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Saúde É Apenas Um Item Na Cesta De Benefícios?

Coluna 2711

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Tenho acompanhado eventos e publicações na área de recursos humanos e, em muitos casos, a saúde é apresentada como vários candidatos a cargos eletivos na última eleição no Brasil abordam o tema. Saúde seria um custo a ser gerenciado ou um item de acesso a consumo de serviços médicos, diagnósticos e hospitalares. Nada, além disso.

Várias organizações internacionais como a OCDE, o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial apresentam a saúde como um item fundamental do capital humano e apontam a sua estreita relação com o desenvolvimento e a competitividade das empresas e dos países.

Recentemente, a organização “Business at OECD” que reúne entidades empresariais de vários países publicou um documento com o título “Nossa Visão e Prioridades para o Futuro da Saúde”. Em resumo, a entidade propõe que se busquem sistemas de saúde que estejam amplamente integrados, que incorporem as inovações, que estimulem os estilos de vida saudáveis através da alimentação saudável e da prática de atividade física e se encorajem os investimentos para o benefício de sociedades saudáveis e produtivas.

Com relação ao cuidado integrado, os sistemas fragmentados e a baixa utilização dos dados e informações em saúde fazem com que as pessoas que passam a ter cada vez mais condições crônicas não sejam tratadas adequadamente e exijam tratamentos cada vez mais complexos, caros e com comprometimento de sua qualidade de vida. O documento estimula a colaboração dos diferentes stakeholders envolvidos, incluindo os empregadores, para a modificação dos modelos de financiamento, cuidado integrado, gestão de doenças crônicas e educação do cidadão. Além disso, estimular a interoperabilidade dos sistemas eletrônicos com adoção de padrões comuns e semânticas comuns.

A inovação deve ser estimulada através da pesquisa que traga valor para os pacientes, os sistemas de saúde e a sociedade. Acompanhar as inovações e promover as mudanças regulatórias e de remuneração necessárias.

Recentemente, as Nações Unidas realizaram uma reunião de alto nível buscando estimular ações conjuntas para o enfrentamento das doenças crônicas (incluindo câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e doença pulmonar crônica). Não basta somente discutir como abordar os altos custos dos tratamentos destas condições, como quimioterapias, cirurgias, dispositivos e implantes e custos hospitalares. É preciso evitar que as pessoas cheguem a este estado. Neste contexto, os estilos de vida saudáveis são fundamentais para a prevenção de tais condições. É importante a adoção de intervenções que sejam custo-efetivas e que sejam baseadas nos modernos conceitos da economia comportamental. As organizações precisam deixar de realizar somente ações pontuais, “cosméticas” e de baixo impacto populacional. As abordagens devem ser amplas e envolver os determinantes sociais de saúde.

Finalmente, o documento conclui com o quarto item que ressalta a saúde como um investimento e não um custo a ser mitigado. Explorar iniciativas de parceria público-privada, adotar as intervenções que sejam custo-efetivas, avaliar os efeitos e os incentivos para os programas de qualidade de vida no ambiente de trabalho e desenvolver modelos de boas práticas de investimento de tecnologias relacionadas à saúde.

Deste modo, considero bastante relevante a mudança do modelo mental dos gestores das empresas brasileiras, passando a incluir a saúde como um elemento fundamental para o desenvolvimento do capital humano, em todas as suas facetas.

Por Alberto Ogata, presidente da Associação Internacional de Promoção de Saúde no Ambiente de Trabalho (IAWHP). É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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