- Início

- Conteúdo

Só se fala de Mindset, Ciência, Dados. Cadê você?

Coluna 137

Compartilhe Este Post

As máquinas inauguram sua existência. Sua mecanicidade promove um ganho produtivo à raça humana de uma forma nunca antes alcançada. Não param, a menos que não tenham razão, por decisão humana, para continuar. O Desejo é que não parem mesmo e, quando tal desejo se inflama, os responsáveis pela manutenção preventiva choram, mas os ganhos aumentam, pelo menos para quem tem a posse das máquinas em seu contexto produtivo.

As conexões se expandem enquanto as máquinas continuam a todo vapor! Bem, vapor não, bits circulam com a energia emergente de diferentes fontes, que, por sua vez, também se expandem em opções, algumas mais adequadas à vida na Terra, outras nem tanto, tendo estas entregue o que já poderiam, criado o dano que se faz presente, que agora ameaça nosso futuro.

Máquinas, equipamentos, ferramentas e instrumentos que aumentam a capacidade humana. Desde uma caneta, que permite a expressão escrita, aos foguetes que encurtam as imensas distâncias, que um dia jamais poderiam ser cobertas. Evoluímos certamente com o que criamos.

Nesta criação mergulhamos. Quase nos tornamos máquinas de verdade. Na verdade, estamos a caminho de virarmos máquinas mesmo, com partes do corpo sendo substituídas por peças mecânicas! Claro, de altíssima qualidade, mas que, ainda assim, não são naturais, o que nos entrega algo ainda menos natural, uma longevidade de dar inveja a Matusalém. Ainda não estamos neste nível, antes nano robôs ocuparão alguns pequenos espaços de nosso corpo gerando enormes graus de informação, cuja função dependerá muito de quem as tiver.

Mas há uma integração entre Homem e máquina que vem de longa data, bem próxima de quando elas foram inauguradas. Ao trazermos os equipamentos extensores de nossas competências ao nosso dia a dia, tornaram-se nossa forma de viver. Mais do que isso, viraram nossa forma de pensar. Passamos a pensar mecanicamente. A razão, a ciência tornando-se cada vez mais forte.

Não se trata da razão emergente da consciência, tema este mais afetuoso aos olhos de quem acredita em níveis mais abstratos de existência. Trata-se da razão linear, do pensamento frio, departamentalizado, previsível, controlável. Certamente uma parte da vida de um ser humano pode realmente ser mentalmente concebido desta forma, contudo, boa parte não! Um pensamento mecanicista transforma tudo em máquina, inclusive as relações. Neste ponto, creio que o caro leitor e a cara leitora podem concordar que uma relação construída mecanicamente tem tudo para virar…máquina. Não queremos isso, embora por décadas tenhamos sido treinados a pensar desta forma. Basta olhar como constituímos nossas regras, principalmente dentro das corporações.

Difícil o detalhamento sem incorrer em deslizes de interpretação, mas a busca aqui é por tocar no ponto que trata da sensibilização, coisa que as máquinas não têm e jamais terão, creio e aqui, sim, é um credo, jamais terão sentimentos por não terem alma. Podem até emular nossas emoções através de algoritmos que imitam nossos hormônios e neurotransmissores, mas jamais terão a competência de sentir.

Sentir é o ponto que diverge o pensamento mecanicista daquele orgânico, daquele pregado por diversas tradições espiritualistas e que diferente da ciência, que trata de verdades transitórias, trazem em seu âmago algo que por milênios nunca mudou e nunca mudará, justamente por tratarem da alma, tema este que não tem a pretenção neste texto de tocar o campo da crença no divino, e, sim, tocar aquilo que cabe somente ao humano no que o faz mais humano, a verdadeira conexão um com o outro, em que há um entendimento que justamente o outro ser humano se faz a razão de nossa felicidade.

A própria ciência hoje já prova, para quem acredita somente na ciência, que o outro ao receber de nós o nosso melhor, faz de nós alguém que vive uma experiência humana, que nos faz feliz. Essa verdade, felizmente, creio que não será transitória, afinal está comprovada por meios técnicos e repetiveis aquilo que já foi dito pelas tradições há milênios. No final das contas todos sabemos o que precisa ser feito para termos uma vida melhor, um planeta melhor, o desafio é nos tocarmos que se trata de uma luta conosco mesmo, em prol de acendermos ao mais elevado possível que podemos ser e este cume que devemos buscar é nos tornarmos verdadeiramente humanos. Bela jornada que temos pela frente e que ela lhe seja profunda para que possa alcançar o mais alto.

Tiago Petreca, diretor fundador e curador chefe da Kuratore - consultoria de educação corporativa, Country Manager da getAbstract Brasil e autor do Livro “Do Mindset ao Mindflow”. É um dos colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

Você também vai gostar