Resiliência: habilidade que deve liderar cenários de conflitos e ancorar a comunicação. “Ter flexibilidade e capacidade de adaptação pode transformar situações alarmantes em aprendizados e boas estratégias de negócios”.

Quando o assunto é gerenciamento de crises, aparecem teorias e especialistas com narrativas parecidas. Obviamente que critérios como atuação preventiva, eficiência na captação de informações e a concepção de um comitê destinado para atuar na linha de frente são fundamentais. Mas, venho chamar a atenção para um aspecto imprescindível ao processo, que interfere diretamente na postura da liderança e muitas vezes acaba sendo esquecido: a resiliência.

Ser resiliente significa ter equilíbrio e inteligência emocional para enfrentar as situações de risco. Para Zygmunt Bauman, um dos grandes sociólogos e filósofos de nosso tempo, “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. Bauman nos convidou a refletir sobre a importância dessa prática, que deve ser parte de uma visão holística corporativa.

A resiliência é em si um exercício e uma habilidade a ser aprendida em qualquer momento da vida. O segredo para esse desenvolvimento está em sua essência e nada mais é do que o autoconhecimento. Trata-se, de forma prática, da nossa capacidade de lidar com situações adversas, superar pressões e reagir de forma positiva a elas, inclusive exercitando a competência da alteração dos fatos.

Durante uma crise, um bom líder dever ser o alicerce da equipe, pois é um formador de opinião diante dos acontecimentos. Por isso, um dos pontos cruciais de sua gestão é o controle emocional e psicológico.

Sua postura é decisiva, ainda mais em tempos de transformação digital, em que se tornou basal ter uma comunicação eficiente, levando em consideração a velocidade das informações. Dentro dessa complexidade, cabe ao gestor auxiliar o time na construção de um novo sentido sobre o que está acontecendo, definindo as linhas estratégicas mestras a serem consideradas.

Esse papel de interlocutor principal, só pode ser bem conduzido por meio da resiliência. Ainda mais em tempos de pandemia do Covid-19, quando o líder assumiu novos desafios como o gerenciamento de equipes remotas, as variantes comportamentais das pessoas frente a esse panorama e a ascensão de uma cultura organizacional muito mais horizontalizada.

Uma comunicação bem estruturada é a base para o desenvolvimento dessa habilidade, considerando sempre o comprometimento com os valores e propósitos da empresa, o exercício da paciência e humildade em um processo de escuta ativa, além de manter uma interface clara e objetiva com as áreas e criar, ou gerenciar, espaços para as discussões.

A consultoria americana MC Kinsey, uma das mais importantes do mundo, publicou um artigo apontando as características primordiais para a liderança durante uma crise. Entre elas, está uma comunicação eficaz que mantém a transparência e fornece atualizações constantes para a equipe. O documento enfatiza que comunicações frequentes e criteriosas mostram que os gestores estão atentos à situação e ajustam suas respostas à medida em que aprendem mais.

Ou seja, durante um cenário de conflitos a resiliência é peça-chave para o desenrolar dos acontecimentos, a recuperação e a transformação dos fatos. E, mais uma vez, é preciso compreender a importância de as organizações fortalecerem seus propósitos que serão totalmente integrados aos seus gestores.

Resiliência para cenários de conflito

 

Por Anderson Passos, gerente de Marketing e Relacionamento com o Cliente na Vedacit. Formado em Comunicação Social na PUC-Campinas, com MBA em Marketing com módulo internacional na FGV-Campinas e Babson College em Boston (EUA) e mestrado em Semi-ótica e Rituais de Consumo em Marketing na USP. Possui 19 anos de experiência em Comunicação Corporativa, Marketing Institucional, Relacionamento com a Imprensa, Eventos, SAC e Assistência Técnica.