uma entrevista (presencial ou on-line), a forma de comunicação é determinante para atrair os melhores talentos.

Em uma recente pesquisa realizada pelo LinkedIn, com mais de 14 mil profissionais, foi observado que 65% deles perderam o interesse pela vaga, devido à experiência ruim no processo seletivo. Assim, um diálogo bem planejado pode criar uma vivência positiva, possibilitando um recrutamento mais personificado e, ao mesmo tempo, convidativo para os candidatos almejados.

Aqui, é bom salientar que quem é talentoso sempre será abordado pelas organizações. E, atualmente, a decisão sobre onde trabalhar é compartilhada. Ou seja, as empresas escolhem, mas os candidatos também. Por isso, criar estratégias inteligentes para a atração, que proporcionem ao profissional uma experiência diferenciada das demais abordagens, já no primeiro contato, é fundamental.

Adotar uma linguagem mais humanizada, mais próxima e acolhedora, aumenta as chances de conexão entre os envolvidos. Da mesma forma que uma comunicação clara, objetiva e coesa, com as informações necessárias, desperta o interesse. Ao usar as habilidades linguísticas, por meio de inúmeras técnicas assertivas e recursos de oratória, abre-se um leque de possibilidades.

Tanto igualando o modo como falamos com o outro, quanto alterando o timbre e a altura da voz, fazendo pausas estratégicas ou mudando a velocidade ao conversarmos com uma pessoa mais ansiosa, por exemplo, conseguimos influenciar a comunicação, ditar o ritmo e conduzir a conversa.

Mas, para fazer isso com eficiência, é preciso criar um vínculo inicial, trabalhando a empatia e gerando rapport – uma conexão com sintonia. Demonstrar interesse e atenção ao candidato é uma maneira simples de estabelecer essa interação, o que envolve ter escuta ativa, validar as informações ditas pelo outro, buscar interesses comuns e não se esquecer de chamá-lo sempre pelo nome.

Após criar esse laço, obtêm-se melhores respostas para perguntas delicadas – como a remuneração do candidato e o relacionamento com seus superiores, dentre outras informações necessárias ao processo seletivo – ou até mesmo é possível persuadi-lo.

Aí é também onde a credibilidade se faz necessária, pois, nesse primeiro contato, o recrutador irá convidar o profissional a participar de um processo seletivo, num momento em que ele pode não estar buscando uma nova oportunidade de emprego. Tentar influenciá-lo a mudar de ideia requer planejamento e treino em relação à linguagem.

É essencial criar um discurso eficiente e com um vocabulário rico e fluido, além de estar preparado para improvisar e enfrentar qualquer situação não planejada, controlando o estresse e mantendo a calma, caso seja confrontado com alguma pergunta complexa ou inconveniente.

Quem conduz o processo seletivo ainda precisa ter o “brilho nos olhos”. Como irá apresentar uma oportunidade excepcional, se não acredita nela? No mais, sempre será preciso maestria em qualquer diálogo.

Portanto, fica claro que o recrutamento e seleção de profissionais é um processo que vai muito além das análises técnicas minuciosas e da triagem de currículos. Para ser mais assertivo, requer que se estabeleça um relacionamento com os candidatos, que podem ser o talento a ser contratado ou alguém que indicará outro profissional para a posição em questão.

Sendo assim, é crucial criar relações duradouras. E, claro, se a pessoa não for aprovada, ser cordial e transparente para informá-la, pois a maneira como você respeita e trata os outros nessa fase final será lembrada no futuro. Fique atento a isso, até porque um candidato, hoje, poderá se tornar seu cliente amanhã.

Além do mais, ao desenvolver nossa linguagem, nos desenvolvemos como pessoas, pois ganhamos mais autoconfiança e segurança e mais facilidade para superar o medo de falar em público, por exemplo.

A prática da oratória envolve uma melhoria contínua das habilidades de comunicação, seja verbal, seja corporal. Aspecto que, inclusive, impacta a credibilidade. Do mesmo modo que um bom vendedor entende a importância da retórica em seu trabalho, quem recruta precisa valorizar a comunicação.

Afinal, mais do que “vender” um emprego, está “vendendo” sonhos, projeção na carreira, novos desafios. Logo, a experiência ofertada durante o recrutamento, desde os primeiro contato, é tão importante.

Qual experiência de recrutamento você oferta aos seus talentos?
Por Guilherme Marinho, headhunter da Prime Talent e condutor de processos seletivos em toda a América Latina.