CANAL

Ricardo Amorim

Apresentador do Manhattan Connection/Globonews, economista mais influente do BR (Forbes), reconhecido pela Speakers Corner e presidente da Ricam Consultoria.

O bem senso indicaria que os EUA e ainda mais o Irã não têm interesse em uma guerra. Infelizmente, os interesses de seus líderes, Trump e Khamenei, apontam na direção contrária.

Trump enfrentará uma eleição neste ano. A história americana mostra que presidentes americanos em guerra se reelegem.

Já Khamenei e seu regime estão fragilizados e nada melhor do que a desculpa de unir o país contra um grande inimigo externo para esmagar opositores. No ano passado, as sanções econômicas americanas corroeram o poder de compra dos iranianos, causando grande insatisfação da população com o regime. Com o governo precisando de dinheiro, o combustível teve um aumento de preço de 50% e a compra foi limitada a 60 litros por pessoa. Quem precisasse de mais combustível teria de pagar 300% mais caro. Em um dos maiores produtores de petróleo do mundo, esse aumento foi o combustível que faltava para a insatisfação popular. Em novembro, pela primeira vez, aconteceram grandes protestos contra a ditadura religiosa que controla o país. Dezenas de postos de combustível, agências de bancos e repartições públicas foram incendiadas, a internet foi bloqueada e ao menos mil oposicionistas ao regime foram presos.

O êxito da operação americana em matar Suleimani expôs a vulnerabilidade da elite das Forças Armadas iranianas, desmoralizando e fragilizando Khamenei. Se ele não reagir ao ataque americano, sua fragilidade aumentará ainda mais, estimulando a oposição a derrubá-lo. Khamenei está acuado e não parece ter outras opções para se manter no poder a não ser reagir ao ataque americano. Trump, por sua vez, passa por um processo de impeachment e tem eleições pela frente. Ele também não pode ser desmoralizado por uma eventual agressão iraniana sem revide.

Moral da história, uma escalada de agressões entre Irã e EUA pode não ser do interesse de iranianos, americanos e do mundo, mas os interesses dos líderes tanto do Irã quanto dos EUA parecem apontar para esta direção.

Ricardo Amorimautor do bestseller Depois da Tempestade, apresentador do Manhattan Connection da Globonews, o economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes, o brasileiro mais influente no LinkedInúnico brasileiro entre os melhores palestrantes mundiais do Speakers Corner, ganhador do prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, presidente da Ricam Consultoria e cofundador da Smartrips.co e da AAA Plataforma de Inovação. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.


De 1 a 5, quanto esse artigo foi útil pra você?
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5


0 Comentários

COLUNISTAS

Tatiane Souza

Quem quer ser Líder?

14/04/2021

Fátima Motta

Perguntar ofende, incomoda ou desperta? – 1ª Parte

13/05/2021

Milton Camargo

Home office: o assédio além das paredes da empresa

22/04/2021

Reinaldo Passadori

Saber liderar é saber lidar

16/08/2021

Ricardo Amorim

O que eu aprendi não investindo em Bitcoin em 2010

12/05/2021

Marcelo Simonato

Como o líder moderno deve encarar os desafios da atualidade?

14/05/2021
Athomus Tecnologia da Informação