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O Que O Rh Tem A Ver Com Vendas?

Recursos Humanos

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Ao lermos o título deste texto, já pensamos que ele vai abordar a transformação digital na área de Recursos Humanos, que revela a necessidade de contar com profissionais atualizados em relação às novidades e tecnologias, pois elas viabilizam as melhores práticas de gestão. Claro que essa transformação é importante e mantém a empresa sempre competitiva por meio da otimização de processos, mas esta não é a abordagem aqui.

Lembre-se: Tecnologia é meio. Quem opera a tecnologia é o ser humano. E esse ser humano precisa estar cada vez melhor na sua essência. Na era digital, o grande diferencial, de fato, é o ser humano.

Um dado importante sobre o sistema educacional é de que 65% das crianças que estão hoje na escola irão trabalhar em empregos que ainda não foram inventados. A questão é: o mundo está mudando em uma velocidade cada vez mais exponencial e a sala de aula continua sendo, basicamente, a mesma. Então, existe um desafio grande que não está só dentro das escolas, mas também está no mundo corporativo.

“É incrível como ainda tem gente que “reclama” que precisa ir para treinamento ou acha que treinamento é castigo. Isso significa que a área de RH também precisa entender a forma como estamos entregando o desenvolvimento. Ou seja: nós estamos atuando para despertar o interesse de pessoas para aquilo que é importante para as suas carreiras, que vai impactar no negócio, ou estamos tentando enfiar “goela abaixo” aquilo que faz sentido?”, pontua Carol Manciola, palestrante e Sócia-Diretora da Posiciona Educação e Desenvolvimento.

Atualmente, o sistema de treinamento organizacional é muito focado em três pontos principais: produtividade, produto e preço. Se tem uma coisa que a era digital vai obrigar que todo e qualquer profissional de toda e qualquer área da organização a pensar é no impacto que o seu trabalho tem nos resultados das organizações.

O significado das palavras não deve ficar focado em produtividade (fazer mais, com menos) ou produto (no sentido de qualidade) e preço (no sentido de preço baixo). “Quando falamos em produtividade, queremos falar de propósito, entrega, doação, paixão, inovação. Em como fazer com que as pessoas doem o melhor de si. Quando falamos em produto, queremos dizer algo que seja inovador, que ofereça ao cliente muito mais do que o produto ou o serviço em si, mas a sua aplicação em nossas vidas. E preço, estamos falando de algo que atualmente é fundamental, que é o de agregar valor”, afirma Manciola.

Como o profissional consegue agregar valor ao negócio

É importante entender que todos nós, de alguma forma, somos um produto e que também precisamos agregar valor. As competências requeridas para os profissionais do futuro são competências reais, nos diferenciando das máquinas, como por exemplo:

Resolução de problemas complexos – Ou seja, a nossa capacidade de pensar fora da caixa, dentro da caixa, mas pensar em solucionar problemas pelos quais a ainda não tenhamos as respostas.

Pensamento crítico – Com a nossa capacidade de julgamento, de compreensão, de ir além daquilo que é óbvio.

Criatividade – No sentido de como inovar com poucos recursos.

Gestão de pessoas – Que é um desafio para toda a organização, e não somente do RH. Quem lida com pessoas precisa saber gerir pessoas.

Coordenação – Diante de um mundo que exige cada vez mais a disciplina, conseguir colocar o máximo de tarefas dentro do nosso dia-a-dia, sem “surtar”.

Inteligência emocional – Conseguir viver com todas as pressões que o mundo exerce sobre nós.

Julgamento e tomada de decisão – Está diretamente relacionado a nossa capacidade de pensamento crítico, mas que vai um pouco mais além, abrangendo a inclusão sem julgar, e sim, compreender.

Orientação para servir – Sempre foi uma competência de linha de frente, que lida diretamente com o cliente. E nos dias de hoje é fundamental estarmos dispostos a servir as outras pessoas, porque o mundo é uma engrenagem, e quanto mais a gente consegue conviver em sociedade, melhor.

Negociação – A capacidade de influenciar as pessoas, de mostrarmos para elas a nossa perspectiva e fazer com que, de forma positiva, elas caminhem em direção aos seus objetivos organizacionais. Tudo isso precisa confluir para pensar em um bem comum, ou seja, foco cada vez mais na negociação com base no coletivo.

Flexibilidade cognitiva – É a nossa capacidade não de desaprender, mas de ressignificar os aprendizados e de conseguir agregar cada vez mais crenças, capacidades e comportamentos divergentes com tudo aquilo que foi praticado durante toda uma vida.

Essas são competências que irão nos diferenciar cada vez mais das máquinas. Em um mundo cada vez mais digital, quanto mais humanos formos, melhor. “Hoje, cada vez mais o RH entende que o seu papel não é somente desenvolver liderança, mas ser parte de uma organização e conseguir ajudá-la a mover-se em um cenário cada vez mais competitivo. Não é somente se focar em criar um propósito, mas entender o porquê daquilo”.

Para Manciola, uma competência também extremamente importante que o RH e as pessoas precisam desenvolver é a competência de vendas. 

“Vender não no sentido de “manipular”, mas de encontrar de fato quais são as características daquela organização que impactam a vida daquela pessoa. E venda, de uma maneira geral, é isso. É conseguir encontrar o produto certo para o cliente certo. Para isso, é preciso conhecer muito de produto e muito de cliente. A mesma coisa acontece em relação ao RH. Precisa conhecer cada vez mais o negócio, e cada vez mais de pessoas, para que se consiga promover essa conexão”, finaliza.

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