Um estudo recente do MIT revela que 11,7% dos empregos em tecnologia já estão sob risco direto de automação, especialmente em funções repetitivas ou de suporte operacional, atividades que, até pouco tempo, eram consideradas estáveis dentro das empresas de TI. Nesse cenário, a qualificação surge como o principal caminho para evitar que a adoção acelerada da IA se transforme em perda de competitividade e de postos de trabalho.
Com a evolução dos modelos generativos e dos sistemas autônomos, o setor vive um momento ambíguo: enquanto a IA amplia os ganhos de produtividade, impulsiona inovação e cria novas carreiras, ela também substitui tarefas tradicionais desempenhadas por profissionais humanos. Para as organizações, o desafio não é frear a tecnologia, mas garantir que sua adoção venha acompanhada de capacitação contínua.
“O mercado tem vivido um movimento dual, em que a IA entrega eficiência imediata, mas também exige uma reinvenção profunda das habilidades humanas”, afirma José Paulo Abi Jaudi, CEO da UPBI, consultoria especializada em dados e inteligência artificial.
Para reduzir esse impacto, especialistas defendem programas formais de treinamento, requalificação e inclusão, capazes de preparar trabalhadores para funções mais analíticas, criativas e estratégicas, áreas menos suscetíveis à automação. “A IA não elimina a necessidade do ser humano; ela reorganiza o que esperamos dele”, conclui José. “Quem conseguir unir capacidade analítica, criatividade e competências socioemocionais terá um diferencial impossível de automatizar.”
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RH também deve se atentar às mudanças
A principal conclusão da pesquisa “Top HR Trends and CHRO Priorities for 2026”, do Gartner, é um alerta: os próximos dois anos exigirão das lideranças de RH uma atuação ainda mais estratégica, centrada em tecnologia e adaptabilidade.
Segundo Luis Gonzalez, CEO e Cofundador da Vidalink, a evolução da Inteligência Artificial se posicionará como peça central da estratégia de pessoas. “A automação dá lugar a um modelo no qual a área opera como um ecossistema digital”, complementa.
O Gartner estima que empresas que integrem IA ao fluxo de trabalho do RH possam elevar a produtividade em até 29%. Modelos híbridos que combinam humanos e IA liberam os profissionais de RH para uma atuação mais estratégica no redesenho de rituais, funções e processos de tomada de decisão. Embora não seja uma ameaça para substituir os cargos humanos do RH, profissionais que não se adaptarem a ela podem perder força no mercado.
“A inteligência artificial não substitui o RH. Ela expande sua capacidade de impacto. Já estamos evidenciando um cenário em que a IA assume tarefas de suporte, enquanto o RH redesenha processos, integra capacidades humanas e tecnológicas e atua como orquestrador desse trabalho híbrido. As empresas que avançarem nessa integração ganharão velocidade e precisão na gestão de talentos”, explica Gonzalez.