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Saúde Mental Sem Tabu: Setembro Amarelo E Prevenção Do Suicídio

Coluna 666

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Dia 10 de Setembro é o dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e desde 2015 acontece no Brasil a campanha Setembro Amarelo, iniciativa do CVV e outras associações. A campanha visa promover eventos que abram espaço para debates sobre o tema e alertar a população sobre a importância de sua discussão.

Dados alarmantes denunciam a necessidade de ações individuais e coletivas emergenciais:

  • Estima-se que a cada 4 segundos uma pessoa tente suicídio e a cada 30 segundos uma o efetiva, somando mais e 800 mil pessoas mortas por esta causa por ano no planeta (OMS).
  • Os transtornos mentais já são a terceira causa de afastamento no trabalho (INSS).
  • O Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina, afetando cerca de 11,5 milhões de brasileiros (OMS).
  • O Brasil é o país com maior prevalência de ansiedade do mundo (OMS).
  • Muitos suicídios são cometidos por impulso, em situações agudas de intenso sofrimento e desespero, mediante elevado estresse e pressão.
  • Segundo a OMS, 9 a cada 10 pessoas possuem níveis elevados de estresse.
  • A depressão grave é o principal fator de risco de suicídio, hoje a quarta causa de morte entre os jovens no Brasil.

O suicídio é um problema complexo para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) ele resulta de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais.

Os principais grupos diagnósticos de risco de suicídio são:

  • depressão (todas as formas);
  • transtorno de personalidade (anti-social e borderline com traços de impulsividade, agressividade e frequentes alterações do humor);
  • alcoolismo (e/ou abuso de substância em adolescentes);
  • esquizofrenia

A depressão é o diagnóstico mais comum em suicídios consumados. Existem diferentes níveis de depressão e muitas vezes a pessoa deixa de buscar ajuda por não reconhecer a existência de uma doença que pode e deve ser tratada. Sentimentos de menos valia, auto depreciação, mudanças de apetite, dormir de mais ou de menos, sensação de cansaço e falta de energia constante, sentimento de incapacidade, insegurança, perda de prazer e de sentido na vida podem estar presentes. Muitas vezes estes sintomas estão presentes sem um motivo aparente que os “justifique”.

Um aspecto importante de considerarmos na contemporaneidade é a presença cada vez maior da Realidade Virtual. A virtualização progressiva das relações tem diminuído as experiências de encontros significativos com o outro. As implicações psicológicas do uso excessivo de celulares e redes sociais online têm sido amplamente estudadas. Crianças e jovens estão cada vez mais solitários e expostos excessivamente a telas, com poucas oportunidades de estabelecerem relacionamentos e intimidade “reais”. Além de novas formas de adoecimento mental estarem surgindo, já é comprovado que este excesso provoca mudanças cerebrais, aumenta os sintomas associados a depressão e ansiedade, acentua sentimentos de solidão, pode afetar negativamente a autoestima e representar um fator de risco, direto ou indireto, para doenças mentais e suicídio entre adolescentes e jovens.

Alguns transtornos mentais são associados ao estresse, dado que este afeta os sistemas nervoso, endócrino e imunológico do indivíduo, podendo desencadear ou agravar doenças físicas e psíquicas. Situações de crise podem provocar intensa angústia e sofrimento emocional. Estressores como dificuldades financeiras e grande endividamento, perda do emprego, doenças graves, dolorosas ou incapacitantes, condições  de sofrimento no trabalho, perdas significativas sem a elaboração do luto saudável, problemas escolares ou no emprego, separação conjugal, conflitos familiares, quando associados ao desespero, ao desamparo e à desesperança podem aumentar o risco de suicídio.

Diante do próprio sofrimento, de pensamentos muito pessimistas ou negativos e da percepção de mal-estar emocional, conversar com alguém em quem se confia e buscar apoio pode ser decisivo. No entanto, muitas pessoas não reconhecem a necessidade de ajuda ou sofrem caladas por vergonha, medo ou preconceito, o que contribui para agravar o seu estado mental.

O que pode ser feito?

Temas que cercam a doença mental ainda são tabus e a prevenção do suicídio passa pela conscientização e desmistificação destes temas. A criação de espaços e oportunidades de diálogo e informação sobre saúde mental nas empresas pode representar um passo muito importante nesta direção e os líderes precisam estar atentos às pessoas. Alguns estudos indicam que a maior parte dos líderes não está preparada para identificar os sinais de adoecimento mental e subestima a sua existência nas equipes, o que limita a sua capacidade de ação e o direcionamento adequado. 

A capacidade de lidar com situações de estresse e com as emoções é fundamental para a saúde mental e a plena realização do potencial humano. Em um mundo repleto de estímulos e informações, saber filtrar e separar o essencial do trivial diminui a ansiedade, aumenta o foco e elimina desperdícios de tempo e energia. Investir no autoconhecimento, aprimorar a capacidade de lidar com conflitos e pressão, focar nas soluções para os problemas, desenvolver hábitos saudáveis, construir e manter relacionamentos significativos e uma rede de apoio são aspectos importantes. E, acima de tudo, aceitar o fato de que somos todos seres interdependentes, imperfeitos e em permanente construção.

Se você está sofrendo, não hesite em pedir ajuda. E em muitos casos, a ajuda especializada de um psicólogo e/ou psiquiatra pode fazer toda a diferença. Falar das próprias dores diante de um profissional que ofereça uma escuta empática, poder compreender e acolher o próprio sofrimento, ampliar o autoconhecimento e se tratar com autocompaixão possibilitam cuidar das feridas e descobrir recursos internos para enfrentar os dilemas e desafios da vida com menos sofrimento e mais esperança.

E se alguém te procurar para desabafar com pensamentos que possam indicar sinais de risco, procure identificar as pessoas próximas de suporte (amigos, familiares) e indique um canal de atendimento profissional.

Onde buscar ajuda para prevenir o suicídio?

 UPA 24H, SAMU 192, Proto Socorro; Hospitais.

Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).

Rosalina Moura é Psicóloga Clínica, Organizacional e Coach. Sócio fundadora da Rumo Saudável, empresa que atua no segmento de bem-estar, saúde mental  e gerenciamento do estresse em Organizações. É um das Colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação

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