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O Suicídio Do Rh

Coluna 585

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Os processos de RH estão cada dia mais tecnológicos. A folha de pagamento já pode ser acessada pelos colaboradores sem o tradicional holerite entregue pessoalmente. Pela intranet da empresa, eles podem verificar informações como férias, FGTS, direitos trabalhistas e benefícios como vale-transporte e alimentação, planos de saúde e odontológico. O contato com Recursos Humanos passou a ser impessoal, e muitas vezes inexistente. Até mesmo os treinamentos internos ou externos são comunicados por e-mail, e os líderes utilizam mais as redes sociais do que o tradicional olho no olho. Nas reuniões, o foco está sempre nas metas e nos resultados que precisam ser obtidos por todos. Formar times e liderar num contexto como este reduz o engajamento dos
colaboradores e a sensação de felicidade no trabalho.

Sempre acreditei que se lidera pelo exemplo, e este distanciamento entre as pessoas gera conflitos não explícitos. Mesmo com pesquisas positivas de satisfação do colaborador com a empresa e o engajamento em alta, o RH não pode confiar na aparente calmaria emocional. É preciso romper com os tradicionais feedbacks que escamoteiam a realidade da pressão diária, o medo de perder o próprio posto de trabalho. Afinal, tempos de desemprego em alta e economia em baixa costumam gerar insegurança e estresse no trabalho.

Acredito que a gestão de pessoas precisa ser repensada em sua filosofia mais pura. Cuidar de gente não é apenas atender suas demandas mais básicas e fazer pesquisas de clima. É preciso criar grupos para diálogos difíceis, dentro dos quais cada um possa expor exatamente o que sente na organização e em relação aos seus líderes. A proteção de muitos em cargos de chefia mina a transparência e os verdadeiros sentimentos dos colaboradores.

Não se trata de otimismo ou pessimismo no que tange às relações humanas no trabalho, e sim da necessidade de um olhar mais crítico às boas avaliações apresentadas por consultorias internas e externas sobre a satisfação dos colaboradores. Diz um ditado francês “Il faut se méfier”, ou simplesmente “É preciso desconfiar”. Por isso o gestor de pessoas precisa buscar ter contatos informais com todos na empresa, promover encontros não agendados entre os vários departamentos e, sobretudo, ter uma escuta apurada para temas como assédio moral e sexual.

Os custos das indenizações por processos decorrentes desses dois temas citados, os ganhos na justiça do trabalho por demissões nem sempre justificadas, bem como a perda de talentos, por si só, evidenciam a necessidade de uma avaliação mais cuidadosa e cautelosa de quem está à frente da gestão de pessoas. É preciso evitar o suicídio do próprio RH, que quer ser reconhecido e valorizado por todos. Dentro ou fora da empresa, os olhares estarão voltados para o segmento, e é dele que se espera um olhar mais apurado sobre a felicidade no mundo do trabalho.

Por Alexandre Garret, jornalista e CEO da SFG - Publicações e Treinamentos. É um dos colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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