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'sem Maquiagem’, Rh Deve Investir Em Uma Mudança Real

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Falar sobre a mudança de mindset do RH se tornou um assunto obrigatório. Seja em debates, palestras, conteúdos escritos ou qualquer mesa de discussão, a área de Recursos Humanos mais estratégica, tomadora de decisões e integrada à cultura organizacional é pauta para o desenvolvimento de negócios mais competitivos, assertivos e com profissionais mais motivados, engajados e produtivos.

De acordo com a pesquisa Panorama de RH no Brasil 2018, conduzida pela Qulture Rocks com mais de 1.800 profissionais de empresas de atuação variada, 61% dos RHs já são ativos em participação na tomada estratégica de decisões de suas respectivas companhias. Além disso, 64% alegam que a área reporta diretamente à presidência do negócio.

Ainda assim, por mais que o estudo traga números positivos e que se evidencie a importância do RH assumir uma nova cara, na prática, a transformação do setor ainda apresenta obstáculos e dificuldades a serem superados pelas organizações. Segundo Sueli Faria, gerente de cultura organizacional da Pixeon, em momento no qual a transformação digital passou a impactar processos e modelos de trabalho, o que consequentemente trouxe mudanças para quase todas as áreas, o RH ficou para trás nesse processo de modernização. E para alcançar aquilo que dele se espera, precisa “correr atrás do prejuízo”.

“Ao invés de realmente mudar, muitos RHs estão maquiados. Eles aparentam ser inovadores, estratégicos, mas quando se vai a fundo, nota-se que seus processos ainda são antigos. É uma área que precisa se transformar rapidamente, caso contrário é impossível construir uma sintonia com a liderança e ser facilitadora para a construção de estratégias”, pontua.

Adriana Ribeiro, COO do Bullet Group, alerta para o fato de que um RH desalinhado com as metas e com a cultura organizacional da empresa será incapaz de cuidar das pessoas e desempenhar outras tarefas de forma satisfatória. “Sabe quando nós falamos que para cada empresa há os perfis de pessoas que são ideais para ela? Se o RH não desenvolve uma visão de negócios, ele não será capaz sequer de auxiliar nesse encaixe”.

A especialista acrescenta que, do mesmo modo que o RH deve trabalhar em sintonia com os valores, missões e objetivos da empresa, ele também precisa desenvolver uma comunicação mais assertiva. “O RH ainda se baseia muito em visões pessoais. Porém, para ter poder de convencimento e papel ativo nas decisões a serem tomadas, precisa aprender a ter melhor base de argumentação. Romantismos ou ações sem objetivos claros e bem impostos só servem para enfraquecer o RH”.

Para Nara Zarino, People Design da Loggi, o RH precisa se desapegar da figura de detentor de conhecimento. A gestora reforça que hoje pouco vale um grande conhecimento de questões técnicas, se não existir um equilíbrio com as skills comportamentais. “O RH de hoje precisa de dados e persuasão. Ele não pode mais se encolher e manter uma postura exclusivamente operacional e ‘obediente’. Decisões são tomadas com dados, números que impactam no negócio. De nada adianta ter uma marca ‘sexy’, se ela não for sustentável.

Ainda de acordo com Nara, as novas gerações trazem consigo um caráter mais questionador, o que aumenta ainda mais a responsabilidade do RH em mudar o seu mindset. “RH ‘sabe-tudo’ não existe mais. Mais do que nunca, é imprescindível saber ouvir as pessoas para, então, criar metodologias que façam sentido para os mais diferentes perfis. Uma newsletter enfeitada não significada mais nada se o resultado ao redor não for positivo e dentro das expectativas criadas. O RH não mantém mais a informação e deve atuar com transparência. Se você não está disposto a mudar e não aceita que a realidade é outra, é hora de procurar uma nova empresa ou até mesmo uma nova carreira”.

Não espere para inovar

Outro ponto trazido pela pesquisa da Qulture Rocks é a 'invasão tecnológica' na 'área mais humana das empresas'. 91% dos entrevistados dizem que a tecnologia é decisiva para a evolução do setor e da empresa. Contudo, somente 15% revelam que ela é usada em maior escala dentro do RH de suas companhias. “O RH deve se provocar o tempo inteiro para trazer mais inovação. E além disso, ele também deve ‘cobrar’ mais inovação. Se há um processo de evolução dentro da empresa, o RH moderno deve tomar a iniciativa de buscá-lo e se integrar a ele, e não de se encolher na zona de conforto do ‘está tudo bem desse jeito’”, diz Ana Paula Prado, Gestora de Recursos Humanos do Infojobs.

Nesse sentido, Adriana Ribeiro acresce que dentro de uma empresa bem-sucedida, a inovação não se dá por departamentos, mas sim por completo. “A inovação deve ir do chão de fábrica à alta gestão. Não adianta apelar para tendências ou usar regras prontas, a inovação precisa ser pensada”.

Esse cenário de mudança, segundo Tatiana Pimenta, CEO e Fundadora da Vittude, é fortemente impactado pela cultura organizacional da empresa. “E nós não podemos nos esquecer que a cultura vem da prática, do dia a dia. Cultura organizacional não é o que está escrito em um quadro, se a minha rotina não acompanha nada semelhante ao que está nele”. É isso que Cainã Rangel, facilitador em cultura organizacional e propósito da TRIBO, comenta ao dizer que a “cultura por si só é subjetiva ao mesmo tempo em que existe muita objetividade ao se perceber as coisas”. Em outras palavras, o especialista explica que as empresas precisam fazer uma investigação para entender o que de fato é a sua cultura. “A gente usa muitas metodologias que nos mostram como estamos hoje, como empresa, e de que modo gostaríamos de estar. Se notam as tensões entre o atual e o desejado. O que acontece na prática em muitos casos surpreende, portanto faz toda a diferença ouvir opiniões diferentes e trabalhar com alinhamentos coletivos”.

Uma vez que a comunicação é transparente e coletiva, a empresa tem menos dificuldades para traçar objetivos com clareza e as ferramentas para alcançá-los. “Falar de clima ou cultura organizacional não precisa mais ser um terror. Hoje, ainda é, porque o caos está instalado e nem sempre a CLT contribui para as empresas promoverem as mudanças que desejam. Entretanto, ouvir o que as pessoas têm a dizer e ter uma equipe de funcionários alinhada e com massa crítica voltada aos valores do negócio, é possível se estruturar de modos mais produtivos e vantajosos a todas as partes’, finaliza Lucy Mastrocola, coordenadora de projetos da Fundação Otacílio César.

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