Todo início de ano carrega a promessa de mudanças: mais saúde, equilíbrio emocional, melhor desempenho pessoal e profissional. No entanto, a estatística é implacável. Dados da plataforma Strava mostram que cerca de 80% das resoluções de ano-novo são abandonadas por volta do segundo fim de semana de janeiro, e apenas 8% das pessoas conseguem sustentar essas metas até fevereiro.

No ambiente corporativo, esse comportamento recorrente acende alguns alertas para o RH: até que ponto metas individuais, sem acompanhamento estruturado, são suficientes para gerar mudanças reais e sustentáveis? E o quanto o abandono de metas particulares pode, também, impactar o moral de um colaborador?

A desistência precoce não é apenas um fenômeno individual, mas um reflexo de como saúde e bem-estar ainda são tratados nas organizações. Pesquisas globais reforçam esse ponto. Um levantamento da Gallup aponta que colaboradores com baixa percepção de cuidado com o bem-estar têm 41% mais chances de apresentar absenteísmo e 17% menos produtividade. Já estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que transtornos mentais como ansiedade e depressão geram uma perda de US$ 1 trilhão por ano em produtividade no mundo.

Nesse contexto, o começo do ano deixa de ser apenas uma época de promessas frustradas e passa a representar um sinal de alerta para empresas e gestores de saúde corporativa. A desistência das metas expõe os limites de objetivos individuais desconectados de uma estratégia organizacional mais ampla.

“O período de desistência revela um problema maior do que a falta de disciplina individual. Ele mostra o quanto as empresas ainda têm oportunidade de ajudar as pessoas a cuidarem da sua saúde. Quando metas fracassam, o impacto aparece em engajamento, produtividade e afastamentos ao longo do ano. Para as organizações, apoiar saúde não é sobre campanhas pontuais, mas sobre criar condições contínuas para que as pessoas consigam sustentar escolhas saudáveis”, afirma Pedro Rodrigues, Chief Revenue Officer da Alice, plano de saúde para empresas.

Metas sem suporte viram tentativas isoladas

Estudos em saúde comportamental indicam que a ausência de apoio e de acompanhamento estruturado está diretamente associada a maiores taxas de desistência de metas de saúde ao longo do tempo. Por outro lado, intervenções que oferecem suporte contínuo, monitoramento e feedback apresentam maior adesão e manutenção de comportamentos saudáveis, especialmente quando integradas à rotina de trabalho (International Journal of Environmental Research and Public Health, 2024).

Na prática, a falta de visibilidade sobre a evolução da saúde faz com que pessoas e empresas só percebam problemas quando eles já se agravaram. Burnout, afastamentos médicos e quedas de desempenho costumam ser tratados como eventos pontuais, quando, na verdade, são o resultado de um processo silencioso e acumulativo. Sem acompanhamento, metas se tornam tentativas isoladas e de curto prazo, incapazes de se sustentar ao longo do ano.

É justamente nesse ponto que o RH assume um papel central. Mais do que comunicar campanhas ou incentivar hábitos saudáveis no início do ano, a área passa a ser responsável por estruturar uma cultura de cuidado contínuo, conectando dados, escuta ativa e decisões estratégicas. Isso significa sair da lógica reativa, de agir apenas quando o colaborador já está adoecido, para uma atuação preventiva, baseada em indicadores confiáveis.

Na Alice, por exemplo, há o Score Magenta, um indicador que acompanha de forma contínua a saúde física, mental e os hábitos de vida das pessoas ao longo do ano. Desenvolvido por profissionais de saúde e baseado em protocolos científicos reconhecidos, o índice permite ir além da lógica do “começo do ano” e observar tendências, sinais de alerta e evolução real, e não apenas intenções.

“O acompanhamento contínuo muda a relação das pessoas com os próprios objetivos. Em vez de esperar que algo dê errado para agir, conseguimos identificar sinais de desgaste emocional, cansaço ou desorganização da rotina antes que a desistência aconteça”, explica o CRO. “Metas só se sustentam quando existe estrutura para apoiá-las. Saúde não é um projeto de começo de ano, é um processo contínuo, que precisa ser cuidado todos os dias”, conclui o executivo.