Básico? Sim.

Simples? Não!

Com as novas dinâmicas e relações de trabalho, o mercado fala muito sobre a cultura de alta performance e o foco em resultados, o que é correto para qualquer empresa.

Porém, a análise que deve ser feita é “a que custo” ou o que a empresa faz para que, mesmo em um ambiente de trabalho de alta performance as pessoas sejam respeitadas em sua singularidade e os gestores treinados para entender como perceber sinais e estresse relacionado ao trabalho versus vida pessoal, uma vez que, não há como se separar a vida pessoal e profissional, pois a pessoa que as vive é a mesma.

O aspecto organizacional, que considera reflexos e impactos dentro do contexto organizacional, tem a capacidade de verificar os níveis em que a síndrome se manifesta, seja ele individual ou social, que engloba mais de uma função e meio ambiente de trabalho. Seguida deste cenários temos a despersonalização, que é um elemento que separa a síndrome de um simples estresse, do dia-dia. Observar estes sinais, no cenário onde as pessoas sofrem pelas incertezas (na vida pessoal) e no trabalho, deve ser o constante trabalho de profissionais que atuam com a gestão de pessoas.

A definição de práticas que aproximem as pessoas, para o contato não somente profissional, é fundamental, ainda mais em um momento em que as relações sociais, mesmo que a distância, são tão necessárias e valorizadas. Se parte da empresa ações como estas, vinculadas a ações de cuidado com a qualidade de vida e saúde mental do colaborador, mostra o quanto a empresa se preocupa com o indivíduo em sua singularidade.

A adoção do modelo de trabalho no formato home office, mostrou que veio para ficar, porém, nos primeiros seis meses de pandemia, mostrou também, o quanto pode ser desafiador e desgastante, exigindo do indivíduo uma intensa disciplina e autoconhecimento. Surge assim, a forte tendência do modelo de trabalho “híbrido”, modelo no qual há uma forte tendência de sucesso, uma vez que o colaborador pode trabalhar no conforto da sua casa e continuar com as interações sociais, mas, e pessoas que trabalham em diferentes cidades, estados ou países?

Como mantê-las conectadas constantemente e a par de tudo o que acontece na empresa? Simples: alinhamento de comunicação e práticas! Simples? Não tão simples!

Um desafio constante e que deve ser levado em conta, uma vez que a realidade de cada empresa e de cada pessoa é extremamente diferente. Não há forma mais efetiva e assertiva para se resolver isso que não seja a proximidade das pessoas.

A nova realidade tem virado uma possível tendência de mercado, um “efeito dominó”, uma vez que, se o colaborador não está elencado na jornada de trabalho de oito horas diárias e este precisa gerar resultados para a empresa que trabalha, pode estar condicionado a trabalhar mais, fazendo horas extraordinárias que, por sua vez, passarão a ser rotineiras e comuns em sua jornada de trabalho.

Ainda, um desafio do trabalho a distância é a gestão de demandas e foco, bem como a alta capacidade do líder em gerenciar pessoas, estejam de perto ou de longe. A intensidade e o ritmo acelerado no trabalho, acumulado com o número excessivo de horas na jornada são fatores decisivos para ferir a saúde do trabalhador, seja ela física ou mental.

Neste contexto, cabe a nós, profissionais de RH, que atuam de maneira estratégica e com foco em acelerar os resultados da empresa e entender sobre como, dentro do contexto organizacional, os profissionais podem buscar estabelecer maiores limites entre vida pessoal e profissional e também entender a importância da descompressão desta carga.

Existe também a necessidade de levar em consideração o contexto de fragilidade que vivemos, tanto nas empresas quanto na vida das pessoas e entender a necessidade de ter resiliência, empatia e colaboração, além de trabalhar a diversidade em várias esferas como pessoas, equipe, produtos e serviços.

Comunicação é a chave para manter os colaboradores conectados

 

Por Silvana Fernandes, Gerente de RH da Pontomais.