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Os caminhos da accountability

Coluna 354

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Embora seja um tema muito comum no contexto empresarial, nem todos conhecem o significado dessa palavra tão poderosa e significativa – accountability. Sua origem vem da contabilidade e, no seu início, era apenas uma forma de aferir os resultados dos documentos contábeis, relacionados a balanços, custos e a vida financeira de uma organização. Com o tempo ganhou uma nova dimensão, ampliando seu conceito para um padrão cultural vinculado à ética e bons costumes, desde a esfera governamental e dos comportamentos dos profissionais em geral, independentemente da sua área de atuação.

Para o nosso idioma, a melhor tradução é “ter responsabilidade com ética” e está relacionada a fazer bem feito da primeira vez; a consciência de fazer conforme a obrigação, às regras existentes, em conformidade com regulamentos e normas pré-estabelecidas. Mais do que isso, é ir além, pois exige de quem tem uma responsabilidade por uma função ou missão fazer bem feito, como um movimento que flui de fora para dentro e, ao mesmo tempo, de dentro para fora.

O conceito de accountability possui significados variados. Normalmente é tratado em aspectos da responsabilidade civil, imputabilidade e obrigatoriedade na prestação de contas. Mescla-se com o termo “governança” tanto nas atividades da vida pública, como na vida privada, a exemplo da controladoria e contabilidade de custos. Pune comportamentos inadequados aos efetivamente estabelecidos.

Os princípios básicos de Governança corporativa definidos pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) geram clima de confiança e na transparência com terceiros.

Tais princípios são:

  • Transparência, que implica em que se disponibilizem todos os dados (não apenas os exigidos por lei, mas todas as informações vinculadas ao bom exercício da ação gerencial);
  • Consideração de interesses, necessidades e expectativas de todos os envolvidos (stakeholders), incluindo os seus objetivos;
  • Prestação de contas – É a essência accountable propriamente dita, onde os profissionais prestam esclarecimentos sobre suas ações e assumem a responsabilidade plena sobre seus atos;
  • Responsabilidade Corporativa, gerando condições para a viabilidade econômico-financeira das organizações, criando ferramentas de planejamento, gestão e administração de diversos recursos (financeiro, intelectual, humano, social e ambiental.

A atuação ética da accountability é o principal gerador da confiança, subdividida em três segmentos: autoconfiança, confiança que passamos a ter nas pessoas e nos processos e, principalmente, a confiança conquistada. Não há como se perpetuar o sucesso sem o fator confiança, pois mesmo em relações informais, se perdemos a confiança, perdemos tudo. Imagine isso então para o contexto das organizações.

Nas relações de trabalho há a responsabilidade, as obrigações e a prestação de contas. Já vi casos em que profissionais se sentiram incomodados com a auditoria ou avaliação do seu trabalho, talvez por falta da cultura ou de informações relacionadas à estrutura gerada pela gestão apoiada pelo conceito de accountability.

Apresento alguns tópicos relativos a esse conceito:

  • Prestação de contas – Não se pode pensar em autonomia plena de um determinado segmento que se inter-relaciona com outros. O que há é a complementariedade, daí a necessidade dessa satisfação a ser dada para outros envolvidos ou para o gestor responsável pela atividade;
  • Troca de Informações – A dinâmica do processo pressupõe ajustes a cada momento para o estabelecimento desse conjunto de ações, visando excelência nos resultados;
  • Direitos e deveres – Atividades feitas com o suporte de um planejamento pressuposto que cada qual cumpra a sua parte, tendo a consciência das suas obrigações que, automaticamente, cria direitos e deveres relacionados ao processo a ser executado;
  • Ter a visão do dono – Nesse contexto há a expansão da percepção para a ação (não só restrita à mensuração e avaliação dos resultados, mas a visão mais ampla objetivando resultados), normalmente enxergado com mais nitidez pelo dono do negócio. Um colaborador que amplia a sua visão age proativamente e é mais comprometido com os resultados.

No contexto corporativo, podemos pensar em accountability como uma prestação de contas e geração de resultados por meio de ações proativas em benefício de um sentido superior. É nesse cenário que a comunicação se torna instrumento fundamental no comportamento transparente e ético nos ambientes organizacionais e nos processos de accountability. Aprendi a sua dimensão muito mais ampla, que pode favorecer os bons ou maus resultados de uma organização.

E nos dias de hoje, o accountability, somado a uma comunicação humanizada e transparente, tem sido adotada como estratégia para a identidade e reputação de organizações, públicas e privadas. Nesse processo, a comunicação é instrumento fundamental tanto para facilitar o acesso à Informação, construção do discurso institucional e corporativo, utilizando as técnicas e processos da comunicação empresarial, quanto da comunicação verbal por meio de um diálogo aberto, objetivo, conciso, humano e engajador com todos os públicos das organizações.

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO da Passadori Comunicação, Liderança e Negociação. É um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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