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O ser humano tem medo - provoque a confiança

Coluna 654

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Sabemos que o cérebro é o órgão mais importante do sistema nervoso, uma verdadeira máquina de conexões que envia milhares de informações e elabora sinapses durante o tempo todo, mesmo sem percebermos. Ele também pode ser um grande sabotador da nossa confiança se não soubermos o funcionamento dele.

Sob a ótica da neurociência, é possível dizer que o cérebro percebe duas vezes mais forte as situações como ameaça do que como recompensa. Por isso, quando nosso cérebro capta informações e as identifica como ameaça, nosso corpo tem uma reação aguda. O sistema nervoso assume o comando e desencadeia a reação de lutar, paralisar ou fugir resultando em impotência e ansiedade que acabam debilitando as funções executivas que são cruciais para enfrentar desafios e otimizar as funções do sistema límbico.

Como ser mais confiante e eliminar o medo?

Um estudo feito pela americana Amy Cuddy, psicóloga social e pesquisadora da Harvard Business School diz que se mantivermos nossa mente no momento presente podemos mudar positivamente a forma como lidamos com nossas reações facilitando, consequentemente, a forma como lidamos com situações desafiadoras.

É muito fácil e rápido desviarmos nossa atenção do momento presente. Qualquer distração, interna ou externa, pode fazer com que desviemos, rapidamente, do que realmente importa. Você já percebeu que, dificilmente, nossa mente está no momento presente?

Vivemos em três dimensões: presente, passado e futuro

É muito comum nossa mente se distrair com as memórias do passado ou projeções futuras. Normalmente, nos preocupamos com que os outros pensam sobre nós ao invés de darmos a devida atenção ao que, de fato, é importante.

Em função disso passamos a nos sentir ameaçados e com medo. Como já mencionei, anteriormente, quando nos sentimos desafiados ou ansiosos, nossa tendência natural provoca dois tipos de reações que nos afastam do momento presente:

  1. Fugir- impede nosso envolvimento com o que é necessário
  2. Lutar - também nos tira do momento presente porque esse comportamento pode não refletir a realidade

Portanto, manter nossa mente atenta ao momento presente exige muito treino e disciplina. Se quisermos ser mais autoconfiantes e sentir menos medo essa é uma habilidade extremamente necessária.

Quando nos sentimos presentes, atento ao que estamos fazendo, tudo se alinha automaticamente. Pensamos, sentimos e agimos de forma integrada e, consequentemente, temos mais confiança e transmitimos essa confiança para as pessoas ao nosso redor. E, para que isso aconteça, precisamos refletir.

Temos o costume de refletir pouco sobre nós mesmos e fazer muitas coisas, às vezes, ao mesmo tempo. Deveríamos ter em mente que somos seres humanos e não máquinas ou robôs. O ato de fazer sem refletir não traz à consciência o seu valor como individuo. Desta maneira, perdemos a construção da autoestima, fator importante para identificar nossa própria capacidade para enfrentar as situações.

Uma pessoa com boa autoestima não necessita da validação externa para prosperar nem desmorona ao primeiro sinal de ameaça. Ao invés de se preocupar com a validação externa ela se conecta com o momento presente, com as ações que devem ser realizadas e tem tempo para refletir sobre o seu próprio comportamento perante as situações. Ter consciência sobre si mesmo traz a percepção sobre os comportamentos que devem ser reconhecidos como positivos e os que devem ser desenvolvidos.

Transformar nosso comportamento depende das recordações que tivemos sobre nossas experiências

Nosso cérebro gosta de automatizar todos os comportamentos que trazem alguma forma de recompensa afetando os comportamentos que poderemos escolher repetir, inconscientemente.Quando, de fato, não conhecemos a nós mesmos podemos escolher, de forma inconsciente,por exemplo, desviar de situações que nos pareçam ameaçadoras.

A falta de autoconhecimento leva nosso olhar para situações e não para nós mesmos. A autoconfiança consiste em ter consciência sobre a própria maneira de pensar, sobre valores e determina quais ações serão necessárias para seguirmos adiante. Se nossas ações não forem coerentes com nossa personalidade, não somos fiéis a nós mesmos.

Construir a própria história é a melhor maneira de conhecermos a nós mesmos entendendo os fatos e as habilidades que nos fizeram ser quem realmente somos.  Sendo assim, nossas próprias escolhas são as responsáveis por alcançarmos ou não determinados desejos.

Autonomia como recompensa

É importante ressaltar que nosso cérebro busca recompensas físicas e sociais e a autonomia é uma das necessidades sociais que buscamos como recompensa. Quando temos autonomia nos sentimos livres de ameaças e em segurança. Sentimos ter o controlesobre as situações e isso é muito bom porque aumentamos nossa capacidade de sintonizar com oportunidades, otimizamos nosso entusiasmo e confiança, que são os indicadores essenciais de sucesso.

Nossos pensamentos mudam nossas posturas e nossas posturas alteram nossos pensamentos

Baseado em pesquisas feitas por Amy Cuddy, adotar posturas de confiança fazem a testosterona aumentar e o cortisol diminuir. A testosterona e o cortisol flutuam em reações às mudanças de poder e status do indivíduo. Esse perfil está associado a alta assertividade e baixa ansiedade para facilitar o senso de presença em momentos desafiadores.

Talvez, a descoberta mais importante deste estudo mostre que adotar posturas expansivas e abertas faz com que nos sintamos melhor e mais eficientes de várias maneiras. Além das posturas, as práticas meditativas são eficientes para o desenvolvimento da consciência emocional. Reconhecer que tipo de emoção está presente e como ela se manifesta no corpo e na respiração ajuda a pessoa a retomar o controle de si.

Tão importante quanto ser autoconfiante é ter a capacidade de correr novos riscos. Muitas vezes,os riscos provocam medo. Não podemos ganhar mais habilidades se não enfrentarmos novos riscos. É necessário entender que novos desafios virão, mas podem ser apenas oportunidades de desenvolvimento e não ameaças.

Por Katia Gaspar, especialista em Desenvolvimento do Potencial Humano. É uma das colunistas do RH Pra Você.