- Início

- Conteúdo

O Profissional Brasileiro É Feliz?

Compartilhe Este Post

É possível ser feliz no trabalho? O questionamento vem à tona em época na qual transtornos mentais se mostram exponencialmente crescentes e cada vez mais impactantes dentro e fora das organizações. No Brasil, consequência ou não de causas relacionadas ao ambiente corporativo, as enfermidades psicológicas assumem estatísticas alarmantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o país, líder do ranking de patologias que afetam a saúde mental na América Latina, tem 5,8% de sua população diagnosticada com depressão. Quanto à ansiedade, 9,3% dos brasileiros a enfrenta, o que eleva o Brasil à marca de terceira nação mais ansiosa do mundo. 

Quando pensamos no universo corporativo, assim como as doenças citadas acima, outras condições como o estresse e a Síndrome de Burnout (síndrome do esgotamento profissional) também ganham força. Não é à toa que, por esses e outros motivos, uma pesquisa de 2018 realizada pelo consultor de carreiras Fredy Machado, e citada no livro ‘é possível se reinventar e integrar a vida pessoal e profissional’, indicou que cerca de 90% dos profissionais brasileiros estão infelizes em seu trabalho atual. Em meio a esse cenário, 60% dos entrevistados alegaram que não têm tempo para cuidar de sua saúde.

Para Nice Castro, especialista em Recrutamento e Seleção que há mais de 20 anos atua na área de RH, hoje, por mais que temáticas como a saúde e a felicidade dos colaboradores sejam debatidas dentro das organizações, a prática ainda deixa a desejar.

“Não é preciso pesquisar muito para encontrarmos diversos exemplos de empresas que cuidam do bem-estar de seus funcionários. Ioga, meditação, práticas de mindfulness, jornadas de trabalho mais flexíveis, home office, são algumas das medidas que os negócios estão tomando para ter funcionários mais saudáveis e satisfeitos. Porém, o nicho ainda é pequeno. Estas ações não são regra, mas sim exceções dentro das organizações brasileiras. E mesmo boa parte daquelas que as promovem, ainda ‘compensam para o mal’ com ambientes de pressão, rotinas extremamente puxadas e líderes despreparados para lidarem com seu time de colaboradores”, pontua.

Face a face com os sentimentos negativos

Segundo relatório global com dados de 2018 produzido pela Gallup, empresa de pesquisa de opinião, a tristeza é o sentimento mais predominante no mundo, seguido de perto pela raiva e pelo medo. Internamente, no Relatório Mundial da Felicidade, conduzido pela mesma empresa, o Brasil caiu 16 posições no período de 2015 a 2019, deixando a 16ª colocação e assumindo o 32º lugar entre 156 países. Apesar da posição no ranking estar longe de representar um panorama alarmante, a queda “liga o sinal amarelo”, já que a nação teve sua pior ‘nota’ (6.300) desde 2014.

“Alcançar o que nós almejamos como felicidade na nossa vida pessoal é desafiador. Na vida profissional, é igualmente complicado. Equilibrar, então, é uma tarefa que, para alguns, é vista como impossível. Se considerarmos que grande parte do nosso dia é no trabalho, podemos considerar que a empresa, o RH, a liderança, têm a responsabilidade de nos oferecer condições de bem-estar e uma estrutura de trabalho que não impacte negativamente na vida familiar e pessoal do colaborador”, aponta Nice, que ressalta que as companhias só tendem a ganhar visando uma atenção maior com a felicidade de seus membros. “Nem todas as gestões estão prontas para elevar a importância com o bem-estar ao mesmo patamar da importância do lucro. Mais do que isso, ainda não aprenderam que funcionários felizes são mais produtivos, motivados e, consequentemente, farão a saúde financeira do negócio crescer”, acrescenta.

Mentor e fundador da Passadori Comunicação, Liderança e Negociação, Reinaldo Passadori explica que, já que nem sempre é possível o profissional fazer aquilo que gosta, é essencial que sejam criados mecanismos, tanto de sua parte quanto dos líderes, para estimulá-lo a gostar daquilo que faz. “É possível ter prazer no que você faz no trabalho e esse prazer precisa ser buscado. Além disso, é primordial que as empresas tenham em seu quadro de colaboradores indivíduos cujos valores sejam compatíveis aos seus. Como você vai se sentir à vontade em um ambiente cujos valores éticos são diferentes daqueles que você carrega consigo? É natural que haja um desconforto”.

Passadori orienta também que as empresas não devem sobrepor a atenção dada à tecnologia e a novos recursos digitais em relação aos colaboradores. “As pessoas são o maior patrimônio de uma empresa. Não adianta nada você querer se modernizar, pensar em aplicar novas tecnologias, se você não cuidar dos indivíduos que atuam ao seu lado. Se as pessoas se sentem valorizadas e têm as portas abertas para crescer e se desenvolver, isso é um diferencial competitivo e que contribui para o bem-estar”, reflete.

Como o RH pode ajudar?

Susanne Andrade, especialista em desenvolvimento humano e autora do best-seller "O Segredo do Sucesso é Ser Humano" e também de "O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil", explica que insatisfação e infelicidade por parte do funcionário com o seu trabalho pode ser identificada por alguns sinais:

  • “Fobia” dos domingos, no qual a sensação de tristeza por ter que trabalhar no dia seguinte faz com que o dia seja marcado por desânimo;
  • Má relação com os colegas;
  • Procrastinação nas entregas e falta de energia para concluir as tarefas;
  • Ansiedade elevada (que pode até causar sintomas físicos como insônia e dores de cabeça);
  • Trabalho no “piloto automático”, no qual processos são feitos de forma mecânica, sem que haja sequer um questionamento do porquê da realização deles.

A especialista explica que o primeiro passo a ser tomado pelo RH é estar sempre próximo das equipes e dos gestores. Desse modo, será possível dar o suporte necessário para identificar e solucionar problemas e para motivar os colaboradores. “É importante identificar o propósito e colocar a pessoa certa no lugar certo. Essa pessoa pode continuar na mesma área, e, por exemplo, se ela é movida a desafios, passa a exercer atividades que a desafiem, fazendo com que a empresa retenha esse talento”, diz.

Susanne aponta também para a importância de um bom processo de coaching, no qual o RH tem a opção de contratar um serviço terceirizado, caso necessário. “Esse profissional pode fazer um trabalho mais educativo, para que as pessoas se conheçam mais, trabalhem o autoconhecimento, e dessa forma elas mesmas identifiquem, através de workshops e treinamentos, o que as motiva. Assim, é possível trabalhar a conscientização de cada profissional, que passa a entender que deve ser protagonista da sua carreira, e ele mesmo vai tentar identificar esse propósito. E se a empresa dá esse suporte, melhor ainda”, conclui.

Para saber mais, o RH Pra Você preparou dois ebooks exclusivos e completos sobre a felicidade em ambiente de trabalho. Clique nas imagens acima no texto e abaixo para conferir:

Gostou desse post? Compartilhe!