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São Paulo É Sede De Cinco Das Oito Pmes Que Mais Crescem No Brasil

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Prestes a completar o seu 466º aniversário (no dia 25 de janeiro), a cidade de São Paulo renova a cada ano a alcunha de “metrópole das oportunidades”. Assim como é berço de grandes corporações e empresas renomadas do mercado, o município também abre suas portas para pequenos e médios negócios conquistarem o seu lugar ao sol - ou à garoa, fazendo referência a um dos apelidos paulistanos.

De acordo com o ranking “As PMEs que mais crescem no Brasil”, realizado em 2019 pela Deloitte em parceria com a Revista Exame, o Estado de São Paulo possui 35 das 100 pequenas e médias organizações que mais cresceram no país entre 2016 e 2018. Em uma filtragem ainda maior, do Top 8 do índice, cinco PMEs estão sediadas na capital paulista. São elas, em suas respectivas posições no ranking nacional e segmentos:

Segundo o levantamento, as PMEs de sucesso se fizeram valer da criatividade, com a criação de novos produtos e serviços, e do aumento na eficácia da força de vendas para apresentar um crescimento relevante.

Por que São Paulo é tão atrativa?

Vale ressaltar que o ranking não indica as empresas que tiveram os maiores faturamentos entre 2016 e 2018, mas sim aquelas que mais aumentaram a sua receita líquida no período. Nesse sentido, com crescimento médio anual de 349,42%, a Foxbit, corretora de Bitcoin, lidera com folga o índice regional. Cofundador e sócio-diretor da empresa de tecnologia, Felipe Trovão destaca o povo e a diversidade da cidade de São Paulo como elos para impulsionar o desenvolvimento da Foxbit e das PMEs em geral na metrópole.

O grande número de pessoas qualificadas e especializadas nos mais diversos segmentos de empresas é um atrativo para empreender na cidade. São Paulo tem muitos migrantes das mais diversas partes do país e um grande fluxo de estrangeiros, o que faz da capital uma das cidades mais criativas do planeta. Além disso, há também um histórico de empresas de sucesso, o que torna o município um centro de referência para conhecer pessoas com muita experiência de mercado.”

Para Tânia Gomes Luz, vice-presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), “São Paulo é uma cidade em que a inovação é adotada muito rapidamente e isso aumenta as chances de sucesso de uma empresa que está começando a operar”. A especialista pontua que a ‘Terra da Garoa’ dá ao empreendedor a oportunidade de compreender se o seu produto ou serviço vendido é atrativo para o mercado, quais são os clientes em potencial e que melhorias precisam ser realizadas.

“São Paulo é a metrópole mais populosa do país e isso é altamente positivo quando estamos testando uma nova solução”, comenta Tânia que, assim como Trovão, também reforça a importância da diversidade presente na cidade. “É muito mais saudável analisar o comportamento da sua solução em uma população tão rica em diversidade. Na capital paulista você tem acesso a outros empreendedores, fundos de investimento, hubs de inovação, tudo que amplifica a troca de experiências e torna a jornada empreendedora mais acessível. São Paulo tem um ecossistema de startups muito mais maduro que outros cidades”, acrescenta.

Dados da ABStartups evidenciam que São Paulo é o berço das startups no país. A capital possui, ao todo, cerca de 28% dos empreendimentos inovadores existentes em território nacional. Para a estrategista de carreira e negócios, Ell Branco, fatores como “concentração de capital e investidores, enorme mercado B2B e B2C, promoção de eventos semanais e excelentes talentos formados em universidades da região, possibilitam não só o nascimento das empresas, mas seu desenvolvimento nos mais variados setores”.

Para cada oportunidade, um desafio

Apesar do potencial de sucesso que São Paulo apresenta para negócios de todos os portes, alguns caminhos precisam ser seguidos para que bons frutos sejam colhidos. Ell levanta que “nenhum cenário é frutífero se o empreendedor não estiver preparado para competir e se destacar em seu segmento”. Para a estrategista, algumas ações são fundamentais para o empresário ter resultados positivos com o seu negócio:

1) Conheça seu perfil comportamental empreendedor: Ell explica que o primeiro passo para o dono de um negócio impulsionar sua empresa é o autoconhecimento. “Ao identificar o seu perfil, você entenderá quais são suas qualidades dentro da empresa, como usá-las a favor do seu sucesso e o que deve ser delegado para otimização de tempo e resultados. Empresas de consultoria estratégica e desenvolvimento oferecem este recurso”.

2) Atenção à cada base da pirâmide: “Entenda que uma empresa é formada por marketing, gestão e operacional. Essas três bases devem ser organizadas e cada uma com sua estratégia, meta e monitoramento”, aponta.

3) Cuide da sua marca empregadora: À medida que a competitividade mercadológica se torna cada vez mais intensa, o employer branding exige atenção por parte dos empreendedores: “Trabalhe e fortaleça o diferencial da sua empresa. Algo que só a sua marca tenha ou que só ela possa resolver para o cliente”, orienta a especialista. Dar ênfase a um trabalho de qualidade em torno da marca empregadora não vai torná-la atrativa somente ao público-alvo, mas também a talentos profissionais.

Outro ponto a ser observado pelos empreendedores é o custo para ter um negócio em São Paulo. Hoje um empresário de sucesso, Trovão exalta que PMEs com pouco tempo de vida na capital precisam dar uma atenção especial às finanças.

São Paulo é uma cidade cara para aluguel e mão-de-obra e isso traz custos altos para empresas que estão iniciando. O empreendedor precisa manter os custos os mais baixos possíveis, escolher parceiros de confiança e focar em ser o melhor no segmento escolhido para atuar. Quanto mais especializado, melhor. Depois de algum tempo vale a pena olhar em outros segmentos para atuar, pois uma empresa saudável não pode depender de apenas uma única fonte de receita”.

Tânia Gomes Luz traz à tona um outro fator que exige cautela às PMEs: o excesso de opções. A vice-presidente da ABStartups alerta que “ao mesmo tempo em que ter um ecossistema forte pode auxiliar o desenvolvimento de soluções mais adequadas ao mercado, é fácil se perder no meio de tantos eventos”.

A recomendação, principalmente para organizações iniciantes, é que não se haja deslumbre com a quantidade de eventos, cursos, workshops e afins que a cidade tem a oferecer. “Um negócio, em seu início, demanda muito foco. Participe daquilo que faça sentido ao momento de sua empresa. Precisa de feedbacks do produto? Não adianta ir em evento de investimentos, por exemplo”, comenta.

Falar de dinheiro e sucesso é bom! Mas, e a saúde?

A contratação e a retenção de talentos são alguns dos maiores desafios para as PMEs paulistanas. “Primeiro, pela competição com grandes empresas, que têm salários e benefícios mais atrativos, mas também com outras startups, que muitas vezes já têm salários maiores. É preciso ter alguns atrativos extras para trazer esses profissionais pra dentro”, ressalta Tânia. E do mesmo modo, a saúde e a qualidade de vida se tornaram prioridades para muita gente no mercado de trabalho.

A psicóloga e especialista em recrutamento e seleção Bárbara Lima dá a tônica de que lidar com a saúde mental da equipe de trabalho “não é uma missão fácil em São Paulo”. De acordo com ela, os transtornos mentais estão cada vez mais presentes e impactantes dentro das organizações, e uma cidade como São Paulo exige cuidado e atenção ainda maiores por parte dos RHs e das lideranças. 

“Uma das principais características da capital é a pressa. Estamos sempre com o ‘modo correria’ ativado. E isso é levado para dentro das empresas. Em um mercado tão competitivo, as demandas crescem e os prazos diminuem, o que aumenta a pressão, a responsabilidade e exige uma resistência mental cada vez mais forte dos profissionais. Não é sem motivo que a Síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, é responsável por milhares de funcionários afastados. Somado a isso, situações como trânsito, transporte público superlotado, violência, são catalisadores para que doenças mentais como ansiedade, estresse e depressão comecem a se manifestar.”

Para a especialista, hoje não é possível falar em sucesso sem falar de saúde. Bárbara explica que empresas que não olham com atenção para a saúde física e mental de seus colaboradores estão fadadas a perder o seu viés competitivo.

“Hoje, o que motiva profissionais a permanecerem em empresas que não dão atenção especial ao seu bem-estar é a extrema necessidade. As pessoas não querem mais carreiras ou profissões que sejam potencialmente destrutivas à sua vida pessoal. Assim como salário, benefícios e demais atrativos, programas de bem-estar e práticas flexíveis se tornaram prioridades na avaliação de profissionais para determinar quais vagas chamam sua atenção. E em uma cidade tão grande e ‘excessiva’ como São Paulo, essa exigência é ainda maior e carece de atenção por parte das empresas, seja qual for o seu tamanho”, finaliza Bárbara.

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