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Por Que O Suicídio Jamais Deve Ser Ignorado Em Ambiente Empresarial

SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA

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Segundo um estudo publicado no British Journal of Psichiatry, entre 2008 e 2010 a crise econômica levou 10 mil pessoas a tirarem a própria vida nos Estados Unidos e na Europa. No Japão, por conta da cultura empresarial rígida, do excesso de trabalho e da pressão dentro do ambiente corporativo, não é incomum que muitos profissionais – em especial os mais jovens – cometam o suicídio, ou “karoshi”, termo utilizado no país para descrever mortes motivadas por excesso de trabalho.

No Brasil, não há registros sobre suicídio voltados especificamente ao ambiente empresarial. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2014, levantaram que a cada 45 minutos uma pessoa tira sua vida (32 por dia) no país. A estatística levou o Brasil a se tornar a oitava nação do mundo em números absolutos de suicídio, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Suicídio corporativo

De acordo com a psicóloga clínica e hospitalar Daniela Reis e Silva, especialista em luto e suicídio, embora os casos do fatídico ato continuem crescendo, “estes números no Brasil ainda diferem da realidade por termos subnotificação dos suicídios completos, bem como das tentativas, por uma questão histórica e cultural envolvendo preconceito e tabu”.

A especialista acrescenta que questões ligadas ao trabalho podem atuar como fatores de risco para o comportamento suicida, o que na maioria dos casos se associa também a transtornos mentais nem sempre diagnosticados ou não tratados da maneira adequada. “Lamentavelmente, mesmo havendo uma crescimento substancial na área de RH, as empresas ainda não estão preparadas para cuidar deste fenômeno crescente”, aponta.

Embora situações como a sobrecarga de trabalho e a pressão sofrida por resultados sejam determinantes para um ambiente de trabalho insalubre, o que pode ser o catalisador de pensamentos voltados ao suicídio, outros fatores devem ser igualmente considerados. “Avaliando as situações que envolvem suicídio, inclusive, nos locais de trabalho, é indicada a existência também de relações de violência institucional interna ou externa, seja por meio de assédio moral ou até assédio sexual, que infligem violência física, moral ou psicológica. Os efeitos são graves e traumatogênicos, afetando o trabalhador e até mesmo sua família”, explica a psicóloga.

Além dos efeitos no próprio trabalho, como o absenteísmo, por exemplo, pode ocorrer o aumento no número de acidentes de trabalho, bem como o consumo exacerbado de álcool e drogas ilícitas por parte dos colaboradores que não estão bem mentalmente. “Com as altas exigências de performance laboral e produtividade há o desencadeamento de uma “bola de neve” de situações de grande sofrimento emocional/psíquico no ambiente de trabalho, além de questões vivenciadas pelo trabalhador em sua vida pessoal e familiar”.

A importância dos recursos humanos

Daniela ressalta a importância das empresas contarem com profissionais de RH sensíveis à complexidade das situações que envolvem o sofrimento de funcionários. Desse modo, será possível avaliar o problema de forma a desenvolver melhores abordagens, programas de desenvolvimento e também tratamentos. “É importante o RH desenvolver problemas de promoção de saúde, clima organizacional, manejo de crises, bem como dos possíveis acidentes de trabalho que deixam marcas indeléveis em todos os níveis de uma empresa”, diz.

 Uma vez que o comportamento suicida é identificado, os recursos humanos podem encaminhar o trabalhador para tratamento multidisciplinar que envolve profissionais de psicologia e psicologia.

Embora o mês de setembro esteja próximo do final, é de fundamental importância que iniciativas como o Setembro Amarelo, promovida pelo Centro de Valorização da Vida com objetivo de conscientizar a sociedade a respeito do suicídio, não saiam de pauta.

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