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Paciência - Uma virtude na comunicação de um líder

Coluna 1792

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Recebi recentemente, uma mensagem dessas que a gente recebe pela internet, falando de um gestor novo de uma empresa, que chegou determinado a mudar o estilo de administração atual, visando um melhor resultado. Chegou cheio de coragem, querendo ser objetivo e muito prático. Logo de início, acompanhado de vários assessores, foi fazer uma inspeção na fábrica. Por onde passou, viu que todos estavam trabalhando, menos um jovem que estava sem fazer nada, encostado em uma parede com as mãos no bolso.

Aproveitando a oportunidade para mostrar seu estilo, perguntou ao rapaz: Quanto você ganha por mês?

- Seiscentos reais, por quê?

O novo diretor tirou do bolso seiscentos reais e deu ao rapaz. Disse a ele que fosse embora e não voltasse nunca mais. O rapaz guardou o dinheiro e foi embora. Em seguida, o diretor perguntou aos trabalhadores: - Alguém sabia o que o sujeito fazia aqui?

- Sim senhor, responderam. Veio entregar uma pizza e estava esperando o troco.  E qual a moral da história? Muitas vezes, há pessoas que desejam tanto MANDAR, que se esquecem de PENSAR. Fui saber depois que se tratava de um texto de Luís Fernando Veríssimo.

Este caso, ilustra bem muitos dos problemas relacionados à atitude e comunicação de muitos líderes, que ansiosos por vencer, mostrar os resultados do seu trabalho, mandar, mostrar sua capacidade, ficar bem com seus superiores, acabam se esquecendo de pensar, ou seja, de conhecer o ambiente, o público alvo, prazos, e as diferenças individuais. Agem por impulso, ao invés de manter uma ação e comunicação estruturada e planejada em conformidade, com um comportamento coerente e maduro.

Não é fácil, eu sei, para um líder, em especial, um novo líder, agir com equilíbrio e ponderação. Isso vem com o tempo, mas na ânsia de mostrar serviço e fazer o que tem que ser feito, pode gerar frustrações, justamente por não ter tido a paciência adequada para organizar e melhor estruturar, um procedimento congruente com o contexto e nos padrões de qualidade e tempo esperados.

Conhecimento sobre o que tem que ser feito é fundamental, mas atitudes relativas ao como fazer, passam a ser até mais importantes. Diante disso, sugerimos o método F.A.L.A.R., metodologia que correspondente a um processo pelo qual todas as decisões deveriam ser filtradas.

O nome F.A.L.A.R. é, na verdade um acróstico, uma palavra com várias letras e cada letra tem seu significado. Vou compartilhar com você e ainda, sugiro que entenda o quão poderá ser útil este conteúdo, daqui em diante, para que possa aplica-lo nas suas comunicações e atuações como líder.

Para todas as ações, o primeiro passo é ter clareza da Finalidade – (F), ou seja, a meta a ser atingida, ou o objetivo a ser alcançado. Assim sendo, não vou me precipitar em dispensar um entregador de pizza, muito embora a intenção fosse positiva e se referisse a ter pessoas focadas, envolvidas e comprometidas com o trabalho.

O segundo passo, após definida a finalidade, é a Análise – (A), que trata de um estudo sobre os prós e contras, sobre as forças favoráveis e desfavoráveis que podem impulsionar ou minimizar o efeito da comunicação. Nessa relação de itens positivos e negativos, devemos observar os talentos, as habilidades, os conhecimentos, os limites e as forças contrárias que impedem ou poderiam impedir a consecução do objetivo. Na fase final da análise, sugiro desenvolver um plano de ação, e definir o que deverá ser feito, como as coisas deverão acontecer e os prazos esperados para essas ações serem concluídas.

O próximo passo é a Lapidação – (L), ou seja, a realização do que foi planejado e estruturado. Isso significa ter gente competente e preparada para fazer o que tem que ser feito, por meio das devidas orientações, subdivididas em fases, ajustando critérios, treinando pessoas e obtendo recursos para a devida realização do que foi previsto.

Na sequência, é o momento de se fazer a Avaliação – (A), mensurar o resultado a partir do que era esperado. Se tudo estiver bem, as ações resolveram o que era previsto, atingimos a última etapa – o resultado. Se porventura, o resultado não foi atingido, é preciso voltar para a lapidação daquilo que ainda precisa ser refeito, até que o resultado completo seja alcançado.

O Resultado – (R) é o final do processo. A partir daí se estabelece uma continuidade, para se preservar o que foi conquistado e para que a atuação passe a se configurar nesse novo patamar.

Um dos atributos fundamentais da boa decisão é a paciência. Não significa procrastinação, mas bom senso necessário, para a obtenção de um mínimo de informações, ponderação, equilíbrio e congruência entre o que se espera realizar e a escolha dos melhores caminhos para essa realização. Normalmente, decisões precipitadas não são as melhores, pois muitas vezes, são feitas por impulso ou sem as informações mínimas para decidir.

Certo é que em algumas circunstâncias, precisamos usar a intuição, o bom senso, e a sensibilidade para fazer escolhas. Entretanto, um bom discernimento pode nos apontar a emergência das situações e nos orientar com paciência para não nos arrependermos.

É disso que um bom líder precisa, e acima de tudo, saber cultivar esses aspectos, enquanto que, a arte da empatia, nada mais é que a habilidade de, efetivamente, se colocar no lugar do outro, entender o seu jeito de ser, seus medos, seus comportamentos, seu momento psicológico, ou o porque de ter agido de tal forma. Isso exige também paciência.

Por outro lado, para ouvir, uma das principais dificuldades no processo da comunicação, antes de mais nada, precisamos evitar julgamentos, segurar a fala, prestar atenção, perguntar se tiver dúvida do que foi dito, perguntar de novo e de novo até que se tenha entendido exatamente o que foi comunicado. Uma das melhores formas para saber, de fato, o que o outro disse, não é perguntar se o outro entendeu, mas perguntar: - O que você entendeu do que eu disse? Aí sim terei, quando ouvir a resposta, a certeza de que aquilo que foi falado, foi devidamente decodificado conforme a intenção inicial.

Por isso, diante de um mundo tumultuado com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, diante de um contexto de velocidade e bombardeio de informações, a paciência se torna cada vez mais uma virtude rara. Sugiro que seja paciente, um líder coerente e congruente, que sabe ouvir, calar, e criar empatia em todas as relações. Somente assim, terá mais facilidade para engajar, motivar, envolver e influenciar pessoas, em especial, seus liderados.

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO do Instituto Passadori. é um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação