- Início

- Conteúdo

Pandemia, sim! Crise? Não na Gestão de Pessoas da Heineken

Compartilhe Este Post

Nos últimos meses, além de “pandemia” e “coronavírus”, talvez a palavra ‘adaptação’ esteja entre as que mais fazem parte do nosso dia a dia. Como efeito de uma inesperada crise de saúde que atingiu todas as outras esferas da nossa rotina (tem dia que bate a saudade - passageira - até de um transporte público lotado, não é, minha filha? - ok, posso ter exagerado um pouco no exemplo), organizações de todos os portes se viram (e ainda se veem) diante da necessidade e da obrigatoriedade de se adaptar para sobreviver.

Entretanto, o complexo e delicado cenário pandêmico que assumiu o papel de última gota para o copo da crise transbordar em algumas empresas, também acelerou mudanças - muitas delas profundamente necessárias - em outros negócios. Embora não exista lado bom na pandemia do novo coronavírus (não há aprendizado ou vantagem competitiva que se sobressaia à dor que o vírus trouxe para tantas famílias), é inegável que o atual panorama acendeu a lâmpada da inovação e, principalmente, da humanização em parte do mercado.

Em meio ao processo de adaptação e transformação que o universo corporativo vive, largam na frente para se destacar no horizonte do “novo normal” (ou “velho normal acelerado”, como preferir) e do “pós-pandemia”, organizações que assumiram de vez o seu papel social. O diferencial, hoje, não está somente na qualidade do produto ou serviço oferecido, o que soa óbvio na teoria, mas ainda distante quando é hora de colocar as mãos na massa.

E já que estamos falando em diferencial, o RH Pra Você teve a oportunidade de conhecer o processo de gestão de pessoas do Grupo Heineken e constatar o quanto empresas de tal porte são capazes de fazer significativa diferença na sociedade. 

Em entrevista, a Vice-Presidente de Recursos Humanos da companhia, Raquel Zagui, compartilha os principais desafios que o Grupo Heineken viveu e ainda vive durante a pandemia e também a postura assumida pela marca com seus fornecedores, colaboradores e clientes durante a realidade que 2020 nos impôs.

RPV: Mesmo que uma leva de iniciativas positivas seja aderida, um único erro de postura, manifestação ou ação certamente tende a se sobressair e virar o assunto de redes sociais, noticiários e afins. E quando falamos de empresas do porte do Grupo Heineken, a pressão e a cobrança social são ainda maiores. O quanto a pandemia da Covid-19 se provou um ‘teste de fogo’ para a reputação da marca e, de que modo, ela fez crescer a exigência por uma maior responsabilidade social por parte da companhia?

Raquel: A reputação é construída de dentro para fora. Se os colaboradores estão integrados à cultura da empresa, então temos um pilar de sustentação para externalizar como marca corporativa. Na pandemia, creio que sairemos mais próximos e fortalecidos como cultura, e empresa. Temos vivido o valor respeito. Desde que entrei no Grupo Heineken, muito se fala aqui dentro sobre tal valor, que é o que nos pauta e o que conduz as ações durante o período de pandemia. 

Nossa preocupação genuína com o colaborador, desde o primeiro momento, nos permitiu construir uma base de confiança. A partir disso, até nos cobramos um pouco mais a levar o que estávamos fazendo internamente, também para fora. Temos pessoas no campo, colaboradores que integram o grupo de risco, então nosso primeiro foco de ação foi interno. O Grupo Heineken conta com 14 mil funcionários, então foram necessários tempo e cuidado. Não ficamos preocupados com reputação externa sem antes cuidarmos dos funcionários e de suas famílias.

Pensamos muito em como garantir a segurança de quem não poderia ficar de home office. Mesmo que algumas situações de trabalho contassem com uma demanda alta, precisamos rever processos. O foco foi voltado em estar tudo certo e seguro para nossos funcionários. Em seguida, olhamos para o externo. Hoje, já investimos mais de R$ 16 milhões em ações para fora. Temos em mente que um trabalho em prol da sociedade é nossa obrigação e, portanto, é algo que estamos sempre fazendo. 

RPV: De que maneira foi trabalhada a relação e a comunicação entre liderança e colaboradores no processo de tomada de decisão a respeito de como a empresa enfrentaria a pandemia? O quão integrado é o trabalho do RH com as lideranças do negócio?

Raquel: Vivemos um processo acelerador e, também, transformador. O home office, por exemplo, já era uma prática que havíamos adotado, mas não pensávamos ainda no nosso vendedor trabalhando de casa. Então, foi um período de mudanças.

O RH, desde o início, sempre esteve muito próximo do negócio. Tivemos comitês diários para tomada de decisões e nós, como RH, lideramos e puxamos o gerenciamento da crise. Cuidamos de recursos humanos, mas também de saúde e segurança. Além disso, o Brasil tem a maior operação do Grupo Heineken no mundo, então há muitos olhos de fora aqui. Precisamos dar o exemplo. Temos uma liderança que genuinamente gosta de pessoas, o que é um facilitador para o trabalho do RH. E é importante que estejamos todos alinhados, uma vez que cada liderança cuida de milhares de colaboradores.

RPV: E como foi, então, na prática, o trabalho com os colaboradores para lidar com o risco oferecido pela COVID-19?

Raquel: Logo de cara, começamos com ações práticas. Quem não precisava trabalhar do escritório, já foi para casa. Grupos de risco não tem pressa para voltar. Aos poucos fomos entendendo o risco para cada indivíduo e, por segurança, ampliamos tais grupos. Seguimos as recomendações dos órgãos de saúde, desde as mais simples como distribuir máscaras a todos e realizar medições de temperatura, até a distribuição de produtos de limpeza para todos os funcionários. 

Os funcionários já tinham em mente que segurança sempre foi algo levado a sério pelo Grupo Heineken. Mas a pandemia aumentou essa compreensão. Eles passaram a entender o sentido do cuidado. Além disso, nós criamos canais também com a família dos colaboradores. Um espaço para que eles possam conversar com nossos médicos do trabalho, tirar dúvidas. 

Temos também canais com auxílio psicológico para o nosso time, antecipamos no início do ano o pagamento de bônus, pois estávamos cientes do quanto a situação poderia causar dificuldades na rotina das pessoas.

Temos comunicação diária e ainda não retomamos toda a equipe ao trabalho. Avaliamos os casos, o cenário atual, a ocupação de leitos de UTI, e com isso vamos retomando gradualmente, sem estar com o quadro cheio, e preparados para voltar atrás se for preciso. E com tudo isso, posso falar por mim, sem que seja um clichê ou algo do tipo, que nunca me senti tão próxima do nosso time.

RPV: Em um panorama normal, lidar com pessoas já é por si só um trabalho complexo. E a pandemia potencializa isso. Agora, entre outras coisas, é preciso lidar com os medos, as angústias, os impactos psicológicos que muitos colaboradores têm diante dos fatos ocorridos. E tudo isso cresce com falta ou excesso de informações e com as incertezas que ainda enfrentamos sobre a pandemia. Como é conduzido o trabalho em prol da saúde mental do time?

Raquel: Nosso público é muito heterogêneo. Temos pessoas das mais diversas faixas etárias, com tempo de empresa diferente. Em cada circunstância há um público mais padrão. Nas cervejarias costumam ser pessoas mais velhas e com mais tempo de casa, enquanto nossos promotores de venda em sua maioria são pessoas novas. Portanto, a questão do equilíbrio emocional significa situações diferentes para públicos diferentes que estão vivendo momentos de vida diferentes. Essa é a parte da complexidade e também do que empolga no trabalho do RH. Não há uma solução que vai ser a melhor para todos, então precisamos observar as individualidades.

Um dos nossos comportamentos de liderança é ‘segurança em primeiro lugar’. Pensamos no uso de EPIs, de máscaras, orientamos sobre os riscos e os cuidados que quem usa moto deve tomar, e igualmente identificamos o quanto a segurança psicológica é importante.

Tivemos muito cuidado na construção de um canal de confiança com os funcionários. Eles podem reportar qualquer sintoma e qualquer suspeita. Se ele achar que será discriminado ou financeiramente impactado, ele pode se sentir intimidado a falar. E nisso, seus colegas terão o mesmo sentimento, além da sensação de preocupação por trabalhar próximo de alguém que supostamente está com o vírus. Então, a gente tinha que estimular a pessoa a reportar. Por isso nosso time de saúde tem feito contatos pessoais com reporta algo.

Construímos uma base de confiança para a pessoa não se sentir culpada. Temos casos de pessoas de férias ou afastadas que se contaminaram em casa ou que sequer tem a ideia de onde pode ter se contaminado. Então, tínhamos que dar essa segurança. Na dúvida, você será deixado de quarentena, mas isso não terá impacto algum nem em como seu chefe te vê e tampouco em seu salário e benefícios. Isso tira um pouco do peso e do receio. E dá para notar o quanto eles se sentem seguros, principalmente pelo quanto eles se sentem próximos da gestão.

Ações do Grupo Heineken

Acima, na entrevista, tanto foi falado sobre ações internas externas do Grupo Heineken. Mas quais, então, seriam?

Confira abaixo algumas iniciativas da empresa durante o período de pandemia. Ações que tendem a se manter fortes mesmo após o controle da Covid-19:

  1. Foi uma das primeiras empresas a assumir o compromisso de não realizar demissões estruturais em 2020 como consequência da pandemia;
  2. Adotaram o trabalho remoto para todas as funções possíveis desde o início da quarentena;
  3. Reforço de medidas de sanitização e higiene, oferecimento de ajuda de custo e entrega de máscaras de tecido para 100% do time;
  4. Disponibilização de um canal de WhatsApp exclusivo de Saúde Corporativa para orientação e atendimento aos quase 14 mil colaboradores e familiares, disponível 24h e 7 dias por semana;
  5. Afastamento de todos os colaboradores que apresentaram qualquer um dos sintomas da COVID-19, colocando-os em quarentena e acompanhando-os diariamente pela equipe médica interna;
  6. Adiantamento do pagamento de benefícios, como o bônus anual, para ajudar financeiramente os colaboradores e suas famílias;
  7. Comunicações diárias pelos canais internos, com atualizações e orientações para todos os colaboradores;
  8. Reforço do canal de apoio psicológico, que já era disponível para todo o time, encaminhando também os colaboradores que indicaram estar precisando de ajuda neste momento;
  9. Definição de novas escalas para as refeições nos restaurantes das cervejarias, evitando aglomeração nesses locais, e separação das mesas com placa de acrílico para evitar qualquer contato;
  10. Implantação de processo de medição de temperatura na entrada de todas as unidades para colaboradores e terceiros essenciais ao negócio;
  11. Afastamento de todos os colaboradores que fazem parte dos grupos mais vulneráveis, sem qualquer impacto salarial, desde o início da quarentena;
  12. Realização de campanha de vacinação contra gripe, fornecendo a dose tetravalente para garantir maior imunidade;
  13. Comunicações diárias pelos canais internos, com atualizações e orientações para todos os colaboradores, que incluem o movimento “Onda Positiva”, focado em trabalhar materiais de otimismo e positividade - como dicas de programas para fazer em casa, live com psicólogos, parcerias para promover atividades físicas, compartilhamento de playlists de músicas, live com médicos parceiros, cuidados especiais com os pets etc. - visando manter o clima da organização mais leve para os colaboradores e prezando por sua saúde mental e física;
  14. Parceria com fornecedores de cadeira e mesas de escritório que oferece até 35% de desconto, para que os colaboradores possam melhorar a estrutura de home office;
  15. Desenvolvimento de um guia dedicado ao colaborador HEINEKEN e sua família, principalmente aos que pertencem ao grupo de risco, com dicas práticas de prevenção e cuidados no dia a dia para que possam cuidar e proteger uns aos outros;
  16. Realização de uma live de conscientização e sensibilização para colaboradores e familiares no YouTube, que impactou cerca de 40 mil pessoas e contou com a participação do médico parceiro do Grupo para tirar dúvidas ao vivo, além de destacar todas as iniciativas que a companhia tem trabalhado durante a pandemia;
  17. Criação do canal COM VOCÊ Família, por meio do qual os familiares dependentes e que residem com os colaboradores do Grupo podem entrar em contato direto com o time de Saúde Corporativa para tirar dúvidas e relatar sintomas;
  18. Envio de kits de higiene pessoal e do lar para os colaboradores do grupo de risco e que trabalham diretamente no campo.
  19. Criação de uma plataforma em parceria com o Albert Einstein para ajudar bares e restaurantes durante a pandemia.
  20. Parceria com o Goomer para criar uma solução de cardápio digital para auxiliar bares e restaurantes.

“A gente reconhece que está fazendo algo importante pelo Brasil e também pela sustentabilidade e longevidade da própria empresa. É claro que é um ano que tende a ser mais difícil em termos de resultados, mas quando assumimos ações como não demitir ninguém durante a pandemia, é porque temos a preocupação com a saúde e com o psicológico de nossa equipe”, finaliza Raquel.

Para saber mais

Para conhecer mais sobre os processos de trabalho e iniciativas do Grupo Heineken, e para se antenar sobre os assuntos mais importantes e em alta no universo dos Recursos Humanos, convidamos você a participar do RH TopTalks, um dos principais eventos sobre gestão de pessoas de 2020.

Acesse o banner abaixo para mais informações e faça já sua inscrição!

Você também vai gostar