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O Que O Rh Pode Fazer Nesse Novo Ciclo? Protagonista Ou Coadjuvante?

Coluna 4571

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“Somos parceiros do CEO e dos demais executivos da empresa, mas ainda não sinto que influencio a estratégia dos negócios”.

Ouvi essa frase de um VP de RH no inicio de um trabalho que iniciamos juntos.  Ele havia sido empossado recentemente no cargo e estava bastante inquieto.

Como forma de contribuir com profissionais de RH que vivem o mesmo dilema, quero dizer que estamos defronte de um novo ciclo. Digo isso pois nas ultimas semanas temos interagido com muitos executivos e presidentes de empresas dos mais variados portes e setores, o chamado C-Level.

E partir dessas interações (bate papos informais, conversas formais e até pesquisas estruturadas), conseguimos entender não apenas o “estado de espírito” desses executivos com o futuro, mas também os direcionadores que estão pautando suas decisões.

Quero agora compartilhar com você de RH, alguns desses direcionadores e desafios que podem te ajudar a responder à pergunta inicial:

  1. Otimismo para o próximo ciclo 2019-2022: Todos acreditam que o ambiente econômico será melhor no próximo governo. O próximo ciclo econômico de 2019 a 2022 será “melhor” do que os últimos 4 anos. Essa mudança está diretamente ligada à entrada de um novo governo. Reforma tributária seguida da reforma da Previdência, reforma no sistema político, criação de um plano nacional de segurança pública e a redução dos gastos da máquina pública são, na visão dos executivos, as prioridades que o próximo governo deve enfrentar rapidamente.
  2. Liderança é o grande desafio: O “apagão de lideranças” é uma realidade para muitos dos executivos. Faltam líderes em quantidade e qualidade para sustentar a estratégia das empresas. Isso sem falar nos processos de sucessão, onde fica evidente o sumiço de sucessores devidamente reconhecidos pelos executivos e pela empresa como um todo. Por isso o principal desafio é desenvolver líderes em todos os níveis da organização.
  3. Modelo de Gestão: O modelo de gestão das empresas precisa urgentemente de ajustes para o atual momento do mercado e para construção do futuro. Soluções disruptivas, concorrentes exponenciais, economia do compartilhamento, co-working, home office, intangíveis, squads / agile, os nativos digitais e tantos outros sucatearam o atual modelo de gestão. Não é surpresa alguma o nível de infelicidade das pessoas no trabalho e a dificuldade das empresas em reter e engajar seus colaboradores.
  4. Inovação – Transformar para não morrer: Tornar a empresa mais inovadora é um enorme desafio para muitos. As empresas precisam inovar no modelo de negócio, na forma de se relacionar com os clientes, no jeito de engajar seus parceiros e colaboradores. Contudo, aparentemente os líderes das empresas não estão dando a devida importância ao tema da inovação. Resiste a crença de que os maiores problemas dos negócios vêm da política e da economia, quando na verdade inovar é a única maneira de se manter vivo e competitivo.
  5. Tecnologia e Transformação Digital: A tecnologia vem impactando fortemente os negócios e vai impactar de maneira ainda mais acelerada nos próximos anos. Por isso a corrida pela transformação digital está tão evidente. Contudo é um erro querer migrar tudo que é físico para o digital. O grande aprendizado é conseguir compatibilizar um modelo híbrido, ou seja, ter uma combinação do Físico com o Digital, o FiGItal. Apesar dessa evidente corrida, basta olhar ao redor para constatar que a maioria das empresas precisam “acelerar e muito seu processo de transformação digital”, inclusive incorporando o uso de ferramentas estratégicas de alta performance, como big data para a tomada de decisão.

Com base nessas “conclusões” vejo algumas oportunidades para o RH atuar. Vou citar 3...

A primeira oportunidade é reunir os principais executivos da empresa para debater e construir de forma organizada o futuro dos negócios. Fazer uma Reflexão Estratégica (muito diferente de planejamento estratégico). É uma espécie de “ante sala” do Planejamento Estratégico. Ou seja, antecede o planejamento estratégico, que acabou em muitas empresas virando um mero exercício de ajustes do orçamento para o ano que vem. O orçamento deve ser a ultima etapa e não o inicio, o ponto de partida do Planejamento estratégico. Estratégia não pode ser vista como uma projeção estatística do passado.

A segunda é o RH desenvolver um programa de liderança muito mais efetivo, focado em resultado e diretamente ligado a estratégia da empresa. É hora de fugir dos tradicionais PDLs, enlatados, pouco customizados e que tem foco apenas em ferramentas para Gerenciar Pessoas. Já pensou ter um verdadeiro “Lideres em Ação”? Um programa muito mais prático e que ao final traga novas receitas para empresa? Resolva problemas reais do dia-a-dia? Identifique e desenvolva sucessores? Ou seja, o RH deve desenvolver um programa que traga resultados muito mais efetivos e monetizáveis! Sim, é possível monetizar um programa de desenvolvimento de líderes, tenho vários exemplos práticos sobre isso!

A terceira oportunidade está relacionada a transformação digital. O RH pode começar o processo de transformação digital a partir dos seus próprios serviços, deixando seus sistemas e rotinas a disposição dos colaboradores. Criando uma experiência digital simples e eficaz. Dessa forma diminui-se muito a sobrecarga operacional na equipe de RH, abrindo caminho para uma atuação mais estratégica. E o melhor, não precisa reinventar a roda nem fazer altos investimentos.

Enfim, existem diversas oportunidades para o RH atuar estrategicamente, influenciando o negócio. Certamente, se você e sua equipe ficarem mais próxima dos negócios, entenderem seus reais desafios, inovarem e expandirem suas visões para além do RH, irão conseguir ser protagonista nesse novo ciclo.

Ah sim, aquele VP de RH citado no inicio do artigo conseguiu não apenas influenciar os negócios mas foi além, tornou-se CEO de uma das subsidiárias da empresa onde trabalhava.

Sucesso e até breve!

Por Milton Camargo, sócio co-fundador do Grupo Empreenda e EdE. É um dos colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista.

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