Com mais de 100 anos de existência, o Dia Internacional da Mulher teve, em 1975, o dia 8 de março mundialmente estabelecido pela ONU como a data de sua comemoração. O dia, porém, mais do que uma celebração, representa uma luta histórica por igualdade, equidade e respeito, além de promover reflexões sobre a participação delas no mercado de trabalho e na sociedade.

Diante da importância da data, o RH Pra Você perguntou para um time de onze mulheres em cargos de liderança, em suas respectivas áreas e segmentos, qual legado elas gostariam de deixar para o mercado de trabalho? Empreendedoras, líderes e gestoras,  elas também compartilharam quem são suas referências e inspirações.

Adriana Mori – Diretora de Legal, Compliance & Data Privacy da Samsung no Brasil

Acho que a área de Compliance tem muito a ver com o meu perfil, de ver as coisas acontecerem, serem cumpridas e seguirem uma organização. Depois que comecei a trabalhar em Compliance, não parei mais de estudar sobre a área e continuo me atualizando constantemente. Naturalmente, sou movida a desafios. Acho que na vida a gente tem que ter muita coragem, assumir a tarefa e resolver, mas sempre lembrando que não fazemos nada sozinhos. 

Desenvolvimento de um jurídico mais leve, participativo e que ao mesmo tempo atenda bem ao negócio em que trabalhamos é um dos objetivos que busco. O nosso time na Samsung é muito unido e não estaria hoje na posição que ocupo sem essa parceria com eles. Sou muito próxima da minha equipe, dou feedbacks constantes, gosto de ouvi-los para saber onde é possível melhorar e acho que esse é o legado que deixo para eles: da parceria, da vontade de transformação, da coragem e de fazer acontecer. 

Adriana Mori

Tenho algumas mulheres que me inspiram, mas, sem dúvidas, uma delas é a minha mãe, que superou um câncer e é meu maior exemplo de que é possível ultrapassar qualquer desafio. Ela tem muita força,garra e o otimismo que via nela e sempre me emocionou. Aprendo muito com ela. Outra mulher que acho espetacular é a Michelle Obama, que é uma super profissional, muito bem articulada, engajada feminina e na causa da educação e uma das mulheres mais admiradas dos EUA e do mundo.


O “compliance feminino” está ganhando força no Brasil. Pesquisas revelam que a presença de mulheres nos quadros de liderança contribui para que a área de compliance conte cada vez mais com a atuação do público feminino. Segundo um estudo internacional da Catalyst, homens e mulheres têm formas diferentes de enxergar os riscos, portando a diversidade contribui para que mais pontos de vista sejam considerados e para que haja maior assertividade na tomada de decisão.


Beatriz Garrido – Engenheira Agrônoma da FBF Engenharia

Se eu tivesse que escolher uma outra profissão, eu escolheria de novo a agronomia, pois amo o que faço. Trabalhar ao ar livre, fora de um escritório, é uma grande realização. Por mais que se fale que é uma área para homens, há muitas mulheres nela e nos saímos tão bem quanto eles. Sou uma líder que gere um time totalmente masculino e, no papel da liderança, deixo claro que sempre temos que ter humildade e educação, em qualquer lugar. É importante passarmos isso para a equipe, ter respeito, pois estamos lidando com pessoas. Você jamais deve se sentir acima de alguém, pois não somos melhores do que ninguém. Quero que essa humildade e esse respeito sejam sempre uma lembrança que eu possa deixar às pessoas.

Dia Internacional da Mulher - Beatriz Garrido

Tenho mais de uma mulher que me inspira e já me inspirou. A Simone Dameto (engenheira e influencer agrônoma) e duas professoras da faculdade, Andréa e Patrícia. Sabe quando você vê mulheres bem resolvidas e que dão conta de tudo? Você sonha em ser como elas, se torna uma meta.


As mulheres já lideram 31% das propriedades rurais brasileiras, segundo levantamento da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag). É um número apenas ligeiramente abaixo da média nacional que diz respeito às mulheres presentes em cargos de gerência no mercado de forma geral: em 2019, o IBGE estipulou que 38% dos cargos gerenciais do Brasil eram encabeçados por mulheres.


Camila Farani – Sócia-fundadora da G2 Capital, investidora e uma das “sharks” do Shark Tank Brasil

Sou uma mulher como qualquer outra e entendo as minhas limitações, mas não tenho medo das minhas fragilidades. Sempre digo que o fracasso não é algo que te define, é apenas um evento. Essa frase eu também aplico na minha vida. Recentemente, compartilhei com o público que precisei buscar ajuda após reconhecer que não estava bem. E é assim que devemos fazer, encarar as dificuldades e procurar formas diferentes para equilibrar a vida pessoal com a vida profissional. A Camila dos meus próprios olhos é a Camila humana, forte e vencedora que luta diariamente para conquistar seus objetivos. A Camila que, com muito orgulho, carrega a responsabilidade de ajudar outras mulheres empreendedoras.

Como empreendedora e investidora, entendo que meu maior legado é ajudar a formar a nova geração de empreendedores do Brasil e as empresas do futuro, que vão ajudar a gerar renda e competitividade para o nosso país, fazendo isso sempre trabalhando o conhecimento técnico aliado às habilidades do futuro, como resiliência, empatia e a prática contínua da agenda ESG. Esses human skills serão ainda mais necessários na gestão dos grandes negócios. É fundamental prepararmos a nova geração de líderes das empresas para isso.

Camila Farani

Ao longo da minha vida, muitas mulheres me inspiraram. Minha mãe é uma delas. Para garantir o sustento da família, ela se viu obrigada a construir um negócio próprio e apostou praticamente tudo que tinha na época. Foi aí que nasceu a Tabaco Café. A partir dela, comecei a entender o quão forte as mulheres são e o quão longe podem e conseguem chegar. Mulheres inspiram e fortalecem outras mulheres, por isso é importante termos cada vez mais referências femininas em posições de destaque. Assim, nossa rede fica mais potente e inspiradora.


De acordo com informações da pesquisa anual Mulheres Empreendedoras, do Instituto Rede Mulher Empreendedora, 72% das mulheres que empreendem são totalmente ou parcialmente independentes em relação às finanças. Ainda assim, quase 50% têm dificuldades para conseguir solicitar créditos. Além disso, o desafio é ainda maior para as mães empreendedoras. 79% acreditam que os cuidados com a casa e a família atrapalham mais as suas oportunidades de empreender do que a dos homens.


Carolina Ignarra – CEO do Grupo Talento Incluir

Há mais de duas décadas, atuo no desenvolvimento da cultura de inclusão nas empresas e na sociedade. O desafio é combater vieses inconscientes, para que a humanidade entenda os benefícios da inclusão na inovação e no respeito ao próximo. Na Talento Incluir, nos desafiamos a colaborar com a inclusão produtiva, que, além de empregar pessoas com deficiência, proporciona desenvolvimento de carreira. Onde passa uma mulher cadeirante passa qualquer pessoa! Isso traduz o quanto ainda precisamos aprender sobre acessibilidade.

Trabalho para que a inclusão aconteça naturalmente no futuro. Diversidade é um fato e inclusão é sempre uma escolha. Em minha trajetória tenho a companhia de mulheres importantes, como minha mãe e irmãs, as amigas Juliana Ramalho (minha sócia) e Camila Athayde. Também Andressa Pinheiro e Elaine Patta, com quem aprendi a empreender. Tabata Contri, Katya Hemelrijk e Elaine Ranieri me ensinam a ser admirada independente da deficiência. Mulheres de diversos marcadores também me inspiram, como Luiza Helena Trajano, Ana Fontes e Maitê Schneider.


O mercado de trabalho ainda tem um longo caminho a percorrer para promover diversidade, inclusão e equidade às mulheres com deficiência. De acordo com dados da Pesquisa Mundial de Saúde (PMS), realizada em 51 países, somente 19,6% do público feminino PCD está empregado. No Brasil, até julho de 2021, 372 mil pessoas com deficiência – de todos os gêneros – estavam empregadas, uma estatística precária considerando que o País tem população de mais de 17 milhões de PCDs.


Denise Saboya, Sócia-Diretora de ESG da Mazars

Legado é uma combinação de consciência com atitude transformadora, mesmo com poucos recursos. Como consultora nas questões de sustentabilidade/ESG nos últimos 20 anos, ganhei uma consciência mais ampla sobre a humanidade e seus impactos e busco sempre fazer o meu melhor no consumo consciente de recursos naturais, bem como no impacto positivo de minhas ações quanto às pessoas com as quais me relaciono. 

Mas ainda é pouco. Como acredito nas pessoas e em seu potencial de desenvolvimento ao equilibrar as necessidades do corpo, da mente e da alma, quero atuar mais fortemente na educação para as novas gerações. Sonho em deixar um legado de pessoas mais conscientes na preservação do Meio Ambiente e no Bem Social, mas sempre com saúde financeira e uma melhor distribuição de renda. Acredito que a educação é a chave para um futuro melhor.

Dia internacional da Mulher - Denise Saboya

Durante minha trajetória, fui apresentada a várias líderes femininas (“role models”) e a primeira, sem dúvida, é a minha mãe, Maria Lina, líder nata em seu núcleo familiar antes e depois do casamento. Minha mãe sempre com pulso firme, mas com muita generosidade e bondade me ensinou as primeiras lições e continua ensinando a cada dia. Depois, no Colégio Pueri Domus, admirava a fundadora e proprietária Elizabeth Zocchio, nossa Tia Beth, também muito firme, justa, doce e atenciosa. Parecia uma tendência que eu gostaria de seguir e que criaram a base da minha formação profissional.

Já em minha jornada profissional, a presença de mulheres em cargos de liderança e a oportunidade de interagir com elas foi vital em meu desenvolvimento. Entre algumas pessoas brilhantes, gostaria de citar uma ex-sócia da PwC Brasil, Olga Colpo, inteligente, com valores rígidos, muito íntegra. Sua postura como sócia e como conselheira me inspirava ao longo de minha carreira em auditoria e consultoria. Também não posso deixar de citar Cris Bonini, Chief Operating Officer for Global People and Global Learning da KPMG, uma brasileira com uma carreira impecável que a levou a uma posição global da firma. Nossa convivência na KPMG Brasil sempre foi de muita troca e crescimento.


A julgar pelas informações do score S-Ray ESG, da Arabesque, o desempenho do ESG empresarial melhora significativamente quando as mulheres estão envolvidas. Em empresas com mulheres na liderança, 52% têm notas de ESG altas (na faixa de 97,23 pontos no score). Quando a liderança feminina integra o conselho, 72% das organizações conquistam notas elevadas, enquanto somente 24% têm o mesmo desempenho ao contar com um conselho inteiramente masculino.


Lorena Valocci, CEO do Instituto Valocci de Mentoring e primeira mentora trans do Brasil

A própria luta das mulheres é uma inspiração profissional. O desejo de ser reconhecida, de ocupar espaços de destaque no mercado de trabalho, de sair do estereótipo que não somos capazes de fazer. A mulher lutou e ainda luta contra isso. Para citar alguns nomes que me inspiram, digo a Nany People, pois numa sociedade como a brasileira, é maravilhoso ver o destaque que ela tem, modo como ela se estabeleceu, o respeito que ela conquistou. Na área de mentoria, a Marcela Brito, que é minha madrinha da profissão, é uma pessoa muito humana, de profissionalismo impecável.

Para citar ainda mais, trago tias, professoras, primas que são professoras e a maneira que elas lutam pela educação. É inspirador de ser ver. Tenho uma tia, Tatiana, que é uma pessoa que não dispensa trabalho. Onde precisar dar aula, ela estará. Ela se dispõe a estar onde precisa estar, ama o que faz e tem carinho pelos alunos. Minha irmã, advogada, também inspira pelo amor à profissão. E, principalmente, a minha mãe, empreendedora que trabalha com artesanato e em cada peça, cada detalhe, muda a vida das pessoas. As mulheres que citei são guerreiras que me inspiram.

Lorena Valocci - Dia da Mulher

Me tornei uma mentora porque descobri que minha experiência de vida, tudo o que passei poderia ajudar outras pessoas de maneira positiva. Falo de vivência, do que senti na pele, do que já fiz, e isso aproxima as pessoas. Trabalho para que elas se lembrem da importância da vida, quero que elas se recordem do quanto é bonito se ver bem, feliz e acreditar em si mesmo. O legado que quero deixar é para que as pessoas vivam a vida da melhor maneira que puderem, se amem muito e se respeitem. Legado é deixar a pessoa usar de você como espelho para mudar a vida dela. Como mentora, quero levar a minha história de maneira construtiva às pessoas, para de fato ajudá-las. Minha vida tem mais significado quando posso ajudar alguém.


Ao falar sobre a participação do público trans no mercado de trabalho, é inevitável trazer os números que demonstram o quanto ainda existe uma forte segregação que precisa, urgentemente, ser combatida. Segundo a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), 90% das mulheres trans e travestis têm na prostituição a sua fonte de renda. A deputada estadual Renata Souza (PSOL) apresentou um projeto de lei que oferece incentivos fiscais às empresas que reservarem 5% de suas vagas a profissionais trans e travestis.


Mariana Achutti – CEO e fundadora da Sputnik

Minha experiência profissional e, por consequência, a forma que atuo como líder foram atravessadas recentemente pela maternidade. Tive, desde o nascimento do meu primeiro filho, a certeza que não será possível falarmos de um mercado de trabalho equalitário se não olharmos para mulheres que maternam. Tenho levantado essa bandeira e pensado em estratégias para garantir que tenhamos o que é nosso de direito dentro do universo corporativo. E isso passa, é claro, pela educação.

O que gostaria de deixar como legado é a certeza de que a educação é transformadora. É nela que precisamos apostar se quisermos construir o mundo melhor que almejamos. Recentemente, tenho acompanhado o trabalho de três mulheres importantíssimas dentro da educação brasileira: a Renata Citron, que é especialista em educação e lidera, hoje, processos de aprendizagem internos e externos do iFood; Camila Pereira, que lidera o trabalho da Fundação Lemann em Educação, apoiando a construção de políticas públicas nacionais e parcerias com redes e escolas de todo o Brasil; e a Viviane Duarte, fundadora do Plano Feminino, uma plataforma de protagonismo da mulher e que criou o Plano de Menina em 2016 com o objetivo de conectar meninas a conteúdos transformadores compartilhados por mulheres.


De acordo com a pesquisa “Women in business 2021: a window of opportunity”, da Grant Thornton, em 2021, a proporção de cargos de liderança sênior ocupados por mulheres representou 31%, acima dos 29% em 2020. Além disso, nove em cada dez empresas em todo o mundo agora têm pelo menos uma mulher em suas equipes de liderança.


Mariana Fonseca – Diretora de Recursos Humanos e Comunicação na Merz Aesthetics Latam

Há mais de cinco anos faço parte da Merz Aesthetics. Estar à frente de equipes regionais, atuando na maior empresa mundial de medicina estética, é algo que me impulsiona a seguir buscando o crescimento profissional e pessoal a cada dia. Como líder e mulher, vejo a importância de construirmos uma rede de confiança entre as equipes com quem interagimos, buscando, assim, despertar o potencial único e original de cada um. Assim como a Merz Aesthetics está comprometida em promover a beleza única de cada pessoa por meio de soluções inovadoras, seguras e eficazes, também espero que meu legado como líder transmita essa busca pela excelência e pela valorização do talento que cada colaborador possui.

Minha mãe, Rosa Maria, me inspira diariamente por sua busca constante por aprimoração, por trazer tendências e inovação para sua equipe e seu trabalho, olhando sempre para as pessoas, que são o pilar de toda empresa e que fazem tudo acontecer. Já Giovana Pacini, Country Manager Brasil Merz Aesthetics, me inspira a querer sempre buscar o meu melhor, não importando os desafios ou os contratempos que possamos ter, pois com determinação conseguimos alcançar o que muitas vezes as pessoas acham inalcançável. Um grande exemplo de mulher que atingiu o cargo mais elevado no Brasil na Merz Aesthetics, sem deixar de cuidar e se preocupar com toda a equipe.


A pesquisa “Panorama Mulher”, realizada pelo Insper, apontou que com uma mulher na liderança aumenta quatro vezes a chance de ter outra em cargo de conselho. Além disso, cresce em 2,5 vezes a inserção de profissionais femininas na liderança operacional das empresas.


Michele Tosta – Diretora de Gente & Gestão da ClickBus

Quero impulsionar e influenciar as pessoas a se sentirem seguras em suas tomadas de decisão, deixando um ensinamento que as ajudem a conectar seus focos com suas fortalezas para que alcancem seus propósitos. Quero ser lembrada como uma líder humanizada, que sabe direcionar e que sempre esteve presente com o time, por eles e com eles. Tento sempre ensinar às pessoas que não é só com esforço ou relacionamentos que se conquista seus objetivos. Tudo na vida é equilíbrio, é importante saber usar suas habilidades e pedir ajuda para potencializar o que precisa evoluir. 

Tenho duas mulheres que marcaram a minha carreira e inspiraram a minha trajetória profissional. Uma delas é Simone Dunker – cofundadora da Espirall -, que me mostrou a importância em entender as habilidades de cada um e seus pontos de desenvolvimento. Outra grande inspiração para mim é a minha mãe, Hundina M. Tosta. Já trabalhamos juntas e levo para a minha carreira as suas atitudes íntegras, seu olhar humanizado com sua equipe, sua humildade e sua resiliência.


Uma pesquisa realizada pela startup Humanizadas com 36.868 pessoas e 226 empresas indica que companhias com maturidade de gestão, que geram maior valor a todos os stakeholders, possuem uma liderança consciente e têm uma cultura capaz de se adaptar e olha para o longo prazo resistem melhor às crises. 


Raquel Zagui – Vice-Presidente de Pessoas do Grupo HEINEKEN

O legado que quero deixar é as pessoas poderem ser quem elas são, principalmente as mulheres. São elas que definem quem querem ser e onde querem estar. Podem optar por não ter um trabalho fora de casa para cuidar dos seus filhos e meu desejo é que nós criemos cada vez mais condições para que isso seja possível, mas também mais liberdade para que elas possam escolher não ter filhos e seguir outros caminhos, se for isso o que preferem fazer. Espero que essas conversas sejam cada vez mais constantes no nosso dia a dia e que, por onde passar, eu consiga deixar a percepção de que ajudei a transformar o ambiente de trabalho em um lugar melhor para que as mulheres consigam crescer e se desenvolver.

Uma das mulheres que me inspira é a Michelle Obama. A trajetória dela foi marcada pela luta por mais diversidade e por ser a primeira mulher negra a ocupar o posto de primeira-dama norte-americana. Ela teve um papel fundamental nos bastidores de suporte durante o mandato de Barack Obama e é notável o quão importante ela foi nesta jornada, no sentido de parceria, suporte e apoio. Outra inspiração que tenho são as mulheres que eu vejo nas nossas operações quando visito as cervejarias:  vejo ali pessoas com condições diferentes das que eu tive quando comecei minha carreira, mas a nossa semelhança de trabalharmos em um ambiente que ainda é visto como predominantemente masculino.

Elas me inspiram a continuar trabalhando arduamente para mudarmos esse cenário, para quebrarmos estereótipos. Nós precisamos de mulheres em todas as posições e fazendo o que elas se sentirem confortáveis para fazer. Reconheço meu lugar de ter tido acesso a diferentes oportunidades das que elas provavelmente têm, mas é por isso que eu quero sempre promover um ambiente ainda mais inspirador e motivador dentro da companhia. A determinação dessas mulheres é digna de toda a minha admiração.


Mais do que 7 entre cada 10 brasileiros acreditam que o mundo seria mais pacífico e bem-sucedido se tivéssemos mais líderes políticas mulheres. É o que aponta uma pesquisa sobre liderança global realizada com entrevistados de 28 nações, incluindo o Brasil.


Shirlei Souza Lima – Gerente de Produtos da DIMEP

Às vezes sinto orgulho, às vezes penso que poderia ter feito mais. Há momentos em que não acho que preciso estar ‘em alerta’, enquanto em outros sinto que preciso estudar mais, realizar mais, buscar mais. Não consigo supervalorizar a minha trajetória, porque de onde eu vim, sempre soube que teria que fazer tudo bem feito para ter o mínimo de reconhecimento. E tal “reconhecimento” não significa destaque, mas, sim, ser alguém qualificadamente considerada para exercer uma função e ter uma remuneração “ok”, semelhante às demais pessoas que tiveram uma realidade um pouco melhor que a minha. Alguns desafios foram superados. Meu momento atual é de criar ações para que outras meninas possam, no futuro, contar suas histórias, assim como eu estou fazendo hoje.

Ao longo da minha trajetória profissional, tive muitas mulheres que me inspiraram (mulheres que eu observava o comportamento e que eu gostaria de ‘ser quando eu crescesse’). Não sei exatamente se teve uma mulher que mais me inspirou, mas cada uma delas me impactou de uma maneira diferente. Minha mãe, dona Maria Madalena, me inspirou pela sua dedicação, força de vontade, disciplina e foco. Ela sempre foi muito rigorosa com estudos, o que me impulsionou e me fez admirar pessoas que buscavam uma realidade de vida diferente.

Shirlei - Dia Internacional da Mulher - DIMEP

Além da referência de dentro de casa, eu tive no meu primeiro trabalho de carteira assinada, no Instituto Análise & Síntese, a gerente Elisabeth Silveira, que era muito rigorosa e séria no trabalho, mas ao mesmo tempo muito divertida e alegre. Ela conseguia separar bem essas coisas e sempre conseguia ter o domínio de todas as situações em sua volta e uma solução para cada problema. Quando eu me observo, percebo que carrego muita coisa dela.

Hoje, busco me guiar por histórias de transformação, como da Adriana Barbosa, da Feira Preta, Rachel Maia, Luiza Helena Trajano, Renata Hilário, Cris Guterres, Natallia Moura, Solange Sobral, Liliane Rocha, várias mulheres que, através do trabalho, inspiram e buscam transformar e melhorar a realidade de muitas mulheres negras.


A luta das mulheres negras em prol de melhores oportunidades profissionais, no Brasil, ainda terá novos capítulos. Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Indique Uma Preta e pela Empresa Box1824, apenas 8% das profissionais negras que trabalham formalmente estão em cargos de gerência, diretoria ou são sócias proprietárias de negócios. Menos da metade da população feminina negra exerce atividade remunerada.


Reforçamos o compromisso de sempre levar até você profissionais, empresas e iniciativas que tornam não só o RH, mas cada área mais inclusiva, justa e a favor da equidade. A luta é de todos nós.

O RH Pra Você deseja a todas as mulheres um feliz Dia Internacional da Mulher

Foto da Raquel Zagui: por Edna Marcelino

Por Bruno Piai e Gabriela Ferigato