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Quando acaba a lua-de-mel de trabalhar em casa?

Coluna 1174

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Até pouco tempo atrás, o home office era considerado um privilégio para poucos, principalmente para os chamados profissionais do conhecimento. Com o advento da pandemia do coronavírus, esta modalidade passou a ser mandatória para um percentual significativo de trabalhadores.

Para milhões de profissionais, o momento inicial de deslumbramento de trabalhar em casa foi passando com a inundação de e-mails, teleconferências em diferentes horários, novos prazos e metas, combinados às tarefas domésticas, o cuidado com os filhos e a falta de recursos para as atividades profissionais no lar. A partir daí se exigiu uma dose extra de disciplina, organização e resiliência de cada um.

As últimas estatísticas da previdência social brasileira mostraram que em 2017, mais de 300.000 trabalhadores se afastaram por problemas musculoesqueléticos e quase 170.000 por problemas mentais e emocionais. Muitos destes trabalhadores tinham as duas condições associadas (musculoesqueléticas e depressão, por exemplo).

Quantos empregadores se preocuparam com as condições ergonômicas de trabalho nesta movimentação para as casas dos trabalhadores?  Foram seguidos os manuais e guias de orientação especializados para a disposição dos equipamentos, como laptops, teclados e mouses? Foram orientados sobre como lidar com o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal no ambiente doméstico?

Não será surpresa se, ao retornar para suas estações de trabalho nas empresas, constatarmos um aumento nas taxas de dores nas costas, no pescoço, de ansiedade e de depressão. Outros se adaptarão perfeitamente ao trabalho em casa e terão dificuldades em readaptar a uma rotina nos escritórios.

O impacto dependerá do tempo de afastamento das atividades normais nas empresas, do grau de suporte oferecido pelo empregador e pelas características individuais de cada profissional. Se houver uma área de saúde ocupacional na empresa, é fundamental que recursos humanos atue de maneira integrada, buscando apoio técnico para as abordagens preventivas e de reabilitação.

Sem dúvida, o suporte para as atividades deve ir além do mero envio de informações educativas, seja através de mensagens, e-mails ou vídeos. É fundamental um contato constante, para que as dificuldades sejam ouvidas, criando um canal de comunicação aberto, buscando dar suporte e, na medida do possível, buscar resolver as necessidades recebidas.

Por Alberto Ogata, presidente da Associação Internacional de Promoção de Saúde no Ambiente de Trabalho (IAWHP). É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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