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Novos propósitos e aprendizagem contínua: os insights do CBTD Digital

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“Otimismo como motor para recriar o futuro das organizações”. Com esse mote, aconteceu, entre os dias 5 e 9 de outubro, o Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento (CBTD) Digital. Durante os cinco dias, o evento contou com seis plenárias, mais de setenta palestras on demand e momentos de interação.  

Richard Barrett, fundador e presidente do Conselho do Barrett Values Centre, abriu o Congresso com a palestra “A Grande Desordem: Navegando com Valores”. Nos últimos anos, o autor e pensador inglês tem sido frequentemente chamado por grandes organizações para apoiar líderes na melhoria da performance de suas empresas por meio do desenvolvimento de uma cultura baseada em valores.

Na visão do especialista, diante do cenário imposto pela pandemia do novo coronavírus, não há dúvidas que as coisas serão diferentes no futuro. Em pesquisas realizadas pré-Covid 19 pelo Barrett Values Centre, o profissional destacou que havia um foco por parte das organizações em desempenho, controle e hierarquia. Agora, vislumbrando o pós-pandemia, há uma mudança visando as pessoas, adaptabilidade e em como é possível trabalhar em conjunto, mas de uma maneira diferente.

Realizada com mais de três mil pessoas e em diferentes países, Barrett encontrou similaridades entre as regiões, mas, ao olhar para as faixas etárias, descobriu que a pandemia trouxe mais incertezas e inseguranças para os jovens da Geração Z. 

“Eles ficaram muito assustados por não saberem como será seu futuro. Mudanças climáticas, vidas negras importam, pessoas de baixa renda. Há múltiplas crises hoje. Os jovens estão preocupados e precisamos fazer algo a respeito. A nível social, mas também que as nossas companhias liderem o caminho. É muito importante que elas percebam que têm responsabilidade e prestam conta à sociedade, e não porque devam a ela, mas porque um bom negócio é aquele que se preocupa, cuida do meio ambiente, dos jovens. Que as empresas decidam não serem as melhores do mundo, mas melhores para o mundo”.

Como, então, cumprir essa jornada? De acordo com o palestrante, verdadeiros líderes organizacionais deveriam estar pensando: “como podemos, enquanto empresas, desempenhar um papel no fortalecimento da sociedade, tendo um propósito que os colaboradores irão adotar? Com isso, a cultura da organização muda, o desempenho dos profissionais melhora etc. É uma estratégia boa para os negócios e para a sociedade, porque atende às necessidades de todos os envolvidos. A crise está apontando para a importância de um novo propósito: o de que estamos todos juntos”.

“E o que precisa mudar é a liderança, não somente a do topo, mas em todos os níveis hierárquicos. Uma nova maneira de ser que ainda não estão acostumados. Por exemplo, menos hierarquia, mais senso de conexão com outras pessoas, mais atenção às suas necessidades. Os funcionários precisam ter uma sensação de segurança. Os líderes precisão se tornar emocionalmente mais inteligentes, reconhecer que há um propósito para as empresas, que esse propósito está relacionado em como o negócio apoia a sociedade e, com isso, terão mais sucesso”.

Aprendizado contínuo

Como iremos requalificar um bilhão de pessoas até 2025? De acordo com o Fórum Econômico Mundial de 2020, esse é o nosso desafio. Para Kelly Palmer, líder da área de aprendizado da Degreed, edtech fundada em 2012, e responsável pela plenária do dia 8 de outubro no CBTD Digital, uma das respostas está no upskilling.

A especialista resumiu o conceito como a aprendizagem contínua das pessoas, em entender as habilidades do futuro e em como preencher possíveis ausências dessas. Segundo uma pesquisa conduzida pela PwC neste ano, 18% das empresas estão fazendo um progresso significativo em upskilling, essas companhias estão focadas em estratégias a fim de fortalecer suas culturas organizacionais. De que forma? 

De acordo com Palmer, o caminho é abandonar velhos modelos de trabalho, principalmente os pautados pela gestão conhecida como “comando e controle”. “É necessário pensar nos indivíduos no centro das histórias. Que os colaboradores sejam donos de seu desenvolvimento individual, entender suas lacunas, mas que possam aprender dentro da companhia. Que possam encontrar projetos que preencham tudo isso e, assim, fiquem motivados com suas carreiras, tenham propósitos e impacto”. 

Há algumas perguntas que podem ser feitas a fim de entender se essa aprendizagem está acontecendo na prática, por exemplo: “os seus colaboradores entendem o que você (empresa) espera dele? Estão sendo reconhecidos pelo trabalho que fazem? São desafiados a crescer? Eles têm chances de exercer seus pontos fortes no trabalho?” 

Os passos para construir essa cultura, segundo Palmer, são: identificar habilidades futuras; avaliar habilidades críticas; criar metas de upskilling (sejam individuais, para equipe ou para o negócio); transformar aprendizado em habilidades; medir evolução da aprendizagem; combinar habilidades com oportunidades e comunicar métricas para sucesso.  

E os gestores desempenham um papel crucial nessa jornada, conforme destacou a especialista. “Eles precisam ajudar os colaboradores a desenvolver e construir suas habilidades, seja pensando em sua atual empresa, mas visando sua carreira de maneira geral. Aprender precisa ser prioridade”, enfatiza. 

No último dia do Congresso, Walter Longo, publicitário, administrador de empresas e especialista em transformação digital, destacou que hoje o mundo vive um test drive de mudanças que já vinham acontecendo. Vivemos, então, um “velho normal acelerado”. Nesse cenário, segundo o palestrante, é necessário rever conceitos e questionar certezas. “Precisamos rever estruturas piramidais de autoridade e comando e modelos colaborativos. O que faz uma empresa crescer não são clientes, mas as pessoas que trabalham nela”. [Confira aqui a entrevista de Walter Longo na última edição do RH Premium – Melhores Soluções para RH].

As plenárias, com apresentação e mediação de Alexandre Slivnik, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), também trouxe nomes de Gustavo Borges, Carol Barcellos e Fernando Rocha. O Congresso contou com mais de 2.134 inscritos e mais de 200 mil visualizações nas atividades.

 

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