Um levantamento inédito da Predictus, empresa especializada em dados judiciais, revela que infraestrutura, setor financeiro e logística concentram as empresas mais acionadas na Justiça do Trabalho em 2025, reforçando o desafio permanente dessas áreas na gestão de grandes contingentes de pessoas e relações trabalhistas complexas.

O estudo analisou mais de 25,6 milhões de processos trabalhistas registrados entre 2015 e 2025, oferecendo um retrato detalhado de uma década marcada por mudanças profundas no contencioso trabalhista brasileiro. Mesmo após os impactos da Reforma Trabalhista de 2017 e da pandemia, os dados mostram que a judicialização voltou a crescer e permanece em níveis elevados.

Setores com maior volume de ações

De acordo com a Predictus, as empresas mais acionadas em 2025 pertencem majoritariamente aos setores de infraestrutura, serviços financeiros e logística, incluindo companhias estatais, instituições financeiras federais e privadas, além de grandes operadores de distribuição.

Esses segmentos compartilham características estruturais que ajudam a explicar a recorrência dos litígios: grande número de empregados, alta capilaridade territorial, operações contínuas e elevada rotatividade de mão de obra. Em muitos casos, cada empresa entre as 100 mais acionadas enfrentou, em média, mais de 4,3 mil novos processos trabalhistas ao longo do ano, o equivalente a cerca de 12 ações por dia útil.

Outro dado relevante do estudo é a concentração das ações trabalhistas em um grupo reduzido de empresas. Em 2025, as 100 organizações mais acionadas responderam por 13,6% de todos os novos processos trabalhistas do país, enquanto os demais 86,4% se espalharam entre cerca de 1,8 milhão de empresas.

Esse cenário revela uma dualidade no mercado: de um lado, grandes corporações lidando com um contencioso massivo e recorrente; de outro, pequenas e médias empresas que, em geral, enfrentam apenas um ou dois processos ao ano.

Quais são os principais motivos das ações na Justiça do Trabalho

As causas mais frequentes das ações trabalhistas em 2025 continuam ligadas a questões básicas da relação de trabalho, como:

  • Horas extras;
  • Verbas rescisórias;
  • Adicional de insalubridade;
  • Indenizações por dano moral.

Somadas, essas demandas representam mais de dois terços de toda a litigiosidade trabalhista no país, indicando que falhas na gestão da jornada, desligamentos e condições de trabalho seguem como pontos críticos para as organizações.

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O que o cenário diz ao RH

Para profissionais de RH e lideranças, o estudo da Predictus reforça um alerta importante: o crescimento do volume de ações não está restrito a momentos de crise econômica. Pelo contrário, os dados mostram que, à medida que o desemprego cai e o mercado se torna mais aquecido, os trabalhadores tendem a se sentir mais seguros para buscar seus direitos na Justiça do Trabalho.

Nesse contexto, setores com mais ações são pressionados a investir cada vez mais em compliance trabalhista, prevenção de passivos, diálogo com empregados e revisão de práticas internas, sob o risco de manter um contencioso elevado de forma estrutural.

“O cruzamento de dados permite identificar padrões claros de risco por segmento e por perfil de empresa. Esse tipo de inteligência é fundamental para antecipar passivos trabalhistas e orientar políticas mais eficazes de compliance”, destaca o fundador da Predictus e especialistas em big data jurídico Hendrik Eichler. 

Embora o volume de processos ainda esteja abaixo do pico histórico registrado antes de 2017, a pesquisa indica que o Brasil vive hoje uma nova normalidade na Justiça do Trabalho: menos ações do que no passado, mas ainda em um patamar muito alto em termos absolutos.