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Por Que Muitas Startups Ainda Não Veem O Rh Como Um Setor Estratégico?

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Os Recursos Humanos têm como um dos seus principais objetivos mediar os interesses dos colaboradores e os da organização. Com o objetivo de zelar pelos direitos dos funcionários, esse trabalho muitas vezes é permeado de regras baseadas na legislação trabalhista, gerando certa burocracia.

Devido a essa “fama” do RH, grande parte das startups não investe no setor. Para muitas, a gestão de pessoas pode travar a agilidade inerente a esse tipo de negócio. E, para suprir a ausência de profissionais especializados na área, as empresas apostam em oferecer certas regalias aos colaboradores, como áreas de lazer com videogames, geladeiras com cervejas e tantas outras coisas.

A especialista em RH, Gizele Jesus, diz que, para muitos, está tudo bem seguir esse mundo sem regras, totalmente livre. Daí, surge a dúvida: a culpa é dessa nova cultura corporativa ou do setor? Essa resposta é difícil de responder, mas é certo que a conjuntura está obrigando o RH a se reinventar e se desburocratizar. 

“Os setores de RH das empresas, em sua maioria, não acompanharam a evolução do mercado corporativo. Hoje, quando me reúno com os microempresários e MEIs, deixo claro que algumas práticas devem ser revistas, até para que o negócio acompanhe as tendências de mercado e, assim, consigam se manter competitivos”, relata Gizele Jesus. Confira o nosso bate-papo com a especialista:

Em sua opinião, quais são as principais razões para muitas startups ainda não verem o RH como um setor estratégico?

No geral, startups são empresas muito voltadas para o objetivo final, que é a obtenção do lucro. E também há muito envolvimento por todo o universo da inovação. Não se apegar a pequenos detalhes e julgamentos que as antigas gestões consideravam inadmissíveis, como parar o expediente para jogar uma partida de videogame e desestressar em meio a prazos para entregas de projetos.

Isso faz do RH o setor chato, que vai buscar estar sempre de olho no que as leis permitem, em como a empresa está conduzindo essa tal liberdade. Isso não é interessante para as startups. A ideia é criar uma nova cultura, mesmo que sem a orientação de um RH.

Como o RH poderá se adaptar à realidade das startups? Que práticas devem ser revistas?

Dá para criar um olhar diferenciado, menos regrado, com menos exigências e julgamentos nos processos seletivos, focando nas competências técnicas e não tanto nas competências comportamentais. RH e empresa se comprometendo a fazer da empresa um lugar melhor para trabalhar, com um clima organizacional sempre leve, porém focado em fazer o melhor para a organização.

Como o RH pode continuar zelando pelos interesses e direitos funcionário-empresa sem cair na criação de regras e burocracias?

Revendo e reestruturando processos inerentes à área de gestão de pessoas. Moldando o setor conforme a cultura das startups. 

Algumas apostas para agradar funcionários são um "tiro no escuro". Sem o auxílio do RH, essas startups podem se prejudicar? Se sim, por quê?

Sim, pois o RH está completamente voltado a todas as questões que envolvem a área de gestão de pessoas. Inclusive, todos os aspectos jurídicos, baseados em leis que foram criadas para que todos os direitos dos colaboradores fossem garantidos. 

Então, trabalhar sem um setor que foi concebido para garantir os direitos dos colaboradores é apostar em algo que talvez esteja indo de encontro a esses direitos, o que pode se tornar uma tremenda dor de cabeça devido às causas trabalhistas. Dá pra implantar novas ideias e imprimir a identidade de uma startup, trabalhando em concomitância ao setor de RH para garantir o sucesso para ambas as partes.

Quais as curiosidades culturais vistas em empresas mais te chamaram a atenção?

Rodadas de cerveja durante o expediente e paradas no meio do trabalho para jogar videogame ou algo do gênero foram as mais curiosas.

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