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O porquê da mediação extrajudicial

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Vivemos, hoje, mudanças de paradigmas na sociedade como um todo. O tecido social do mundo está em processo de alteração. A longevidade e os aspectos tecnológicos são parte desse processo, e as organizações precisam estar preparadas para empreender em inovação nos negócios. Devem absorver essa transformação de forma menos traumática por meio da Mediação Corporativa.

É um desafio fazer diferente numa época onde as demandas se acumulam e são todas urgentes. Mas vencem os obstáculos aqueles que apostam na prevenção para não remediar o futuro.

Na Mediação Corporativa, as partes são empoderadas para a resolução dos conflitos longe dos tribunais. Na área de gestão de pessoas esse método pode operar verdadeiros milagres, como diminuir a tensão interna entre departamentos e identificar pontos nevrálgicos, tanto na atuação do gestor, quanto de relacionamento nas equipes. A mediação também pode apoiar e/ ou dar aval a decisões corporativas que busquem a mudança operacional que afeta a estrutura de departamentos, entre outras questões. E mais, tudo de forma preventiva e/ou resolutiva.

A convivência diária, as relações interpessoais criadas no período de trabalho e os vínculos afetivos até mesmo fora do ambiente corporativo, muitas vezes geram atritos e desgastes que podem atingir os negócios. A mediação é aliada da empresa para evitar esses desgastes, a fim de restaurar e recuperar um convívio proveitoso entre as partes envolvidas no conflito.

É bom frisar que “conflito” é o nome que damos a momentos difíceis de um relacionamento, afetivo, profissional, por exemplo, que causa desprazer e que pode gerar violência. Não é algo definitivo. Nesse sentido, é preciso trabalhar a relação como um todo e pensar no que se pode construir junto. A empresa participa desse processo ao adotar a mediação como uma das fontes de solução. Não se “trata” o conflito em si, mas as relações humanas, uma vez que o conflito é sempre momentâneo. É inerente ao ser humano e, portanto, o desafio é transformá-lo em aprendizado por meio de uma comunicação pacífica que reverta em benefício para a empresa e os funcionários.

Na gestão de conflitos, os mediadores são facilitadores do diálogo que sintonizam o conteúdo das falas, entregando às partes envolvidas, um ambiente sem ruído, um espaço cheio de possibilidades para uma nova composição.

Aqui vale um relato: uma funcionária, há tempos sem emprego, acabou contratada por empresa que, depois de um ano de trabalho, a transferiu para outro setor, como uma promoção. Nesse setor trabalhavam dois outros funcionários. Sua presença não foi aceita e ela passou a ser alvo de chacotas explícitas praticadas por esses empregados, que trocavam mensagens sucessivas com piadas sobre ela, tanto pelo celular, quanto pelo computador, acompanhadas de risos e indiretas. A funcionária transferida passou a demonstrar comportamento triste e arredio, com leve transtorno emocional.

Primeiro reflexo: amigos minimizavam a questão, entendiam que a solução era simples, recomendavam esforço para torná-los amigos, ou que simplesmente ignorasse as provocações, mesmo com provas do assédio. Segundo reflexo: a funcionária buscou o departamento de Recursos Humanos que tratou o assunto como uma mera divergência entre colegas de trabalho. O responsável pelo RH providenciou reunião com os três envolvidos e exigiu que os dois funcionários pedissem desculpas à vítima, prometendo o fim daquele comportamento.

Resultado: o comportamento dos assediadores ganhou novo contorno, agora com afastamento explícito. A vítima pediu demissão do trabalho e agora passa por tratamento psiquiátrico, tendo desenvolvido outros transtornos.

Esse é um caso dentre milhares que acontecem no dia a dia corporativo e que por vezes o departamento de Recursos Humanos não está preparado para acolher a vítima, e até mesmo os assediadores, com medidas profiláticas. A Mediação, nesse caso, se apresenta como uma ferramenta importante para minimizaram danos maiores que podem desembocar na Justiça e causar problemas inimagináveis.

Por Selma Nunes, jornalista e advogada, da Sena Mediação, Gestão de Conflitos