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Como transformar o medo em impulso, e o impulso em impacto

Coluna 784

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Alerta de textão. Só leia se você estiver precisando de inspiração

2020 começou lindo: 133% da meta atingida em janeiro, 120% em fevereiro. Agenda do time lotada, grandes projetos e muitas viagens.

Eu estava no banheiro, terminando de me maquiar para fazer uma palestra. Sairia diretamente da convenção em Minas Gerais para uma outra no Ceará, quando chegou a mensagem: “Carol, a convenção de amanhã foi cancelada. O cliente acabou de nos avisar. Volta daí pra Sampa”. Isso foi 11 de março de 2020 e a gente ainda não tinha ideia do que nos esperava.

Na segunda-feira, dia 16 de março, todos os nossos projetos já estavam cancelados, adiados ou em stand by. Entrei no banheiro do escritório, soquei a porta, falei muitos palavrões, sentei no vaso e chorei. Copiosamente.

Por que isso estava acontecendo conosco? E agora? Como iríamos cumprir com nossos compromissos financeiros O sonho acabou?

Lavei o rosto e me olhei no espelho. “Vamos dar um jeito”, eu decidi por nós com a certeza de que teria todo apoio necessário.

A primeira providência foi pedir para todos trabalharem de casa. A segunda foi arrumar a casa.

Na mesma tarde, me reuni com o time do financeiro e desenhamos um plano. O primeiro passo foi conversar com os clientes, oferecer alternativas, fazer novas promessas e manter o fluxo de pagamentos. Fomos ágeis e funcionou. Em uma semana já tínhamos uma visão real do fluxo de caixa e, se mantendo tudo no seu lugar, nosso fôlego nos levaria até julho. Mas, e a partir daí?

Definitivamente, não tinha como viver de esperança. A fé de que até julho tudo seria como antes e, correndo um pouco mais, a gente voltaria para os trilhos não seria suficiente.

Reconhecer que nada seria como antes, nos permitiu a agilidade necessária para mudar com consistência.

Naquela semana, ainda fizemos algumas reuniões presenciais e eu não dormi uma noite sequer. O time de produtos começou a pensar numa solução digital, eu comecei a abrir frentes com parceiros e a entrega caprichava em tudo que não precisa de presença (diagnóstico, desenvolvimento de conteúdo, roteiro de vídeos e e-books).

Na reunião semanal do dia 23 de março, a quarentena já estava decretada. Havia um plano e a certeza que ele seria revisado. Havia uma estratégia e parte dela já estava sendo executada. Mas acima de tudo havia um time. Ou melhor, há. E que time!

Todos estavam com medo, mas imbuídos de coragem. Nosso desafio era transformar esse medo em impulso e foi o que fizemos.

A reunião semanal passou a ser diária. Ao invés de uma pauta justa e fixada em temas de negócios, o tom do bate-papo virou um mix de desabafo, brincadeiras, atualizações sobre o COVID-19 e sessão de terapia. E nesse contexto surgiam muitas ideias. Eu entrava na reunião com o caderno cheio de bullets e saia delas com um mapa mental gigante.

Em vários momentos de empolgação disparamos uma série de iniciativas que foram descontinuadas, mas que serviram pra entendermos melhor o que fazia sentido. Precisávamos encontrar um oceano azul. Foi aí que decidi ir na fonte.

Abri o livro "A Estratégia do Oceano Azul" e pirei ao rever a matriz de avaliação de valor do Cirque Du Soleil. E se fizéssemos o mesmo com nosso serviço? O que é valor para o nosso cliente? Do que podemos abrir mão? O que é imprescindível? Como manter nossa essência no ambiente digital? Como agir no atual contexto?

Eu estava muito energizada e ter o time na mesma vibe fez toda diferença. Meu sócio, Ivan Correa, abraçou a causa e liderou o processo. Lembro que logo após uma das nossas reuniões cheias de insights mirabolantes eu escrevi um texto no Instagram falando que em meio a essa tempestade, a gente iria construir uma arca. Na enquete que eu fiz, 56% das pessoas disseram que isso seria possível. O resultado apertado me instigou a querer provar que isso era possível (quem me conhece sabe o quanto eu amo desafios).

Na noite daquele dia, eu finalizei o livro “O lado difícil das situações difíceis”. Duas frases me chamaram atenção durante a leitura:“Se você tem que engolir uma sapo, engula inteiro de uma só vez” e “As coisas dão errado mesmo para quem sabe o que está fazendo.”

Estômago embrulhado e coração acelerado. Eu estava a mil. Cheia de ideias e mobilizando o mundo para executá-las. Comecei a enxergar o momento como uma super oportunidade de fazer um monte de coisas que ficavam pra depois.

O que era uma possibilidade virou oportunidade. O que era uma ideia bacana virou prioridade.

Assim nasceu o Learning On – Nosso Jeito de Fazer Educação Presencial no Ambiente Digital. Lançamos o MVP e validamos a estratégia com clientes. Adotamos uma versão beta e colocamos o bloco na rua.

Pela primeira vez investimos em Marketing Digital: patrocinamos posts em redes sociais, investimos em adwords e implementamos uma rotina de envio de e-mail marketing.

Certos de que a tecnologia nos coloca em pé de igualdade (não podemos ficar de fora desse movimento), mas  o que permite a diferenciação é humanização, nosso foco foi ampliar o diálogo com a equipe, clientes, prospects e nossa audiência.  A ideia era investir tanto no pacote de dados quanto no pacote de voz.

Adotamos o lema: ESTAR JUNTO NÃO É FÍSICO

Compreendemos que presença tinha mais a ver com disposição do que com posição.

Pivotamos a nossa maneira de entregar, migrando 100% pro ambiente digital, mas mantivemos a nossa essência por meio de soluções educacionais totalmente customizadas à realidade dos nossos clientes. A estratégia estava redonda, o desafio era partir para a execução.

Ai veio um novo, real e urgente desafio: preparar o time para cumprir essa promessa. Alguns ainda estavam desconfiados da nova metodologia. Outros, incomodados. E ainda tinham aqueles que não se sentiam confortáveis em falar para uma câmera.

Começamos a treinar entre nós. Todos preparam apresentações e foram submetidos a rodadas de feedback. Todos colocaram suas caras nas lives que passamos a promover diariamente em nosso Instagram. Todos começaram a estudar tecnologia, metodologias ativas e a produzir vídeos. Mas precisávamos de um teste de fogo.

Unimos o útil ao agradável e abrimos duas turmas piloto, totalmente gratuitas para ajudar o varejo a se preparar para vender agora e continuar a vender depois. Em 1 semana, pilotamos a FAST LANE (um dos produtos do Learning On) de forma completa: mentoria, vídeos de preparação, assesment, workshops síncronos, atividades em grupo, em dupla e certificação. Deu certo! Ver o impacto do que estávamos realizando nas pessoas, em suas vidas, nos seus negócios e resultados foi a cereja do bolo.

O time experimentou, aprendeu, ganhou a confiança necessária para dar o seu melhor. E cresceu: contratamos um vídeo maker e um motorista. Precisávamos de profissionalismo e segurança.

O caixa que nos levaria até julho, encurtou sua jornada. Mas a crença de que o plano seria capaz de mudar o contexto era maior que o medo de não dar certo. Investimos naquilo que seria capaz de nos levar ainda mais longe.

O IMPULSO VIROU IMPACTO

Em 60 dias, a Posiciona tinha impactado o dobro de pessoas que já tinha impactado em toda sua existência (ao longo dos nossos 3 anos foram 23 mil pessoas). Nos 60 dias dessa reinvenção foram 50 mil, diretamente. E de repente, os números passaram a ser irrelevantes. É impossível mensurar as melhorias que provocamos no mundo. Em nosso mundo e no mundo daqueles que decidiram embarcar em nossa arca.

Recuperamos clientes e conquistamos muitos outros. Os feedbacks de “conexão”, “linguagem próxima”, “funcionalidade” e “presença” têm sido aqueles que mais se destacam nas experiências de aprendizagem que conduzimos.

Inspiração para seguir sempre em frente

O nosso jogo se tornou infinito! Ao invés de concorrentes convivemos com parceiros; ao invés de fornecedores nos tornamos aliados de referência; ao invés de ensinar como vender passamos a convocar as pessoas a refletir sobre o porque vender; ao invés de fazer uma venda, entendemos que colaboramos com vidas.

Nas últimas 10 semanas, além das nossas entregas conseguimos gerar valor para as pessoas e ajudar os mais necessitados, afinal, apesar de estarmos todos na mesma tempestade, não estamos no mesmo barco. Mas como nossa arca tem alma grande, nela cabe muita gente.

Realizamos o Reposicione-se, um evento com o objetivo de ampliar a consciência e o conhecimento de profissionais em busca de recolocação. Por meio dele, arrecadamos cestas básicas para comunidade do Jardim Colombo e proporcionamos 8 palestras incríveis com grandes especialistas que inspiraram e instrumentalizaram pessoas que vivem uma grande crise em suas vidas pessoais: a busca por um emprego.

Promovemos em conjunto com 3 grandes parceiros, a ABTD, a Leo Learning e a ISAT o Sales Summit – O melhor Fórum de Treinadores de Equipes de Vendas. Também ao vivo e online, com 20 speakers, 4 sessões de benchamarking colaborativo, o evento arrecadou 8 mil reais em doações para o Lar Ana Júlia.

Disponibilizamos workshops, mini-classes e lives que têm inspirado nossa comunidade a seguir com Consciência, Coerência, Consistência e Coragem.

E seguiremos em frente, pois os aprendizados que tivemos até aqui serão para sempre. E aqui está um resumo, dos meus maiores aprendizados nesse processo:

1. Estar junto não é físico

2. Sua reputação é seu legado

3. Juntos vamos mais longe

4. Não existe “um mesmo barco”

5. Diálogo é mais efetivo que empatia

6. Consciência é poder

7. O que vale é o que a gente sente

8. A mensagem é mais importante que o meio

9. Você decide como jogar

10. Ação é melhor que reação

Acreditamos que sempre que transbordamos o que temos de melhor a vida retribui.

Por Carolina Manciola, sócia diretora da Posiciona Educação & Desenvolvimento e escritora do livro "Bora Bater Meta". É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista.

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