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Psicólogos Fora Da Área De Rh É Proposta De Projeto De Lei

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Não é novidade para ninguém que a área de Recursos Humanos é uma das principais catalisadoras de talentos do curso de psicologia. É extremamente comum que estudantes e psicólogos formados encontrem espaço nos RHs por conta do trabalho que sua formação os permite desempenhar. Principalmente por ter um viés educacional voltado ao comportamento humano, psicólogos em RH contribuem ativamente na promoção da qualidade de vida, no desenvolvimento de estratégias que contribuam para o fortalecimento do capital humano, no processo de recrutamento e seleção, na gestão de clima, entre outras diversas atividades.

Entretanto, tanto psicólogos quanto profissionais de variadas formações podem perder espaço dentro dos Recursos Humanos. A possibilidade é prevista no Projeto de Lei nº 439/2015 do ex-senador Donizeti Nogueira, do PT, em Tocantins.

O texto defende que somente bacharéis ou tecnólogos em administração de empresas poderiam desempenhar atividades do RH, como a gestão da folha de pagamento e avaliações de desempenho. Embora a medida exclua qualquer formação sem o viés administrativo, a ênfase nos psicólogos se dá por conta do “prejuízo” que a categoria enfrentaria, já que é a formação que mais emprega profissionais no setor – superando, inclusive, graduações especificadas voltadas a RH.

Cineide Jorge, Diretora de Recursos Humanos da RB, empresas de soluções em vale-transporte, comenta que "as atividades da área de Recursos Humanos estão alinhadas à estratégia e visão, o que poderá ser aprovada por todos os profissionais com competências técnicas e comportamentais relacionadas às soft skills". A especialista pontua que isso justifica a importância do olhar comportamental dentro do processo de gestão de pessoas. "A ausência desse profissional pode impactar, diretamente, nos resultados e rendimentos das organizações. As atividades da área de RH devem ser realizadas por uma equipe tecnicamente preparada para realizar as funções e superar os desafios da gestão. A real necessidade para atuar nesta área são as habilidades técnicas e comportamentais básicas para estruturar as diretrizes e realização do propósito de cada organização", acrescenta.

De acordo com Bárbara Lima, psicóloga de formação que fez toda sua carreira atuando com Recursos Humanos, a proposta tem caráter segregativo e pode trazer problemas para as empresas e para o RH. “O RH é uma das áreas mais democráticas das organizações. Por trabalhar com estratégia, números, finanças e pessoas, abre espaço para diversos tipos de profissionais, como psicólogos, engenheiros, comunicadores e vários outros. E as organizações só têm a ganhar com essa combinação de perfis, pois é um trabalho conjunto de percepções e estilos profissionais diferentes que se completam. Se você tem um perfil muito analítico, pode ter dificuldade para lidar com as questões mais humanas, e nesse ponto um psicólogo pode fazer a diferença. E o mesmo vale para o cenário inverso”.

A especialista recorda que a atuação de psicólogos em RH é prevista em lei. Na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério de Trabalho, as exigências para atuar com Recursos Humanos são:

  • Escolaridade em nível superior para profissionais de Recursos Humanos;
  • Ensino Superior completo para Gerente de Recursos Humanos;
  • Formação em qualquer ramo do conhecimento, com experiência ou formação complementar predominante nas áreas de Psicologia ou Administração.

“No RH existe uma pluralidade em relação a como as empresas montam a área. Há organizações que prezam pelo equilíbrio e combinam pessoas de ciências humanas com pessoas de ciências exatas. Há quem prefira um RH analítico e mais voltado a números e gestão de finanças e dê espaço a um time de administradores, engenheiros. Por outro lado há quem opte por RH centralizado na gestão de clima, no bem-estar dos colaboradores, em produtividade com qualidade de vida. E deixo claro que é obviamente possível que um psicólogo tenha êxito com números, assim como um engenheiro pode ser um excelente gestor de pessoas. Dou o exemplo para enfatizar que as empresas não podem perder a sua liberdade de montagem do RH, que é certamente uma das áreas mais importantes”, pontua Bárbara.

Segundo o PLS 439/2015, somente administradores poderiam executar as seguintes atividades:

  • Criação e gestão de planos de cargos e carreiras;
  • Avaliação de desempenho profissional;
  • Elaboração de planejamentos estratégicos;
  • Planos orçamentários.
  • Coordenação de pesquisas organizacionais;
  • Auditorias administrativas;
  • Gestão de folha de pagamento e registros de ponto;

À revista Você S/A, da Editora Abril, Carlos Alberto Ferreira Júnior, diretor de Fiscalização e Registro do Conselho Federal de Administração, expõe opinião diferente de Bárbara e se manifesta favorável à proposta de lei. “Não dá para alguém que nunca estudou psicologia atuar como terapeuta ou alguém que não é engenheiro fazer um projeto hidráulico. Um psicólogo pode ser preparado para trabalhar com recrutamento, mas não para gerir toda uma área de Recursos Humanos da empresa”, pontua. Além disso, o diretor ressalta a importância de haver maior clareza na lei que determina os requisitos da profissão de administrador.

Até o momento, o projeto, proposto em 2015, tramita na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, tendo como relator o senador Chico Rodrigues (DEM-RR). Também segundo a Você S/A, a medida vem gerando opiniões bastante divididas por parte dos profissionais da área. Em consulta pública no portal do Senado, pouco mais de 60 mil se manifestaram favoráveis à PLS, enquanto os votos contra estão na casa dos 58,5 mil.

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