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Transformação organizacional rumo ao novo normal

Coluna 855

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Certa vez o grande mestre zen Shunryu Suzuki foi chamado para resumir os ensinamentos de Buda em poucas palavras, então ele disse: “Tudo muda”.

A impermanência constante na vida há muito tempo foi percebida, mas não na velocidade que vivemos nos tempos de hoje. A tecnologia trouxe a exponencialidade, que veio acompanhada da volatilidade. Não se trata mais apenas de mudar. Se o mestre Suzuki vivesse nos dias atuais a frase continuaria sendo curta, porém significativamente, diferente: “Tudo transforma”.

A diferença entre mudança e transformação está no fato que toda mudança permite regresso, já a transformação, não.

TRANSFORMAÇÃO. Esse vem sendo um dos maiores desafios das organizações.

Transformação não mais como fator extemporâneo, mas, sim, recorrente.

Porém se a atmosfera que permeia o ambiente organizacional está cada dia mais dinâmica, as prerrogativas existenciais das empresas ainda não. Essas ainda continuam as mesmas de “antigamente”: cumprir as leis, pagar seus impostos e ser fontes geradoras de renda para as comunidades que estão inseridas.

Diante disso, precisamos refletir conjugando: a necessidade das constantes transformações e todos os mecanismos que permitem dinamizá-lo com efetividade, com o fato que o que sustenta e move as empresas são resultados mensuráveis, competitivos, sustentáveis e crescentes.

E é dessa realidade factual que vem a complexa inflexão: se o que move as empresas são os resultados, o que é capaz de mover os resultados para a constante transformação?

Aí é que está. Não é “o que é”, mas, sim, “quem é”.

As pessoas são a mais essencial e relevante alavanca do processo de transformação das empresas. Elas movem os resultados.

Pessoas que resolvem problemas, tomam decisões e implementam melhorias. Apenas pessoas vão além do programado, quebrando padrões e inovando.

Não é opcional.  As organizações precisam colocar pessoas no centro da sua estratégia.

No Grupo Elfa fizemos um gráfico do modelo mental para tangibilizar e disseminar como pensamos. O elemento pessoas está no centro da nossa equação. Planejamento, processos efetivos e inovação também compõe a matemática para alcançar os desafiadores resultados, mas o ponto crucial aqui é foco central nas pessoas. Qualquer outra frente não tem a mesma conexão com os fatores subjetivos que toda estratégia tem, por muitas vezes não compreendidos, mas existentes.

Depois que passamos da primeira fase, ou seja, depois que compreendemos claramente a relevância do humano para a estratégia organizacional, vamos direto para a segunda fase com a seguinte questão em mente: mas o que move as pessoas?

O autor Simon Sinek fala sobre o poder do propósito. Um propósito engajador conecta objetivos práticos (do que fazer) às emoções positivas relacionadas aos porquês do fazer. Adicionalmente, o evento pandemia, enfatizou a necessidade de conexão com propósitos cada vez mais profundos e relevantes, com amplitude além do business.  

Depois de estudar, liderar e acompanhar vários processos de transformação organizacional, percebi que os mais assertivos modelos passam pelas seguintes etapas:

  1. Ter a missão, valores e grandes objetivos estratégicos definidos e bem comunicados;
  2. Colocar o humano no centro da estratégia organizacional;
  3. Ganhar proximidade como e entre os líderes;
  4. Antes de partir para ações mais táticas, engajar as pessoas nos propósitos, comunicação transparente, orientativa e mão dupla, constantemente;
  5. Treinar as pessoas nas competências comportamentais primeiro;
  6. Investir na congruência da “fala” e da “prática”. Fazendo o que é certo para dentro e para fora;
  7. Só depois dessas primeiras ações em execução, seguir na oxigenação (melhorias e/ou inovações) dos rituais e processos da organização;
  8. Por fim, mas não menos importante, celebrar e reconhecer, coletiva e individualmente as conquistas do curto prazo também. Sentimento de crescer e evoluir juntos (empresa e funcionário).

Com as pessoas engajadas e capacitadas o processo de transformação acontece. Não há necessidade de fortes controles, excêntricos incentivos e/ou heróis.

Se a transformação constate não é opcional e ter resultados competitivos também é questão irrefutável para sobrevivência das organizações, o fator pessoas é a principal estratégia. 

Aline Sueth é palestrante, mentora e diretora de gente e gestão do Grupo Elfa. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião da colunista. Foto: Divulgação.

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