A ideia de que só treinos longos uma vez no dia garantem saúde está ficando superada. Em um mundo no qual as pessoas passam cada vez mais tempo sentadas e deitadas, especialmente, após o avanço do home office, a ciência tem mostrado que pequenos ataques de movimento (pausas ativas ou snacks de exercícios) praticados ao longo do dia podem ser tão poderosos quanto uma sessão única de exercício. As chamadas “microdoses” de atividade física ou pausas ativas vêm ganhando espaço exatamente por oferecerem algo que parecia impossível, ou seja, melhorar saúde e bem-estar sem exigir tempo disponível. E, agora, novas pesquisas trazem evidências robustas de que essas pausas ativas fracionadas no decorrer do dia são capazes de transformar a rotina e proteger o corpo dos riscos do sedentarismo. 

Uma ampla revisão científica divulgada pela Journal of Sport and Health Science, que analisou 27 revisões sistemáticas e 135 estudos, mostrou que sessões de menos de dez minutos, realizadas várias vezes ao dia, são capazes de melhorar a capacidade cardiorrespiratória, a saúde metabólica, a pressão arterial e até indicadores cognitivos e psicológicos. Os achados reforçam que a quebra do comportamento sedentário é tão importante quanto a prática do exercício estruturado. 

Daniel Sandy, que é Mestre em Ciência da Motricidade Humana e fundador da Pausa Ativa Ocupacional, ressalta que os benefícios das pausas ativas são especialmente relevantes para quem tem uma rotina corporativa sedentária (passa a maior parte do tempo trabalhando sentada, em atendimento ou em frente a computadores). 

“Estudos apontam que a prática regular de pausas ativas moderadas a vigorosas ao longo do dia possui efeitos protetores na prevenção de doenças crônicas associadas ao sedentarismo. Mais especificamente, em pessoas sedentárias, com alto comportamento sedentário diário (>6h por dia)”, diz o CEO da marca.

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Exercícios não estão somente em treinos de longa duração

Sandy comenta que para muitos trabalhadores, o maior obstáculo é a dificuldade de interromper o que estão fazendo para se movimentar. 

“A ciência já aponta um fenômeno denominado Automaticidade do Sentar, no qual o ato de sentar é, para o cérebro, uma ação positiva, por isso tão difícil ‘quebrar’ a postura sentada para se movimentar intencionalmente. Por isso, estudos apontam que gatilhos/prompts de hora em hora nos computadores, informativos por toda a empresa e promoção de apoio presencial especializado apontam resultados expressivos, com adesão superior a 80% quando aplicadas todas as estratégias combinadas”, explica Daniel.

Para quem acredita que apenas treinos longos e exercícios em um único momento do dia é o suficiente para ter saúde no trabalho, o especialista deixa uma mensagem clara.

“Nossa espécie não foi feita para passar longos períodos sedentários. Nossa saúde e longevidade saudável está associada a sermos ativos, a estarmos o maior tempo possível do dia em movimento. Por isso, a Organização Mundial da Saúde criou a mensagem ‘Every Move Counts’”, completa.