Eu sei que você sentiu a nossa falta nas semaninhas de hiato, mas um pouco de saudades sempre é bom, não é mesmo? O time do GiroRH estava em clima de Páscoa, mas já está de volta com a barriga cheia e força total para tornar a sua sexta-feira ainda melhor. E hoje, como sempre, tem muito papo relevante na área. Dos updates da NR-1 à expectativa com os indicados do Top of Mind de RH 2025, chegamos.
Bora girar?
Adaptação à NR-1
A nova NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que passa a incorporar a gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, mantém vigência a partir de 26 de maio, mas sem risco de autuação para as empresas por um ano. Segundo decisão do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), anunciada nesta quinta-feira (24), a norma será aplicada de forma orientativa e educativa até maio de 2026. Durante esse período, as empresas não serão autuadas. Para o médico-psicanalista, especialista em Ergonomia Mental e consultor de saúde mental corporativa, Dr. André Fusco, o novo prazo precisa ser entendido não como alívio, mas como oportunidade de transformação estrutural.
“Estamos falando mais sobre ansiedade, depressão e até Burnout, mas seguimos tratando apenas os sintomas. A NR-1 propõe um avanço: reconhecer não só a pessoa adoecida, mas os ambientes adoecedores. É isso que ainda falta. Não se trata de punir ou buscar culpados. Estamos falando de uma mudança estrutural muito positiva.”, afirma.
Para Fusco, o atraso na aplicação da norma não pode significar um atraso na compreensão da saúde mental como responsabilidade organizacional. “Muitas empresas já fazem ações interessantes de conscientização e oferecem benefícios corporativos. Mas continuam avaliando pessoas com base em metas individuais, estimulando competição e mantendo sistemas que geram sobrecarga”.
O especialista destaca trecho do Guia de Gestão de Riscos Psicossociais publicado pelo próprio MTE, que diz: “Os fatores de risco psicossociais estão relacionados diretamente com a organização do trabalho” (p. 5). Para ele, essa afirmação deveria ser o ponto de partida das empresas: “O problema não está no trabalhador doente, mas no ambiente que o adoece.”
Desenvolvendo um plano de ação
De acordo com Rui Brandão, médico cofundador da Zenklub e VP de saúde mental da Conexa, é fundamental que as empresas desenvolvam planos de ação verdadeiramente eficientes para prevenir de forma efetiva os riscos psicossociais, assim se adequando à NR-1.
O primeiro passo, segundo ele, é haver um mapeamento estruturado, com a identificação dos fatores de risco e a priorização daqueles com maior risco de ocorrência,“ cruzando esses dados com informações de atestados médicos, afastamentos e entrevistas internas para também avaliar a severidade dos riscos”. A partir daí, Brandão recomenda que o plano de ação siga quatro pilares:
- Os líderes da área precisam entender o desafio, reconhecendo a existência dos riscos e a importância de sua atuação;
- Os líderes devem estar prontos para atuar, sendo capacitados e munidos com ferramentas necessárias para lidar com os riscos no dia a dia;
- A empresa deve garantir o suporte e os recursos adequados, como protocolos, treinamentos, ferramentas de monitoramento e canais de apoio;
- Os colaboradores precisam ser engajados no plano, entendendo seu papel, sendo escutados e participando ativamente das ações preventivas.
“Sem a integração desses elementos, o risco psicossocial se perpetua ou até se agrava”, salienta.
O fantasma – real – do turnover
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Grupo X, hub de educação empresarial, com empresários de diferentes regiões do Brasil, tão desafiador quanto encontrar os melhores talentos é mantê-los nas organizações. O estudo revela que, para não perder seus profissionais de destaque, 57,1% dos gestores oferecem estímulos ou incentivos para mantê-los engajados e motivados a longo prazo. 32,1%, por sua vez, ainda buscam o melhor caminho para ter êxito na missão. Eles afirmam que gostariam de encontrar e implementar uma estratégia eficaz não só para aumentar a taxa de retenção, como também para potencializar a produtividade.
Os dados do levantamento chegam em um momento no qual empregadores lidam com recordes de rotatividade em seus negócios. No recorte dos últimos 12 meses, 36% dos profissionais brasileiros com carteira assinada mudaram de emprego. Outro recorde está nos pedidos de demissão. Do total de desligamentos, quase 40% foram voluntários.
Quando o assunto é Geração Z, o desafio das companhias tende a ser ainda maior. 47% afirmam estar inclinados a sair do trabalho de forma voluntária em seis meses, segundo estudo conduzido pelo ManpowerGroup, consultoria global de soluções para RH. Essa alta rotatividade é um forte chamado para que as empresas revisitem suas estratégias de retenção, dado que, até 2030, essa geração vai compor 58% da força de trabalho mundial, como destaca a consultoria.
“Quando os profissionais não se sentem vistos e não sabem que habilidades devem aprimorar, o senso de direção se perde e há uma angústia sobre como podem dar o próximo passo. Por outro lado, se há reconhecimento positivo sobre o desempenho do seu trabalho, mas não há evolução de carreira na mesma medida, por meio de promoções ou aumento salarial, o sentimento que tende a surgir é de desvalorização”, comenta Wilma dal Col, diretora de Recursos Humanos no ManpowerGroup.
Outros fatores que podem ampliar os índices de turnover, quando não priorizados pelas empresas, estão relacionados a tópicos que, hoje, são tão importantes para os profissionais quanto o salário e os benefícios oferecidos. Equilíbrio entre vida pessoal e corporativa, iniciativas de saúde mental, flexibilidade e promoção da diversidade, da equidade e da inclusão se destacam.
Top of Mind de RH

Falta muito pouco para conhecermos todos os 161 profissionais e marcas que integrarão o Top5 do Top of Mind de RH 2025. O anúncio será feito na segunda-feira (28), às 10h, em live que será transmitida no LinkedIn e no YouTube da maior premiação de Recursos Humanos do Brasil.
Para anunciar os indicados, Délvio Moraes, produtor de eventos do Grupo TopRH, terá ao seu lado o host do prêmio neste ano: o ator, diretor e roteirista Marcelo Laham.
Marque na agenda e prestigie o momento mais esperado pelos RHs de todo o Brasil.
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Por Bruno Piai