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Por que as videoconferências podem ser um problema para as empresas?

TECNOLOGIA 2727

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Recrutamento em vídeo. Eventos em vídeo. Reuniões em vídeo. Happy Hours em vídeo. Bate-papos em vídeo. Feedbacks em vídeo. Até mesmo gestão em vídeo. A pandemia do novo coronavírus ressignificou a relação dos negócios com os recursos que o vídeo pode oferecer.

Por conta do isolamento social e de outras medidas de segurança implantadas para reduzir o risco de contágio a COVID-19, as empresas precisam aplicar mudanças em sua dinâmica de trabalho. Mesmo organizações que nunca trabalharam com o modelo remoto precisaram se adaptar para fazer do home office uma realidade, temporária ou não, de seu negócio. 

A consequência de tal adaptação foi um “boom” no uso de plataformas e mecanismos audiovisuais. O que era presencial se moldou para o virtual. Aplicativos como Zoom, Skype e Google Hangouts nunca estiveram tão em alta (para se ter uma noção, o Zoom antes da quarentena tinha cerca de 10 milhões de usuários, número que hoje já supera os 200 milhões). 

No entanto, o que é apresentado como uma solução também tem o seu lado problemático. Especialmente porque as soluções trazidas pelos recursos audiovisuais não se limitam ao ambiente corporativo, mas também ao âmbito pessoal. As reuniões via ferramentas podem ser mais exaustivas do que encontros presenciais. Esse cansaço mental já tem até nome: zoom fatigue. O termo revela uma fadiga, como o próprio nome indica, a que o cérebro se vê submetido após uma sucessão de sessões diante da tela. 

O que está por trás da exaustão?

Para cada uma das atividades citadas nos primeiros parágrafos o cérebro é estimulado e levado a sensação de exaustão. O desgaste pode ser ainda maior mesmo não havendo o deslocamento da residência até o local, que poderia gerar um certo consumo físico. O esgotamento provocado pelo aumento de estímulos gerados por uma tela de computador faz com que o cérebro gaste muito mais energia para fazer a captação e interpretação de tudo que é necessário durante os encontros virtuais.

De acordo com o coordenador do curso de Psicologia da Universidade UNIVERITAS, André Novaes, nós seres sociais e acostumados com a interação presencial, quando realizamos uma reunião ou temos um encontro com alguém, não observamos apenas a fala ou tom de voz da pessoa, mas naturalmente nosso cérebro faz toda uma leitura de comportamentos não verbais, respiração, olhares e até mesmo linguagem corporal, fatores estes que facilitam nossa vivência e compreensão com um gasto energético menor. Com a ausência desta possibilidade de leitura, aumenta o esforço do nosso cérebro para decodificar tudo que pode haver num contato gerado por uma reunião. 

"Quando falamos de sensação e percepção é importante ressaltar que cada pessoa terá uma forma de processamento das informações e estímulos as quais é exposta. A própria luz emitida pela tela do computador e as múltiplas imagens das pessoas participantes da reunião, acabam por gerar a sensação de exaustão ocasionada pelas videochamadas", analisa. Além disso, o especialista também explica que pessoas que sofrem de algum quadro de saúde mental são mais propensas a desenvolver o zoom fatigue, o que torna o cenário da pandemia ainda mais preocupante. 

Segundo a pesquisa “O que tem tirado o sono do brasileiro durante a pandemia?”, conduzida pela The Bakery, empresa de inovação corporativa, o emocional da população vem sofrendo perigosos impactos por conta da crise atual

O levantamento identificou que ficar em casa provocou o surgimento de sensações ligadas à ansiedade (42%), ao estresse (14%) e ao medo (10%). Mais do que isso, 44% alegam estar com problemas para conseguir dormir e relaxar. Quanto à tecnologia, o estudo mostra que um terço dos entrevistados está achando mais desafiador lidar com pessoas virtualmente

Pessoas que já têm algum quadro de saúde mental podem ser mais propensas a desenvolver o Zoom Fatigue em razão de já haver uma alteração no funcionamento cognitivo da pessoa. Uma questão que pode gerar também um maior desgaste é a qualidade ruim da chamada que gera atrasos nas falas ou imagens distorcidas que mais uma vez geram um esforço maior para que o cérebro consiga fazer toda codificação das mensagens que precisam ser absorvidas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que saúde não é apenas a ausência da doença, mas o bem-estar biopsicossocial e, algumas pesquisas têm apontado para o fator espiritual”, explica Novaes.

Como lidar com esse problema?

O fato das opções de vídeo serem seguras e facilitarem a vida durante a pandemia não significa que elas tenham que ser usadas em excesso, como orienta o psicólogo.

“Diante disso, é importante que neste momento em que o avanço tecnológico foi trazido a fórceps por esta pandemia, cada um de nós estabeleça rotinas mais saudáveis; a prática esportiva pelo menos três vezes por semana com média de 45 minutos, produz em nosso organismo a liberação de neurotransmissores como serotonina e endorfina, responsáveis pela sensação de bem-estar, uma rotina adequada de sono também é extremamente importante; saber colocar limites para execução do trabalho e tempo de descanso, uma vez que estamos trabalhando em casa mas não podemos permitir que o trabalho ocupe mais tempo do que anteriormente; praticar um hobby também é outro fator que tem potencial para nos auxiliar a enfrentar este momento de uma forma mais adequada", recomenda.

Evitar videoconferências em ritmo seguido (sair de uma e partir logo para outra) e bate-papos que sempre tenham a câmera ligada também podem ajudar a diminuir o cansaço que os vídeos podem proporcionar.

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