- Início

- Conteúdo

O retorno ao trabalho presencial e a importância da vacinação

Compartilhe Este Post

Com a pandemia de COVID-19, a rotina dos escritórios mudou. Considerando a alta transmissibilidade do novo coronavírus, as empresas vivenciaram o “novo normal”, afastando seus funcionários da operação presencial e adotando regimes de colaboração remotos. Aos poucos, empresas de diferentes segmentos têm implementado seus planos de retorno gradual e, com os diversos protocolos de proteção dos colaboradores, nota-se que o ambiente corporativo já não é mais o mesmo.

Entre as mudanças estará o maior cuidado, tanto das empresas quanto dos colaboradores, quanto às medidas de prevenção de doenças. Dados do estudo “Gestão de Pessoas na Crise da COVID-19”, realizado pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e parceiros, demonstram que durante a pandemia as companhias estão mais preocupadas com o bem-estar dos funcionários, sendo que 45% das instituições entrevistadas estão levantando informações sobre a saúde dos colaboradores, além de adotar medidas para evitar situações de contágio dentro de suas instalações.

Nesse contexto, a vacinação também se mostra uma aliada na proteção de doenças comuns, mas altamente contagiosas, como a influenza, aumentando a imunidade das pessoas e diminuindo as taxas de absenteísmo no ambiente corporativo.

Apenas este ano, segundo dados do Ministério da Saúde, foram notificados 669.606 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) hospitalizados, considerando casos confirmados de COVID-19, influenza e de outros vírus respiratórios no País. O contexto é preocupante, não só pela gravidade da pandemia, mas também quando observamos que já há estudos apontando um risco aumentando em pessoas com dupla infecção por vírus respiratório, como o de influenza e COVID-19. Já em 2019, antes mesmo da pandemia, segundo pesquisa realizada pelo IBGE 21% dos entrevistados relataram problemas respiratórios como impedimentos para a realização de suas atividades habituais³. A mesma pesquisa, conduzida em 2013, apontou um percentual de 17,8% para a mesma pergunta, com queixas específicas de gripe e resfriados como impeditivos.

Doença comum e altamente transmissível, a influenza é uma infecção viral aguda do sistema respiratório com elevada taxa de transmissibilidade, com capacidade de gerar surtos frequentes no ambiente de trabalho. Tanto é que a enfermidade está inserida na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT) atualizada pelo Ministério da Saúde em agosto de 2005. A vacinação é considerada a intervenção mais importante na redução do impacto da influenza, sendo que estudos demonstram que a imunização pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias, além de contribuir para a diminuição de faltas ao trabalho.

Outro aspecto extremamente importante conectado à questão da vacinação contra influenza está relacionado não só à prevalência, mas também à gravidade dos quadros clínicos. A atual campanha da Federação Mundial do Coração (WHF) de 2020, aponta que a vacinação tem papel essencial na prevenção de ataques cardíacos, já que a gripe aumenta o risco desse tipo de intercorrência em até 10 vezes. Segundo o levantamento, a vacinação pode reduzir esse risco em até 45%.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda que as empresas disponibilizem vacinas para algumas doenças, como hepatites A e B, febre amarela e sarampo. A justificativa para a implementação dessa estratégia vai além da imunização em si, passando também pelo incentivo de hábitos saudáveis e diminuição de morbidade.

Na retomada ao local de trabalho, as empresas podem contribuir com diversas atitudes para aumentar a imunização de seus colaboradores, como projetos de sensibilização dos times, promoção de campanhas de vacinação ou, até mesmo, da adoção de um Programa de Vacinação Ocupacional. Além disso, a vacinação se soma aos hábitos adotados durante a pandemia de COVID-19 que colaboram para a prevenção de surtos de doenças respiratórias, como cobrir boca e nariz ao tossir e espirrar, afastar funcionários que apresentem sintomas de doenças transmissíveis e encorajar a higienização constante das mãos.

Estamos em um momento de muitos aprendizados com a pandemia provocada pelo novo coronavírus. E, se não existiam antes, alguns hábitos de saúde deverão ter ainda mais destaque no futuro. Entre eles, está a vacinação, que contribui para que o indivíduo esteja apto para exercer plenamente a sua vida pessoal e profissional. Afinal, ninguém é criativo, produtivo, engajado e feliz se não estiver saudável.

Por Dra. Kelem Chagas, gerente médica de vacinas da Sanofi Pasteur

Você também vai gostar