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Uma reflexão sobre o novo normal

Coluna 484

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O que vem a ser esse “novo normal” de que estão falando, sobre a volta das pessoas às suas atividades? Uma pergunta que merece uma boa reflexão!

O ser humano tem uma capacidade imensa de imaginar coisas e situações e propagar, aos quatro cantos, a sua mais recente constatação de que existe um novo padrão na vida das pessoas, procurando com isso explicar determinados fenômenos que escapam à compreensão da maioria! Mas, ao enfrentar os naturais percalços que envolvem tais situações, ele mesmo acaba desistindo da tarefa de explicar tudo à sua volta e abandona sua empreitada, deixando-a definhar até virar fumaça! Isto acontece muito mais do que imaginamos e envolve muitos de nós!

A verdade é que nunca fomos nutridos com coragem suficiente para mudarmos a dinâmica de uma realidade! É a realidade que sempre muda a nossa dinâmica! Por que isso acontece? Há uma certa complexidade na forma do ser humano entender o mundo ao seu redor! A imensa maioria das pessoas não percebe que existe uma sutil e maravilhosa integração sobre o que entendemos por realidade objetiva, realidade potencial e realidade não local!

Ou seja, há um mundo sútil com o qual interagimos, sem nos darmos conta de sua existência. Por serem imperceptíveis aos nossos sentidos, não consideramos, no nosso dia a dia, a presença destes campos de energia que, no entanto, compõem e ao mesmo tempo interatua com toda a nossa estrutura e natureza humana.

Para não entrar em uma área mais profunda da ciência, seria suficiente, para entender a ideia aqui colocada, de que a dinâmica de como o ser humano percebe o mundo inicia-se através do uso de seus órgãos de sentido. O impacto sensorial do que ele vê, ouve e sente é percebido no seu cérebro que interage com o seu campo psíquico que lhe dá significado aos acontecimentos.

As experiências são, então, armazenadas na memória e ao vivenciá-las de uma forma recorrente, o ser humano lhes atribui novas interpretações criando fatos, estes, por sua vez, ao se combinarem, criam fenômenos chamados insights, que como algoritmos atuando nos sistemas de inteligência artificial, identificam forças latentes advindas dos campos das realidades potenciais, imprimindo na mente do ser humano a existência de outras possibilidades que, se acessadas, poderão se revelar e mudar a realidade objetiva no qual ele vive.

Com o convívio permanente dessas interações entre pensamentos, sensações e sentimentos o ser humano alcança uma expansão de consciência que lhe permite acessar campos ainda mais sutis, também conhecidos como de natureza espiritual, e perceber mais claramente as forças subjacentes que estão por de trás de todos os movimentos que formam a realidade manifestada.

Da mesma forma que a nossa Terra tem campos sutis de força e energia, o ser humano também os tem, caso contrário seria impossível a ele estabelecer e construir uma relação de vida com o planeta.

Podemos dizer, sem a necessidade de se entrar em muitos detalhes, que o ser humano tem campos que interagem entre si, um de natureza física, que possibilita a ação e movimento e com o qual experimenta a realidade presente através dos sentidos. Um de natureza astral onde nascem e vivem os sentimentos com os quais percebe as sensações de suas experiências. Outro de natureza mental no qual são criadas as imagens e pensamentos e onde se tem a percepção do “eu”, uma entidade ciente de sua individualidade, conhecida por “ego”, que comanda os processos de desejos, vontades e escolhas.

Sem a consciência da presença e interação desses campos, o ser humano não consegue perceber o sutil, o essencial. A partir deste ponto, podemos iniciar nossa jornada em explorar esse “novo normal”!

A pandemia do Coronavírus tirou, literalmente, tudo do lugar. Porém, a criatividade do ser humano, sua capacidade de adaptação e a busca pela sobrevivência trouxeram novos hábitos de convivência e uma profunda alteração nas formas como percebíamos o mundo segundo três pontos de vista:

Do ponto de vista individual:

O “novo normal” não é um objeto que tenha forma ou sabor do qual podemos avaliar com os nossos sentidos! Ele é um processo de aprendizagem e desaprendizagem, sendo que o novo hoje se tornará íntimo amanhã e assim será até surgir um outro novo. Ele viverá e se expressará através do nosso campo psíquico e demandará de uma linguagem diferente desta que ainda usamos no nosso dia a dia.

Esta linguagem será como um “quantum” de estímulos, não estruturados, sem aparente lógica, que aparecem e desaparecem em pequenos lapsos de tempo, deixando uma indelével sensação e sentimento não objetivo. Este “novo normal”, não tem padrão, não tem regra e nem obedece a uma causa conhecida e seu efeito é, como o termo diz, NOVO!!!

É um novo que nasce nos campos sutis de cada um, são campos de forças invisíveis, cujo uso de sua potência energética depende do próprio indivíduo e das circunstâncias ao redor de sua vida.

Viver esse novo e saber se relacionar com suas ocorrências será a chave para decifrar esta nova linguagem! Não seria inteligente negar a sua presença, isto apenas atrasaria mais ainda o processo do desenvolvimento interior!

O mais adequado é permitir-se viver esta experiência prestando muita atenção nos pensamentos que afloram desse caminhar, pois, nesta jornada, mesmo sendo singular, o indivíduo não estará sozinho! No início o ego irá protestar e tentará boicotar, dirá que é insano, sem sentido, e que para além da consciência é tudo vazio! Contudo ao não se deixar levar pelo seu eu personalidade, ele se calará! E a partir deste momento a essência do seu Eu maior comandará sua vida! E você estará apto a entender e viver qualquer “novo normal” que aparecer!

Um bom guia para se lidar com as armadilhas do caminho (creia, elas existem) é considerar como bussola a inteligência da Teoria U, de Otto Scharmer, porque, para encontrar a sua essência e o novo que quer emergir, você precisará vencer primeiro as armadilhas de sua mente, depois as do seu coração e finalmente as dos seus medos que subordinam a sua vontade!

E, então, para trazer o novo para a realidade, você deverá usar das forças interiores que você acumulou e dos conhecimentos expandidos durante sua jornada ao encontro do essencial e retornar por um outro caminho, iniciando pela confirmação do novo que quer surgir, seguido de sua prototipação (mini experimentos) e executando a sua implantação.

Do ponto de vista da família:

Aproveitando o impacto provocado na forma como nos relacionávamos, a pandemia mudou muito os nossos hábitos obrigando-nos a permanecer mais tempo dentro de nossas casas, tornando-as um “hub”! Este cenário, que muitos imaginavam temporário, não o será, porque apesar dos percalços e desconfortos de termos que mudar nossos hábitos, muitas experiências que estamos vivendo trazem certas respostas às questões anteriores como dedicar mais tempo à família.

Mesmo considerando, no início, as dificuldades de se organizar as atividades de trabalho com as de casa, estes meses de recolhimento trouxeram para a maioria das pessoas, principalmente às mulheres, um certo controle da situação, com resultados satisfatórios.

Claro que o contato constante entre todos os membros da família pode levar a um certo desgaste nas relações, mas ao mesmo tempo, estas dificuldades podem trazer oportunidades de buscar um entendimento que favoreça a todos e coloque as coisas no seu melhor lugar.

Com mais tempo dentro de casa, as pessoas tenderão a redesenhar o próprio ambiente criando espaços de maior aconchego para abrigar a intimidade da família. Uma maior atenção para espaços abertos inteligentes que permitem maior insolação e melhor ventilação também serão considerados. Pode-se dizer que um isolamento interno que permita locais mais silenciosos é bem-vindo, assim como novas abordagens de paisagismo que defendam o ambiente de insetos indesejáveis!

Outros aspectos já valorizados anteriormente terão a sua importância aumentada ainda mais, trata-se de exercícios físicos, nutrição, suplementos vitamínicos, check-ups preventivos, vacinação em dia, higienização dos produtos comprados, higienização e controle dos empregados da casa e de prestadores de serviços.

Mas o ponto crucial continua sendo a infraestrutura existente nos ambientes onde fazemos o home office! Nem sempre temos os valores financeiros suficientes para investirmos na montagem de um ambiente ideal para a família realizar todas as tarefas do trabalho, escola, controle da saúde, entretenimento e da própria manutenção remota da casa através do conceito IoT (Internet das Coisas)! Aqui podemos vislumbrar um dado pitoresco, os habitantes da casa terão que estar preparados para lidar com a chamada aceleração tecnológica e terem conhecimentos de utilização de equipamentos, softwares e segurança de dados!

Mas, muito mais do que o cuidado com a infraestrutura e os possíveis cyber ataques, o que será valorizado mesmo é a saúde da família, principalmente a mental.

Do ponto de vista das organizações:

Interessa considerar o ótimo uso da tecnologia, que possibilitou a reunião de pessoas para realizar o trabalho à distância, preservando cada um do contato direto com o outro. A tecnologia propiciou também um sem número de “lives”, treinamentos, cursos, revisões estratégicas, reunindo várias pessoas ao redor do mundo a um custo benefício muito interessante!

Podemos considerar, de saída, que tudo o que a tecnologia provou ser possível irá continuar e multiplicar, isto será possível ser visto no uso regular e contínuo do home office, na logística de vendas e distribuição de produtos, na oferta de serviços e principalmente no relacionamento entre as pessoas, que certamente será a pedra de toque de tudo o mais que surgir.

Será fundamental, para aumentar a nossa compreensão do outro, que desenvolvamos nossas faculdades suprassensíveis para que possamos avaliar com maior precisão qual deverá ser a nossa verdadeira posição na execução de uma atividade, na condução de um empreendimento ou no relacionamento com pessoas ou grupo de pessoas.

De uma forma pragmática, podemos dizer que encontraremos no nosso dia a dia três grandes perfis de pessoas:

  • As que percebem os acontecimentos apenas com os seus cinco sentidos. Estas tenderão a responder aos estímulos do ambiente com atitudes de relativa baixa vibração e alta pressão, normalmente gerando algum tipo de “mal-entendido”. Os sentidos muitas vezes se enganam na correta interpretação de uma situação (principalmente audição e visão); então conflitos e perdas podem surgir, causando sentimentos de desconforto, injustiça e vitimização.
  • Aquelas que percebem o mundo com uma qualidade adicional, vivenciando alegria e satisfação na interação com o ambiente, interpretando adequadamente o que são sensações do corpo físico e os sentimentos da alma. Estas buscarão responder aos estímulos ao seu redor com boa vontade, justiça, gratidão, simpatia, confiança e atenção.
  • Outras já perceberão o mundo espiritual subjacente às criações humanas e irão colocar seus esforços na correta direção, para que o novo possa emergir e beneficiar o cliente e a comunidade em questão. Atitudes como empatia, compaixão, verdade, cooperação, criatividade e sabedoria estarão sempre presentes.

Considerando estas três macro possibilidades, a questão a saber é em qual delas os seus líderes se encaixarão ou deverão se posicionar?

Se o seu empreendimento não requer criatividade coletiva ou atitude colaborativa, então o seu líder poderá focar sua atuação no confronto e provocação, gerando uma energia pouco inteligente, mas suficiente para movimentar coisas e objetos.

Se o seu negócio depende de relacionamentos, diferenciação, agilidade e presença proativa, o seu líder tem que aliar alto conhecimento com alta vibração de sua energia de vida, ou seja, compreender o processo de criação de realidade utilizando as faculdades mais elevadas de sua vida suprassensível.

Mas não são apenas os líderes que precisam se autoconhecer e expandir a consciência para entender o mundo sútil, todas as pessoas devem buscar conhecer sua fonte de vitalidade, reconhecer a partir dela a sua força intrínseca e definir objetivos que diminuam sua dependência de fatores externos que possam abalar os projetos de sua vida como foi, por exemplo, esta pandemia, para a qual poucos ou nenhum de nós estavam preparados.

Esta experiência com o Coronavírus e a “loucura” por resultados que a antecedeu acenderam a luz vermelha na maioria das pessoas! Não se trata só de viver, mas de viver bem, com dignidade, alegria e plenitude, potencializando o humano que habita em nós. A saúde será a pedra de toque nas relações da família com o mundo externo! Lavar as mãos e higienizar tudo o que vem para dentro da casa também pode ser entendido como sanear tudo o que vem de fora para dentro das nossas mentes e corações! E, compreender e viver inteligente e livremente a contradição das máscaras! É necessário usá-las para se proteger do vírus, mas não para se esconder do outro ou de si mesmo!

Por Vicente Picarelli, fundador da Picarelli Human Consulting e professor e consultor da Fundação Dom Cabral. É um dos Colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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