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Você Já Ouviu Falar Da Síndrome Do Impostor?

Coluna 1520

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A professora de Psicologia da Universidade em Berkeley, Sonia Bishop realizou uma avaliação com sua equipe em mais de 30 jovens e adultos para entender a falta de ação dos indivíduos. Aplicando testes fisiológicos e comportamentais, ela notou que o nível de ansiedade e o sentimento de incapacidade eram os maiores vilões na hora dessas pessoas agirem.

Por meio de um Game de Bang-Bang em que os participantes deviam atirar em personagens que surgiam nos jogos, ela notou que, quando a lógica do jogo mudava repentinamente, e era preciso tomar decisões com base nas experiências passadas, mais de 80% dos participantes não conseguiam acertar o tiro.

Tal experimento demonstrou que muitos  profissionais possuem dificuldades em agir, principalmente diante das mudanças repentinas, improvisos ou perigos.

Aplicar mudanças comportamentais no ambiente de trabalho é um dos maiores desafios atuais, por isso unir treinamentos e mentoria com a prática do dia a dia no universo organizacional acaba se tornando fundamental.

Entretanto, a equação da mudança de comportamento é bem mais complexa do que imaginamos.

Não basta tão somente ensinar metodologias, aplicar dinâmicas ou recomendações para que as mudanças aconteçam. Se não houver uma tomada de ação tudo não sairá da teoria.

 Mas não para por aí... A ausência de transformação corporativa tem outras explicações. Acompanhe.

Cientistas da Universidade da Califórnia em pesquisa com a Universidade de Oxford e outras faculdades do Reino Unido descobriram que profissionais que sofrem de ansiedade e com a síndrome do impostor, apresentam uma falha no circuito de tomada de decisão do cérebro, que sempre busca em eventos passados uma assimilação para determinar como agir.

Para os especialistas, profissionais ansiosos tem a tendência de visualizar um futuro trágico e se fixar nele deixando de agir. Por outro lado, temos também a síndrome do impostor, um fenômeno que leva os profissionais capacitados a sofrerem de uma inferioridade imaginária, sempre acreditando que não são qualificados, mesmo tendo estudado muito, buscado conhecimento e tendo habilidades.

A síndrome do impostor faz os profissionais se sentirem uma fraude, logo eles nunca alcançam o máximo do seu potencial, pois simplesmente não acreditam serem capazes disso. Seja por medo de se precipitarem ou por receio de não serem julgados, muitos profissionais ficam estacionados no mesmo lugar durante anos, tudo porque estão paralisados por estes sentimentos ilusórios.

A verdade é que o buraco é mais embaixo!

Não adianta limparmos as “ervas daninhas” se não arrancarmos a raiz, caso contrário, ela voltará a brotar. O fato é que se você não identificar os motivos da estagnação de sua carreira, o porquê mudanças não acontecem e detectar qual a razão da ausência de tomada de ação, não vai adiantar aplicar metodologias e esperar resultados satisfatórios, entende? Precisamos entender a raiz do problema!

Faça uma auto-análise, e então veja se você tem dificuldades para mudar, ter atitude ou agir quando um padrão é alterado ou um improviso ocorre. Se você constatar que muitas vezes demonstra um certo índice de ansiedade ou insegurança, chegou a hora de mudar as estratégias.

Minha dica é: “Ao invés de focar em metas e resultados, comece a criar estratégias para enfraquecer os sintomas apresentados, no caso a ansiedade e a síndrome do impostor”.

Geralmente estes dois sintomas são desencadeados pela própria organização onde o profissional está inserido, acredite se quiser. Um dos maiores motivos da ansiedade nos colaboradores se dá pelo modelo nada servidor da liderança, que cobra resultados, mas não compreende a dor/dificuldade da equipe e nem oferece gratificações ou benefícios por suas metas atingidas.

Outro fator que muitas organizações desconhecem é que os profissionais tendem a se sentirem mais seguros quando a empresa oferece benefícios, maquinários e infraestrutura que sejam compatíveis com as metas exigidas. É incabível exigir/cobrar resultados extraordinários oferecendo um ambiente de trabalho hostil e inadequado, benefícios abaixo do mercado ou uma liderança que não é servidora.

O que quero dizer com isso? Precisamos identificar o porquê da ansiedade e então mudar a estratégia. O mesmo para a síndrome do impostor. Será que você se sente incapaz porque tem um líder que sempre o desqualifica?

Sejamos nós a mudança que querermos para o mundo. Se desejamos que algo mude, que comece por nós.

Pense nisso e até semana que vem.

Por Marcelo Simonato, escritor, palestrante e mentor de Carreiras. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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