Com a virada do calendário, cresce entre os brasileiros a disposição para rever hábitos e estabelecer novas prioridades. Para 2026, além do cuidado com a alimentação e da prática de atividades físicas, um objetivo tem ganhado protagonismo nas resoluções de ano novo: dedicar mais atenção à saúde mental ao longo dos próximos meses. A meta é compartilhada por 67% dos participantes de um levantamento recente que analisou expectativas e planos relacionados ao bem-estar.
A pesquisa foi conduzida pela Vhita, empresa do segmento de suplementos alimentares, e buscou mapear os principais hábitos saudáveis da população brasileira. O estudo reúne percepções sobre temas como relação com o trabalho, uso de telas e redes sociais, organização da rotina e prioridades a partir do início do ano.
O interesse por momentos de pausa, práticas de relaxamento e acompanhamento terapêutico aparece como o quarto desejo mais citado pelos respondentes para 2026. O dado ganha ainda mais relevância neste período em que o país vive o Janeiro Branco, campanha nacional que, desde o primeiro dia do ano, promove a conscientização sobre a importância da saúde emocional, reforçando que o cuidado com a mente deve ser tão constante quanto aquele dedicado ao corpo.
Bem-estar em foco: o que os brasileiros esperam de 2026?
De maneira geral, os resultados do levantamento indicam uma intenção clara de tornar o cotidiano mais equilibrado e ativo no próximo ano. Entre as metas mais recorrentes, destacam-se a adoção de uma rotina regular de exercícios físicos, apontada por 74,6% dos entrevistados, e a busca por uma alimentação mais saudável, com preferência por alimentos naturais e menor consumo de ultraprocessados (69,2%).
O movimento revela uma preocupação crescente em fortalecer a saúde por meio de escolhas possíveis de serem mantidas no dia a dia, priorizando consistência e bem-estar a longo prazo.
Outro ponto que chama atenção é o sono. Considerado um dos pilares mais negligenciados da saúde, ele surge como prioridade para 69% dos participantes, que afirmam querer dormir e descansar melhor em 2026. O número evidencia que a privação de sono continua sendo um desafio significativo e que a criação de rotinas noturnas mais estruturadas é vista como essencial para melhorar disposição, foco e qualidade de vida.
Quando o assunto é saúde mental, 66,4% dos entrevistados mencionaram práticas como terapia, pausas planejadas, redução do estresse e momentos de autocuidado como metas para o novo ano. Soma-se a isso o desejo de 61,8% dos participantes de alcançar um equilíbrio mais saudável entre vida pessoal e trabalho, um sinal de que, em 2026, o bem-estar estará cada vez mais associado à organização da rotina e à diminuição da sobrecarga diária.
Empresas também têm que priorizar a saúde mental
Para a psicóloga Bruna Antonucci (capa), consultora em gestão de processos e pessoas, o desafio para as empresas em torno do desenvolvimento de ações efetivas em prol da saúde mental está em superar a lógica de campanhas obrigatórias e avançar para uma abordagem estruturante.
“Ao longo do ano, as empresas seguem uma pauta colorida que muitas vezes se transforma em um calendário automático de ações para o RH. O Janeiro Branco precisa ser entendido como um convite à reflexão sobre a saúde mental como um todo, não como um evento isolado”, afirma.
O debate ganha relevância adicional em 2026, com a intensificação da aplicação da Norma Regulamentadora nº 1, que reforça a responsabilidade das organizações na identificação e no gerenciamento de riscos psicossociais. Nesse contexto, falar de saúde mental deixa de ser apenas uma iniciativa de comunicação interna e passa a integrar a agenda de governança e conformidade.
“Em um ano em que a NR1 começa a valer de forma mais concreta, iniciar o ano discutindo saúde mental é essencial. Isso exige olhar para a cultura organizacional e entender se a empresa, de fato, dissemina a ideia de equilíbrio emocional e bem-estar”, diz Bruna.
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Segundo a especialista, a abordagem adequada não deve buscar soluções definitivas ou discursos de cura. A saúde mental, explica, está associada ao equilíbrio contínuo e à capacidade da organização de criar condições favoráveis ao trabalho sustentável.
“Não falar de cura quando se fala em saúde mental. Existe equilíbrio, qualidade de vida e bem-estar. É um processo permanente, que depende das escolhas institucionais feitas todos os dias, ao invés de cura é imprescindível se falar do preconceito, medo e receio que as pessoas possuem em relação ao tema”, salienta.
Para que o Janeiro Branco tenha impacto real, a psicóloga defende que empresas, lideranças e áreas de recursos humanos façam uma avaliação honesta do ambiente interno. Isso envolve analisar cargas de trabalho, relações hierárquicas, práticas de gestão e coerência entre discurso e prática. “É preciso avaliar como está essa balança dentro dos times e da cultura organizacional. Só assim falamos de saúde mental de forma concreta”.
Foto de capa: por Jessica Freitas