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O quanto sua empresa perde ao abrir mão de uma gestão sustentável?

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Socialmente falando, quando pensamos em sustentabilidade, logo vem à mente iniciativas verdes. Ações como redução e melhor descarte do lixo, iniciativas que diminuem a emissão de gases poluidores e atividades voltadas à proteção de mares, da fauna e da flora, e do meio ambiente em geral, destacam-se nesse cenário. Entretanto, quando levado o conceito para dentro das organizações, a gestão sustentável vai muito além do verde e só alcança o seu potencial de sucesso quando somada a uma boa gestão de pessoas e a uma eficiente gestão financeira e de recursos empresariais.

De acordo com a palestrante e consultora em gestão de sustentabilidade empresarial, Roseli Capudi, a mudança de postura dos líderes e gestores se tornou não só um diferencial de carreira, como também um ganho de competitividade para as organizações. “Chamo de liderança sustentável a atuação profissional embasada em três dimensões: uma empresa só se sustenta ao conquistar o equilíbrio econômico, social e ambiental. É um tripé que você não pode desvincular. Liderar uma organização atualmente requer o desenvolvimento da consciência responsável em todos os aspectos”, aponta. A especialista pontua ainda que manter o equilíbrio empresarial é um dos maiores e mais constantes desafios, e para isso “requer além do conhecimento técnico uma construção de respeito e confiança com todos os atores envolvidos”.

Segundo um levantamento feito pela Union + Webster, a indústria sustentável vem ganhando cada vez mais força com os consumidores. A pesquisa revelou que 87% do população brasileira dá preferência à compra de produtos ou à contratação de serviços oferecidos por empresas sustentáveis. Além disso, 70% dos respondentes afirmaram que, a favor dos negócios ativos na causa, eles não se importariam em pagar um pouco mais.

Roseli explica que a gestão sustentável por parte das lideranças tem um papel fundamental a favor do propósito profissional e do engajamento da equipe. “Precisamos fazer, mas saber por que estamos fazendo. O propósito da organização deve estar integrado ao propósito do indivíduo. Se não haver um líder engajado com o propósito transformador, ele vai ter dificuldades”. A fim de auxiliar a gestão e manter o equilíbrio sustentável, o novo líder deve contar com ferramentas adequadas ao porte da empresa e incorporar políticas e diretrizes na gestão, com objetivos bem definidos na busca de uma gestão mais sustentável. Para a consultora, incorporar ações responsáveis no planejamento é uma forma de gestão da transparência. Uma empresa que publica e pratica suas intenções de não aceitação de vantagens e propinas dentro da organização, por exemplo, pode evitar que este tipo de atitude contamine a organização.

“A liderança sustentável é uma escolha de vida que deve estar em harmonia com um propósito maior. Algo que tenha coerência com as crenças pessoais, profissionais e organizacionais. É um exercício da consciência responsável”, comenta Roseli em suas palestras. A consultora ressalta que algumas empresas já trabalham com setores de sustentabilidade voltados a alcançar o equilíbrio entre iniciativas verdes e a gestão de pessoas e recursos, tamanh a importância competitiva que o conceito ganhou.

O impacto da ausência de um mindset sustentável interfere, inclusive, no potencial da diversidade das organizações – que segundo estudos, oferece um considerável índice de crescimento e pluralidade de ideias e conceitos -, uma vez que as ações deixam de ser efetivamente inclusivas e se tornam apenas maquiagens. “Você precisa mapear e traçar um plano de ação que identifique o que você espera que as pessoas tragam para a empresa. Não é somente cumprir cotas. Empresas extraordinárias buscam pessoas extraordinárias e que estejam dispostas a serem parte de um processo de transformação”.

Vale ressaltar, conforme mostra pesquisa conduzida pela consultoria McKinsey & Company, que a diversidade é uma das grandes alavancas de crescimento nas empresas com visão moderna de mundo. O relatório indica, por exemplo, que organizações que abrem espaço para mulheres na liderança tem potencial de faturamento aumentado em 15%, porcentagem que sobe para 33% quando há diversidade racial.

Roseli acredita que o caminho para as pessoas e as empresas conseguirem adotar um comportamento sustentável, uma mudança de mindset e uma cultura aberta e plural é o Círculo Dourado de Simon Sinek: porquê, como e o quê. Depois, vem a disciplina e a consistência para tomar atitude e fazer a mudança que queremos acontecer. Dentre outros exemplos, a metodologia do “Golden Circle” (clique aqui para saber mais sobre ela) é utilizada para explicar o sucesso de empresas como a Apple e de ícones históricos como Martin Luther King, uma vez que aborda o poder por trás da liderança inspiradora e o engajamento por ela propiciado.

“O líder é responsável pelo bem-estar criado em volta dele. As pessoas devem observar suas ações no dia a dia. Todas as atitudes, desde o café que nós servimos, causam impacto, seja ele positivo ou negativo. O que nos motiva a fazer algo, o porquê de nossos atos, é o primeiro ponto que eu preciso considerar antes de promover qualquer mudança”, finaliza.