- Início

- Conteúdo

Quando O Peso Da Aparência É Maior Que O Do Currículo

Compartilhe Este Post

Por mais que características ou adereços como cabelo colorido, piercing, tatuagem ou barba comprida, por exemplo, façam parte do que define não somente o padrão estético, mas também a personalidade de cada indivíduo, do mesmo modo eles podem ser obstáculos para o mercado de trabalho. Em muitas situações nas quais ocorrem essas diferenciações, mesmo que o candidato tenha todos os pré-requisitos e habilidades necessários para a vaga, o padrão estético pode ser um peso contra sua contratação.

Barba, cabelo e contas a pagar

Joana Peixoto (21) foi contratada para estagiar em uma empresa de comunicação e design. Desde o Ensino Médio, a jovem optou por um estilo estético bem pessoal, com cabelos coloridos e piercings no rosto. Ao escolher a área de artes, ela imaginou que algumas barreiras e padrões mercadológicos fossem evitados e que, portanto, seu estilo não seria um problema para o segmento que ela estava disposta a se inserir. "Como se tratava de uma empresa de comunicação e design, pensei que o perfil ‘criativo’ de aparência seria bem visto”, diz. Contudo, o que se viu na entrevista foi bem diferente do previsto.

Para conseguir o emprego, Joana teve que pintar o cabelo, tirar os piercings, começar a usar maquiagem e mudar seu modo de se vestir. A estagiária revela sempre ter escutado de amigos e familiares que esse tipo de situação poderia acometê-la, mas não dava ouvidos. "Achei que isso era uma coisa irreal quando ouvia de fora e fiquei bem desconfortável quando aconteceu comigo".

A jovem precisou abrir mão de muitas das características estéticas que a marcaram ao longo do tempo. Foi necessário escolher entre sua identidade e um salário, uma aprendizagem e experiência no mercado de trabalho. "Acredito que se eu não tivesse mudado, não teria crescido [na empresa], pois muitas vezes existiam eventos em que precisava trabalhar, e a empresa me pedia uma nova aparência", conta. "Eracomo se eu tivesse que estar 100% impecável, quando na verdade meu trabalho era atrás de uma tela. E a aparência não diz se um profissional é bom ou não”, completa.

Em outro caso, W.S. assumiu um cargo de TI em uma firma de advocacia, cujo conservadorismo estético não é incomum. Para o programador, a barba era parte fundamental de sua identidade, mas não foi bem assim que seus empregadores enxergaram a situação.  "Eu fiquei meio na dúvida de aceitar a vaga, afinal para conseguir entrar eu teria que mudar totalmente meu estilo. No fim, cortei meu cabelo e raspei minha barba para abraçar a oportunidade. E até agora não estou muito acostumado com isso", revela.

De acordo com o psicólogo e analista de Recursos Humanos, César Moretti, a aparência ainda é um fator determinante aos olhos das companhias. "Para contratar alguém para área financeira, por exemplo, em que a pessoa teria contato direto com o banco, seria delicado contratar um profissional com um perfil [estético] diferente", explica. Moretti comenta, também, que "algumas empresa que um dia foram mais conservadoras já estão contratando pessoas com estilos mais alternativos, principalmente, por investirem cada vez mais em diversidade e inclusão social”.

O especialista afirma que é preciso ter cuidado com a linha tênue entre o padrão seguido pela organização e o preconceito. A imagem pessoal é relevante para a carreira e é importante os candidatos procurarem por ambientes de trabalho que atendam ao seu perfil. E vale ressaltar que fatores como idade, sexo, cor ou estado civil, por exemplo, não se encaixam nas restrições que a empresa pode estabelecer. Discriminação é crime passível de punição que vai de multa e indenização à prisão.

Gostou desse post? Compartilhe!