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O crescimento do home office no período pandêmico fez com que muitos profissionais traçassem novos planos para 2021. De acordo com um estudo da Fiverr, plataforma que conecta empresas a freelancers, 70% dos profissionais que trabalham no modelo tradicional estão propensos a assumir trabalho freelancer neste ano (entre respondentes que optaram por concordo totalmente ou concordo parcialmente ao questionamento).

Para 74% dos 1.051 profissionais entrevistados, trabalhar de casa em 2020 os fez perceber que atuar como freelancer poderia ser uma opção de carreira. Além disso, 84% afirmaram que estão um pouco ou muito mais abertos para assumir trabalhos autônomos ou paralelos desde o início da pandemia.

Dos profissionais que afirmaram estarem mais abertos a atuar de forma independente, 57% mencionaram que a flexibilidade proporcionada pelo home office contribuiu para que eles quisessem atuar como freelancers. Já 43% disseram que estão mais abertos porque querem tentar algo novo, enquanto 39% disseram que estão mais propensos porque têm mais tempo disponível. A probabilidade de mudar de carreira no próximo ano foi a razão apontada por 31% destes profissionais.

Entretanto, para alguns, trabalhar como freelancer em 2021 não será apenas uma escolha, mas uma necessidade. A preocupação com a segurança no emprego foi apontada por 30% dos que estão abertos ao trabalho freelancer para procurar alternativas como autônomo, enquanto 26% disseram que estão mais abertos porque tiveram redução de salário e desejam ter outra fonte de renda; 3% estão mais propensos porque ficaram desempregados.

“A pandemia fez com que as pessoas procurassem formas alternativas de exercerem suas atividades. Para aqueles que estavam acostumados a trabalhar em um formato mais tradicional, a adesão forçada ao home office acabou funcionando como uma experiência que mostrou que é possível unir flexibilidade e produtividade. É muito natural que os profissionais queiram manter os aspectos mais positivos desta vivência daqui para frente, o que acaba contribuindo para que muitos se direcionem para o mercado freelancer”, explica Peggy De Lange, VP de Expansão Internacional da Fiverr.

Mais satisfação no trabalho e horários flexíveis

Quase metade (47%) dos profissionais entrevistados ​​concordam que a probabilidade de procurar um novo emprego aumentou no decorrer de 2020. Entre as mudanças que desejam fazer em suas carreiras, 42% disseram que procuram mais satisfação no trabalho. Já 41% desejam mais flexibilidade de horários e 35% querem ter mais experiência em novas indústrias. Iniciar o próprio negócio é o plano para 25%.

A busca por flexibilidade é maior entre profissionais não-freelancers. Neste grupo, 41% afirmaram que, em 2021, querem empregos que tenham horários mais flexíveis. Entre os autônomos, esse índice é de 39%. Entretanto, e talvez pela natureza do trabalho freelancer, há mais profissionais independentes (37%) propensos a buscarem experiências em novos setores do que não autônomos (35%).

“No geral, muitos dos aspectos indicados pelos profissionais que ​​desejam mudar de emprego em 2021 estão de acordo com as oportunidades encontradas no segmento freelancer”, comenta De Lange.

Dos freelancers entrevistados, 76% concordaram que trabalhar de casa permitiu que eles assumissem mais trabalhos em paralelo. Além disso, 68% ​​afirmaram que trabalhar em casa os tornou mais produtivos, o que também lhes permitiu assumir outros trabalhos.

Os desafios do trabalho remoto

Em 2020, os profissionais ​​trabalharam de maneira remota por, em média, cinco meses e meio. Entre os maiores desafios, estabelecer limites claros entre vida profissional e doméstica foi apontado por 42% dos entrevistados. Já 40% indicaram ter muitas distrações em casa e 26% tiveram dificuldades em manter uma programação regular. Esses pontos ficaram acima de questões como conectividade com a Internet (19%) e falta de espaço dedicado ao trabalho(18%), o que sugere que os desafios estão mais centrados no ajuste a novos ambientes sociais e mudanças de mentalidade em vez de logística física.

Entre os não-freelancers, 13% afirmam que o maior desafio ao trabalhar de casa foi a colaboração com outros profissionais. Já entre os freelancers, esse índice foi menor (8%). Outro aspecto mais comum entre não-freelancers foi a dificuldade de se manterem motivados sem a equipe ao seu redor (18%). Entre freelancers, esse número chegou a 17%.

“Como os profissionais autônomos são mais propensos a terem trabalhado de casa por mais tempo, esses dados sugerem que eles têm mais experiência em navegar por novos desafios, como motivação e colaboração”, afirma De Lange.

O que é necessário para trabalhar de casa com sucesso?

Para melhorar a experiência do home office, 68% dos entrevistados investiram no ambiente doméstico. Em 2020, os profissionais gastaram, em média, R$ 1.050 para aperfeiçoar seus espaços de trabalho em casa.

Apesar dos desafios centrados em novos ambientes sociais e mudanças de mentalidade, mais da metade (53%) dos entrevistados disse que o acesso a uma boa internet é um dos aspectos mais importantes para trabalhar de casa. Quase metade (49%) mencionou que precisa de paz, tranquilidade e limitação de distrações e 44% afirmaram que é necessário estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal.

Ter um espaço dedicado às atividades profissionais foi apontado por 39%. Já 37% indicaram a necessidade de um trabalho estruturado e intervalos. A empatia do empregador com o seu trabalho e necessidades pessoais foi um ponto mencionado por 23%. Reuniões regulares de atualização foram citadas por 19%.

Na comparação entre freelancers e não-freelancers, mais profissionais que trabalham no modelo tradicional apontaram a empatia do empregador com seu trabalho e necessidades pessoais como aspecto importante para conseguir atuar de casa (23% x 16%). O mesmo com reuniões regulares de atualização. O item foi mencionado como um dos mais importantes por 20% dos não-freelancers, enquanto que, entre freelancers, apenas 11% fizeram esta indicação.

O impacto do home office de longo prazo na saúde física

Embora a satisfação com o home office tenha aumentado, o bem-estar físico foi impactado com a longevidade do trabalho remoto. De acordo com a pesquisa, 92% dos entrevistados se sentiram afetados fisicamente de alguma forma por trabalhar em casa por tanto tempo.

Dos respondentes, 43% disseram que se tornaram mais sedentários e menos ativos desde que começaram o home office. Mais tempo em frente a tela do computador resultou em fadiga ocular e dores de cabeça para 41%. Já 40% tiveram problemas de postura e 38% tiveram um aumento indesejado de peso. Apenas 23% dos entrevistados disseram que seu bem-estar físico melhorou, pois passaram a ter mais tempo para cuidar da saúde.

A pesquisa revela que o bem-estar físico foi se deteriorando ao longo de 2020. De janeiro a março, 76% dos profissionais avaliavam seu bem-estar físico como bom ou muito bom. Entre abril e junho, esse número caiu para 52%. De julho a setembro, despencou para 46%. De outubro a novembro, esse índice voltou para 52%, mas ainda assim, há ainda uma grande diferença na comparação com o primeiro trimestre.


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