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Recrutar é uma forma de amar

Coluna 515

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Recrutar ou selecionar pessoas é uma das tarefas mais difíceis, mesmo em tempos de muita disponibilidade de profissionais no mercado. A questão básica é que quem está fora não sabe sobre a dinâmica da empresa e muito menos a respeito do humor de quem vai lhe dar suas tarefas.

Já sabemos que a maior parte das demissões são feitas por falta de adaptação do profissional ao seu chefe imediato ou pela falta de reconhecimento do seu trabalho no dia a dia da organização. Qualquer função se enquadra neste contexto. Há alguns anos, fui recrutador para uma multinacional, e os problemas eram parecidos tanto para cargos básicos quanto para funções gerenciais.

A pressão interna da empresa para ter seu quadro recolocado rapidamente - especialmente nas organizações de serviços, onde o turn-over é muito alto - interfere na qualidade da seleção. Hoje se utilizam redes sociais, softwares com banco de dados de currículos e até consultorias externas para manter o ritmo acelerado das contratações. Novas técnicas de entrevistas por telefone, Skype e e-mail geraram velocidade na seleção de pessoas, mas não melhoraram em nada o desafio dos recrutadores, que continuam sendo pressionados por números de entradas e saídas.

A exposição das suas marcas nas redes sociais também é motivo de desconforto e dificuldade na hora de recrutar pessoas. Não adianta transformar recrutadores em verdadeiros detetives da vida de seus candidatos: entrevistas por telefone ou pessoalmente, vídeos e até testes comportamentais pouco importam se o chefe que recebe o colaborador está preocupado apenas em atingir suas metas e apresentar seus bons resultados aos superiores hierárquicos.

É importante que cada selecionador, recrutador ou profissional de RH envolvido no processo tenha em mente que contos de fadas não se concretizam no mundo real. A empresa tem que estar pronta para receber novas pessoas, aprender com elas e não desejar moldá-las ao jeito anacrônico de seus chefes. Eles preferem muitas vezes trazerem pessoas menos preparadas por medo de perderem seus postos. Isso é algo humano e natural, mas como vamos inovar e transformar a sociedade se os modelos arraigados na grande maioria das companhias ainda não acompanha o mundo em transformação?

Os jovens são os melhores exemplos disso: fogem das empresas e, quando se submetem aos programas de trainees, não ficam nas organizações hipoteticamente mais desejadas para se trabalhar. A solução, então, é mudar as cabeças dos que gerenciam pessoas e convivem com suas frustrações pessoais no trabalho, que também não lhes reconhece devidamente. É hora de melhores reflexões sobre o mundo corporativo e de transformar recrutadores, selecionadores e equipes de RH em pessoas que amam e sabem o valor do próximo. Assim, falsas dinâmicas e entrevistas sem sentido podem ser evitadas.

Processos de seleção que apenas garantem a evasão das pessoas das organizações são uma perda de tempo; é preciso fazer primeiro a lição de casa com os gestores, para depois seguir para o mercado. Do jeito que tantas empresas estão fazendo, vamos continuar tendo o mesmo resultado: o fracasso na atração e, principalmente, na retenção das pessoas. Recrutar é, antes de mais nada, uma forma de amar e dar uma verdadeira oportunidade a alguém de se desenvolver na vida e no trabalho.

Por Alexandre Garret, jornalista e CEO da SFG - Publicações e Treinamentos. É um dos colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação