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Seu negócio está pronto para sobreviver à pandemia?

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A propagação da COVID-19 ao redor do planeta trouxe sérios impactos à vida e à economia. A adoção de medidas de precaução como a quarentena, o isolamento social e a paralisação de negócios impôs às empresas - em especial organizações como as PMEs e as startups - a potencialização de um desafio já enfrentado todos os dias: o de sobreviver.

Para Hector Gusmão, CEO da Fábrica de Startups, empresa que promove empreendedorismo e inovação, tanto as startups quanto as pequenas e médias empresas estão submetidas a um período “dramático”. 

“As receitas caem drasticamente e as despesas continuam correndo. O tempo médio de caixa das PMEs para que se sustentem é proporcional a 30 dias de operação. No caso das startups, as que estão capitalizadas correm o risco de não terem oferta para uma nova captação. Já as que não estão capitalizadas, além de não haver oferta de capital de risco nos próximos trimestres, não possuem caixa para continuar a operação por muito tempo”, explica o empresário.

À BBC, Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, ou clube dos países ricos), informou que graves crises financeiras, como as de 2001 e 2008, não foram tão impactantes quanto à pandemia do novo coronavírus

Em meio ao panorama atual, Gusmão recomenda que as empresas se atentem a ações que possam auxiliar a minimizar os efeitos do vírus no negócio:

1 - “Sentar” no caixa

Para o especialista, o momento é de traçar estratégias e ser transparente. “Salve o dinheiro que estiver em caixa. Coloque os recebíveis para dentro o quanto antes e, principalmente, negocie a postergação dos pagamentos dos maiores fornecedores. Não tenha vergonha, pois é hora de ter transparência”.

2 - Acompanhe de perto as medidas do governo

“Esteja atento a todas as iniciativas do governo e se engaje em movimentos que o pressione, com o objetivo de criar crédito subsidiado, postergação de tributos e fornecimentos públicos (a exemplo de água e energia), entre outras ações que permitam o respiro nos próximos meses.”

3 - É momento de ser criativo

Se é na crise que surgem as oportunidades, a pandemia é um momento para os empreendedores se sobressaírem em sua capacidade criativa, em prol da criação de estratégias e mecanismos que fortaleçam o seu negócio mesmo diante de um cenário que não passa confiança. 

“Como você pode se adaptar para continuar vendendo? Será que, por exemplo, uma plataforma de hospedagem em residências poderia ofertar mais para grupos de risco que precisam de isolamento? Como atender as demandas colocadas pelo COVID-19? Como levar o negócio de uma PME offline, em parte, para o online? A resiliência, maturidade e capacidade criativa dos fundadores serão colocadas a prova agora e a pressão pela sobrevivência os força a se reinventar”, pontua Gusmão.

Tenha calma ao tomar decisões

Com as projeções apontando para um crescimento próximo de zero nas principais economias do mundo, as incertezas quanto ao mercado são muitas. O banco espanhol Santander cortou de 2% para 1% sua expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, enquanto os bancos UBS e Credit Suisse foram mais radicais e diminuíram suas projeções para 0,5% e 0% respectivamente. 

Em análise ao momento econômico, o educador financeiro Ueslei Lima reforça a importância de se agir com racionalidade e não deixar com que a emoção leve a uma tomada errada de decisões. “Nesse momento de dificuldades, muitas pessoas e empresas acabam se precipitando e tomando decisões que podem ser prejudiciais para elas no futuro. Portanto, respire, analise sua situação e se programe para tomar a melhor atitude possível. Essas ações podem te ajudar a se sobressair em momentos delicados”.

O especialista em finanças orienta também que se haja foco nas estratégias de investimento traçadas e que se tente adivinhar qual será o “fundo do poço”. “Quando falamos em dinheiro, investimentos, analisar uma situação nunca deve ser feita por meio do achismo ou adivinhação. Por isso, mantenha-se informado sobre as novidades do mundo financeiro para conseguir analisar a situação da melhor maneira possível”.

Além disso, para quem se mantém ativo na bolsa de valores, a recomendação é para que a compra de ações seja visando o longo prazo. “Devemos levar em consideração que os preços das principais ações caíram, mas isso não significa que não possam cair mais. Sei que ver ações com 50%, 60% de desconto é muito atrativo, e, pensando nisto, que devemos sim pensar em investir em ações, mas isso deve ser feito seguindo os passos”, comenta Lima, que sugere três passos a serem tomados no investimento:

  1. Comprar ações de empresas que você gostaria de ser dono daqui a 10 anos;
  2. Comprar aos poucos e de forma programada, na persistência da queda, precisamos ter dinheiro para comprar mais;
  3. Não se assustar com oscilações negativa:, quando se compra ações, há a possibilidade de ter um ativo financeiro, ser um sócio da empresa. E no atual momento há uma grande chance de comprar ações baratas, o que não se sabe quando vai se repetir.

“Precisamos cuidar da saúde e do nosso dinheiro. Para combatermos a Covid-19 é muito importante tomarmos os devidos cuidados que as autoridades públicas estão recomendando. Também precisamos ficar de olho nas nossas finanças, ter atenção e agir com cautela”, afirma o educador financeiro.

Não deixe o psicológico em segundo plano

Segundo Gusmão, “o psicológico é o grande desafio e é imprescindível que o empreendedor equilibre notícias realistas do caos da situação, com a celebração das conquistas mundo afora para combatermos o vírus e, em paralelo, com a criação de rotinas de exercícios e familiares”. Na Fábrica de Startups, por exemplo, foi contratado um personal trainer para dar aulas online, o que estimula a saúde física, mental e ajuda a superar o confinamento.

O CEO acrescenta, ainda, duas reflexões importantes a se promover:

  • Ninguém vai sobreviver a isso sozinho. Os empreendedores precisam buscar grupos, tais como, o seu time, mentores, conselheiros e até mesmo os seus concorrentes, para trocarem experiências, benchmark, ideias e, claro, também ações em conjunto;
  • Sejam as startups ou qualquer PME, todas nasceram e sobreviveram a condições de extrema incerteza. Seja por criar algo novo, às vezes, em um mercado inexistente ou então num Brasil que vinha de anos de recessão. Se voltar às características criativas e de resiliência, auto afirmando a sua capacidade de resistir à essa crise, é importante. Motivação se cria na relembrança de conquistas, na celebração de novas pequenas vitórias e na esperança de dias melhores.

A psicóloga Sonia Prado, coordenadora do curso de Psicologia da Estácio Interlagos, reforça a importância de manter a calma e não deixar o pânico agir, especialmente por conta do excesso de informações e da incerteza do que é verdadeiro e do que é falso. “Temos que ocupar o tempo com atividades diárias familiares, em casa, aproveitando este momento para interação e integração familiar. Não poderemos dar espaço para que o pânico tome conta das pessoas, o que desencadearia realidades alternativas que dificultam a racionalidade”, salienta.

O pânico social, segundo Sonia, é causado por ansiedade, desconforto e medo desta pandemia, somado ao isolamento social, pode gerar conflitos familiares, que nada mais é que o medo de pessoas. "A convivência intensa ao mesmo tempo que aproxima as pessoas podem gerar desconfortos nos relacionamentos. Portanto, reforço a importância do uso da criatividade na elaboração de atividades que envolvam o relacionamento da família, evitando o desencadeamento de transtornos importantes”.

É possível inovar em uma crise tão impactante?

Direto ao ponto, Hector afirma que sim, é possível. Para o empreendedor, momentos de crise contribuem para o desenvolvimento de novas soluções de negócio. 

“Imagine o quanto as healthtechs vão crescer, especialmente depois da liberação da telemedicina, que há anos não era discutida. Todos os negócios, de pequeno a grande porte, deverão repensar os seus espaços físicos, seja para trabalho, seja como fim do seu negócio. No aspecto das PMEs, haverá a oportunidade de soluções para o bem estar das pessoas, os consumidores passarão a se acostumar cada vez mais com a ideia do delivery e muitas novas prioridades vão surgir, após as diversas reflexões e repriorização das pessoas, meio a essa pandemia. Acho que podemos voltar, não ao normal, mas a um novo momento do capitalismo.”

De acordo com Xavier Leclerc, curador das conferências .Futuro e board member da French Tech, a chegada do vírus ilustra o conceito do mundo VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) no qual vivemos. “A propagação da COVID-19 ao redor do planeta trouxe sérios impactos à vida e à economia. As tecnologias fornecem soluções úteis para se adaptar: aulas remotas para crianças e ferramentas de reuniões não presenciais, impressoras 3D para criar máscaras, Inteligência Artificial para ajudar no auto-diagnóstico etc. É muito provável que novos hábitos vão ser criados e mudarão a forma que as pessoas trabalham”, diz.

Acompanhando de perto o mercado europeu - lembrando que, até então, Itália e Espanha são os países que mais registraram mortes causadas pelo coronavírus no mundo -, Leclerc explica que a maioria das empresas do continente ainda estão em processo de adaptação. “Teremos ensinamentos importantes a compartilhar no mundo todo sobre gestão de crise e inovação, sim. Mas não necessariamente unilateralmente. Por exemplo, uma lição que as empresas brasileiras poderiam dar às empresas europeias é o cuidado das empresas daqui com as populações mais vulneráveis”, finaliza.

Até o momento, o Brasil computou 2.611 casos confirmados de COVID-19, registrando 63 mortes, sendo 48 delas no Estado de São Paulo. Globalmente, os casos já ultrapassaram a faixa dos 500 mil. O RH Pra Você reforça a importância de todos seguirem à risca as orientações de especialistas e órgãos de saúde.

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