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O que fazer para potencializar sua resiliência mental

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Profissionais com perfil mais resiliente são cada vez mais buscados pelas empresas. Em meio a um panorama de mercado tão esgotante, cansativo e pressionador, ter a saúde mental bem controlada é um verdadeiro diferencial, especialmente à medida que problemas de saúde como a ansiedade, a depressão e Síndrome de Burnout (condição que evidencia o estresse em seu máximo) dão as caras com frequência no ambiente corporativo.

Para a psicóloga Natasha Ferreira, é determinante que um profissional que enfrente algum desses transtornos não se sinta culpado. Tampouco frágil ou impotente. “O ritmo de trabalho de hoje é frenético. Em algumas empresas e rotinas, a jornada é debilitante. O trabalhador está submetido a situações do mais alto teor de estresse e desgaste. Não enfrentar um condição que enfraqueça a saúde mental chega a ser mais exceção do que regra”, aponta. De acordo com a especialista, as relações e os processos de trabalho atuais são os principais condutores para que, não só no Brasil, mas no mundo, a depressão e o burnout sejam as “doenças do século”.

Entretanto, por mais que o contexto soe um pouco desolador, Natasha afirma que algumas medidas podem ser determinantes para que o profissional se encaixe nesse ritmo corrido sem que sofra maiores consequências a seu estado psicológico. “O primeiro passo é respirar fundo. Não se apegue a ideia de que não vai dar tempo de cumprir as suas tarefas. Faça algumas pausas, relaxe por alguns instantes e coloque a cabeça no lugar. Nos sentimos mais sobrecarregados e ansiosos quando pensamentos se acumulam, tomam conta de nossa mente e nos fazem perder o controle”, diz. Além disso, o mundo não deve ser carregado sobre os ombros. Conversar com alguém, seja um familiar, um colega de trabalho ou o próprio gestor, Pode contribuir para que o processo de trabalho se torne mais fácil de ser conduzido.

Em seguida, a especialista orienta que a organização se torne um hábito mais frequente. À medida que o tempo é melhor gerido, imprevistos ou situações não planejadas se tornam mais facilmente contornáveis. E essa mesma organização para gerir a rotina profissional deve valer para a vida pessoal. “Se precisar passar um final de semana todo dormindo, por exemplo, o faça. O cansaço, às vezes, de forma imperceptível, contribui muito para nossa mente enfraquecer. Quando nos sentimos no limite, a falta de sono certamente está envolvida. Não marque compromissos para todas as folgas. Se dê um descanso”, comenta.

É igualmente fundamental que os empregadores tenham em mente a importância de investir na qualidade de vida de seus colaboradores. Quanto mais for deixada de lado a saúde mental, maior o prejuízo não só ao trabalhador vítima do transtorno, mas também à empresa. A afirmação é comprovada em números. Segundo uma pesquisa de 2016 da Escola de Economia de Londres, o Brasil perde em média US$ 63 bilhões por ano por conta da depressão.

Em artigo, Robson Costa, CEO da Encanto, enfatiza a importância/necessidade das empresas desenvolverem ações mais humanizadas e que promovam a qualidade de vida. O autor exemplifica a questão ao recordar da realidade dos empregados de telemarketing. Para quem passa o dia sendo xingado, depreciado e lidando com o mau humor alheio, a falta de uma política interna motivacional torna o trabalho insuportável e deprimente. É um ciclo vicioso de funcionários “doentes” sendo constantemente substituídos.

Natasha ressalta que a construção de uma mente resiliente é um processo a ser conduzido por ambas as partes (empresa e empregado). E quando não, cabe ao trabalhador avaliar se vale a pena se manter em seu emprego atual. “Saúde é prioridade. Pouco importa o quanto você ganha se não há nem vontade de sair da cama. Não hesite em procurar ajuda terapêutica se necessário e muito menos em sair de um local de trabalho que não respeita a sua saúde, sua mente e sua vida”, finaliza.