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Otimismo executivo segue em alta com a pandemia, mas a pressão também

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Anualmente, a ADP, uma das principais empresas de gestão de capital humano no mundo, lança o relatório “The Workforce View”, um estudo global que identifica as principais tendências - positivas e negativas - presentes dentro das organizações.

Em 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus, a pesquisa foi dividida em dois cenários: pré e pós-Covid-19. Confira abaixo os dados levantados com os mais de 40 mil respondentes.

Otimismo é a bola da vez

Em circunstâncias “normais”, ou seja, antes da propagação do vírus ao redor do planeta, gestores e colaboradores entrevistados demonstraram otimismo quanto aos próximos cinco anos no trabalho. O relatório da ADP revelou que mais de 92% do público participante da pesquisa acreditam num futuro positivo para o mercado. 

Um dos fatores que contribui para a visão otimista é a lealdade. 58% planejam ficar de 2 a 10 anos em uma mesma empresa, enquanto 16% desejam passar mais de 10 anos no mesmo local de trabalho ou até se aposentar nele.

Com a chegada da pandemia da Covid-19, o otimismo teve uma queda natural em seu índice, porém ainda se manteve alto. O estudo mostrou que 84% dos trabalhadores - especialmente os mais jovens - ainda estão positivamente confiantes quanto aos próximos anos no trabalho. 75% esperam que, em 2021, a situação ganhe contornos que favoreça o crescimento das empresas e o próprio.

Segundo Mariane Guerra (foto abaixo), vice-presidente de RH da ADP na América Latina, o cenário macroeconômico em países com uma economia mais sólida contribui para que o otimismo se mantenha. “Os Estados Unidos voltaram a crescer, a Europa começou a se recuperar da crise que vive há alguns anos, a Ásia está se fortalecendo economicamente. Isso influencia e há uma questão cultural também”, pontua.

Além disso, esse otimismo tem a ver com as novas profissões que estão surgindo, com as novas carreiras, então as pessoas têm a sensação de que há novas oportunidades surgindo. Cada vez mais, também, a economia se globalizou. As pessoas não são reféns da localidade onde estão. Se a economia em determinado lugar não está bom, há a alternativa de se deslocar a outro para prestar serviços. Tudo isso contribui para o otimismo”, acrescenta a vice-presidente de RH. 

Uma nova onda de habilidades

Com o desenvolvimento tecnológico, atividades profissionais se renovam, se adequam e até mesmo deixam de existir. Um em cada três respondentes já trabalha em alguma função que não existia há cinco anos, o que reforça a capacidade de se reinventar como umas das principais habilidades para uma carreira de sucesso.

Além disso, há também a crença para muitos trabalhadores (22% no relatório pós-Covid) de que, nos próximos cinco anos, sua profissão atual não existirá

“Apesar de haver essa crença de que determinadas funções não existirão mais, percebe-se que as pessoas se mostram confiantes. Caso contrário, por exemplo, o otimismo não estaria tão alto. Não é à toa que, de acordo com a pesquisa, 95% acham que possuem as habilidades necessárias para trilhar uma carreira de sucesso. No geral as pessoas acreditam que são capazes de se adaptar e se desenvolver. É um processo, inclusive, que aproxima gerações no mercado de trabalho, pois profissionais mais velhos também precisam se atualizar, acompanhar o que há de novo no mercado”, destaca Mariane.

Discriminação ainda é fortemente presente

Os dois relatórios trouxeram números preocupantes no que diz respeito à discriminação em ambiente de trabalho. 

No estudo, 59% dos participantes declararam que, em caso de discriminação ocorrida em âmbito corporativo, eles não saberiam para quem reportar. 60% sequer se sentiria à vontade para compartilhar o ocorrido com alguém na empresa, enquanto 19% não acreditam que o RH tem práticas eficientes para combater ações discriminatórias.

“Pensando em Brasil, temos uma questão estrutural. O preconceito estrutural é uma realidade. Precisamos de ações afirmativas disciplinadas para nadar contra a correnteza. Escutamos muito as empresas falarem sobre programas de diversidade e inclusão, mas, na prática, os números ainda são sofríveis. Há empresas em que 95% dos funcionários são de um mesmo padrão e elas se declaram diversas e iguais por conta dos 5%. As pessoas avaliam melhor quem se parece com elas, o chamado viés de afinidade, o que contribui para que o cenário não mude. As pessoas precisam pôr o dedo na ferida e olhar para isso com mais honestidade”, critica Mariane. 

O trabalho flexível ganha força, mas a pressão cresce

Se antes da pandemia a flexibilidade não era um tema ainda tão integrado aos negócios, a chegada da Covid-19 promoveu uma mudança impactante. Pré-Covid, somente um a cada quatro profissionais atuavam em alguma empresa com políticas flexíveis de trabalho. A ação do vírus, porém, impulsionou a estatística, que de 24% saltou para 44% de gestores e colaboradores atuando com políticas de flexibilidade.

Porém, embora o teletrabalho e o home office tenham ganhando força no panorama pandêmico, 54% dos participantes alegaram ter sentido algum tipo de pressão para retomar às atividades presenciais durante o isolamento. Além disso, no primeiro relatório foi identificado que, ao menos uma vez por semana, 62% dos trabalhadores sofrem com o estresse e nem mesmo ¼ deles se diz à vontade para compartilhar com supervisores e gestores questões ligadas à saúde mental. O cenário de estresse se potencializou durante a pandemia, trazendo consigo ansiedade, tristeza, depressão, entre outros sentimentos e sensações ruins.

A tendência é que passe a existir um modelo híbrido, mesclando alguns dias trabalhados de casa com alguns na empresa. Apesar do aumento da estatística do trabalho flexível, uma vez que mais da metade dos profissionais diz que houve pressão para voltar ao espaço físico do negócio, nota-se que ainda existe uma certa insegurança das organizações quanto ao trabalho remoto. Depois que foi rompido o paradigma do trabalho flexível - com avaliação positiva em tantas empresas -, é muito difícil que a gente volte para uma rotina exclusiva de escritório”, diz a executiva. 

E o salário, como fica?

Aqui no Brasil, os últimos meses foram de incerteza para muitos profissionais. Reduções salariais, suspensões de contrato e demissões em meio à crise foram a realidade (e o medo) de quem encarou um ano tão atípico. Em escala global, 38% dos colaboradores revelaram que aceitaram encarar a redução salarial, desde que seu emprego fosse mantido, uma situação que 32% não se mostram dispostos a encarar.

A flexibilização do trabalho trouxe, ainda, um problema: o abuso. 19% dos colaboradores revelam que trabalham 11 ou mais horas por dia e não recebem nenhuma remuneração adicional (antes da pandemia, a estatística estava na casa dos 15%).

Para saber mais

Uma das pesquisas mais importantes do mercado, a The Workforce View pode ser acessada completa em https://www.adp.com.br/ebooks-e-infograficos/. Não deixe de conferir tudo o que os relatórios trazem sobre a América do Sul e o mundo! Aproveite e veja também as outras pesquisas realizadas pela ADP.

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